sábado, 27 de junho de 2026

PASSANDO A BOLA SEM BOLADA NAS COSTAS: COPA NA TV SEM MONOPÓLIO VALER

Nesta Copa do Mundo, a CazéTV entrou de sola na canela da TV Bobo - e sem falta, né? Eu, que nunca curti a TV que ajudou os milicos na ditadura, também não marcaria nada nessa jogada, ainda mais que essas transmissões "inauguram", no nosso campinho brazuca, o "acesso democrático" pela internet. Então, reclamar do quê? Só se for da narração das partidas - grita meu "ombudsman interior". É mesmo! Nessa vou ter de concordar com ele. Explico: eu, que tenho 58 anos e que minha primeira copa foi Argentina 78, com aquela "amolecida" do Peru pros hermanos, vi alguns jogos, inclusive esse 6 a 0, estimulado pelo viagra da ditadura militar argentina - e vejam que assistir a jogos pela tv, naquela época, era algo muito difícil, pois um aparelho de tv era um item que, além de caro, era raro nas casas de um bairro periférico, como o meu, o Primavera, em Teresina. Apois, o rádio era, sem dúvida, o canal mais popular do meu tempo de criança, e, se você nunca acompanhou uma partida de futebol pelo rádio, você não sabe como o narrador, com a voz na velocidade máxima, tenta recriar as imagens .a fim de que nós, a audiência, possamos "ver" o jogo. Muito doida, essa parada, mas altamente divertida e estimulante pro nosso cérebro" O narrador, no rádio, é mesmo muito necessário. Já, na tv, creio que não. Afinal estamos VENDO tudo! E hoje, então, que há infinitos recursos tecnológicos, que fazem das transmissões um "show" de imagens, e que, mesmo assim, os narradores insistem em descrever detablhes que estamos vendo, com repetições "por todos os ângulos", como diz um deles, o Ódiná Bera de Rie. Porisso, pra mim, o narrador de televisão é um saco! PQP! Ter de suportar esses caras, cada um querendo estender o grito de "gol" por mais tempo que um tenor italiano, é maçante! Não dou linha pra essas pipas, que não são picas porra nenhuma! Volume no zero, vejo as imagens, que me mostram mais que as tais mil palavras aceleradas! Só assim tenho mais atenção pra perceber detalhes que, durante as narrações de "taquara rachada", são "apagadas". No rádio, claro, os narradores são "conditio sine qua non". Daí, minha admiração pela habilidade desses "artistas da voz", que, ainda hoje resistem bravamente. Vejam bem, meus amigos da CazéTV (por que você não manteve o S, fofinho Casimiro, já que entre vogais ele tem som de Z?!), SE VOCÊS QUEREM INOVAR MESMO, PENSEM NUMA TRANSMISSÃO SEM NARRADOR! Como? - pode perguntar seu ombudsman. Simples assim: reunindo 3 ou 4 comentaristas (arbitragem, parte técnica e tática, histórica, sei lá!) e deixa os picas falarem, não o que a gente tá vendo em cada jogada (será que é preciso mesmo me dizer que o atleta driblou o adversário, fez o cruzamento e o outro cabeceou pra fora?!), mas sim o que ninguém tá "vendo". Aí sim, eu não zerarei o volume da minha tv, smartfone, tablet, o caralho! É um saco ouvir esses caras querendo ser melhores que o Luciano do Vale, que, me desculpem, nunca admirei, ou mesmo do que o Gavião Bueno (esse é que é um "pé no saco" mesmo"). Façam como fazem alguns locutores (e não narradores, tão vendo?) estadunidenses ao transmitirem, por exemplo, jogos da NBA. Eles não se prendem à descrição das jogadas, eles falam de outros detalhes e tiram onda dos caras/jogadores e das jogadas. Essa é que deve ser a pegada. Saca? Faz isto: põe na bancada o Casa, Você (o Casé), o Casi, o Casó e o Casu. E pronto! Deixa a galera falar como se estivesse assistindo ao jogo num bar, em que os comentários são a respeito de detalhes que os telespectadores não sabem ou não veem. Fica esse pitaco do caralho: porra tu viu essa jogada, o cara é pica mesmo, pena que ainda não tá recuperado! Duvido se ele vai aguentar 20 minutos de pelada dura! KKK Ver menos

domingo, 17 de maio de 2026

MAIS 1 HOMEM-CHICO, NA SELVA DE CONCRETO, ROBERTO!

Em 1987, decidi, por ter 1 tio lá; eu decidi ir a Sáo Paulo, "aprnder a viver", segundo planejava. Sempre tive o básico que 1a criança precisa: casa, comida e roupa lavada... Kkk. Piada! De q gosto não sei o seu. O meu foi razoável. Não éramos ricos, mas papai e mamãe nos proveram do q nos-trouxe até aqui. Gratidão. A minha queixa é só por mamãe ter-me-desmamado de 1 forma tão "trágica", depois de somente 3 anos de amamentação! Não dava 1 prego numa barra de sabão! Então, já q meu tio Daniel aceitava - talvez Etiene, sua esposa, tivesse dado pra trás! Mas não sei quais foram os pontos do acordo entre mamãe e seu irmão. Fui a São Paulo. Ponto. Lá, eles - os contra - me-cunharam de "Baiano". E que ficasse esperto pra não "fazer baianada"! Respondi de pronto: Tomate cru! Apesar de gostar dos irmãos baianos, sou piauinse, bodim! E não vem com essa de "Ei, Piauí", q meu nome é Luiz! Aprendi o q pude, sobretudo, a conferir trocos & trocas. Lá não havia muito papo pra essa de solidaridade. Isso - olha lá! -, só entre pessoas muito próximas mesmo! Cidade escrota pra isso. Fiquei de butuca ligada desde tanta "sobrevivência". Ainda bem q eu não era "quinta série", como muitos dos meus irmãos do Nordeste - meu amigo de Alagos, q nunca tinha ido nem a Maceió, qdo via um magote de gente, dizia, "Olha 1 rebaim de gente"! Os sulistas não nos toleram. Isso se a gente tiver serventia; senão, "sem chance!", eles diziam. Gratidão, Etiene e Daniel. A ti, minha tia de tabela, agradeço, principalmente, aquele 1o esporro - não em mim, em Daniel! -: Tu viu

sábado, 11 de abril de 2026

 UMA SINAPSE A CADA TAPA, SACA?


PEGA 1

Como cê chama "pernilongo" na tua terra? Muriçoca. Ah, tá! Aqui, no Piauí, ninguém chama não; elas mesmo vêm! Tem até a tal da muriçoca cachorra, que não pica, morde! É mole? Apois, como, na tua quebrada, os irmãos nomeiam o "ato de fumar 1 cigarro de maconha"? Por estas bandas, diz-se "detonar",  "queimar", "arrochar", "quibar", sei lá...


PEGA 2

Já escrevi uma ruma de textos perdidos em sinapses soltas, sem 1 lápis q me defendesse...


PEGA 3 

Se eu fosse agoniado, teria obrado marromeno...


PEGA 4

O reggae é 1 gênero musical dos mais importantes in mi vida... Escapei de 1 queda homeriquíssima escutando os versos sabidíssimos de Peter, Bob, Owen, Clinton, Albert, Toots, Cedric, Eric, Winston e tantos... Escutando as mensagens, sobretudo, da linha do reggae de autoafirmação, de positividade, do e"get up, stand up!" da dupla BP. É, pq o reggae tem 3 linhas de discurso: o religioso (Jah!), o amoroso ("rock lover") e o político-filosófico-ancestral ("You´re an african!")...




sábado, 13 de novembro de 2021

Abysag.Raul Bopp.Luiz Filho de Oliveira.Leão Negro


Esta composição é uma parceria com o regueiro baiano Leão Negro, quando ele esteve hospedado em minha casa, em Timon, no Maranhão, pelos idos-e-vindos de 2000 e pouco, que, num dia de acaso, me-perguntou se eu conhecia um tal de Raul Bopp. Então, fui até meus livros e saquei "Mironga e outros poemas" (essa antologia que aparece no vídeo) e entreguei a ele, que, de imediato, abriu o livro numa página qualquer. 
Aí o encantamento: o poema "sorteado" foi "Abisag", essa composição linda, em que Bopp utiliza um eu poético feminino, cantando um lamento comovente de uma das mulheres do senil Rei Davi, Abisag, que implora pelo seu amor... E não é que, em vez de ler o poema, meu amigo Leão começou a cantar-ele, incrivelmente embriagado de lirismo.
Daí, foi somente ajudar-ele no refrão e fechar alguns detalhes: a música nasceu... Eu gosto muito dessa composição. Inclusive, quando foi criada, ela tinha um ritmo mais de canção. Nesta gravação (peço desculpas pelo improviso, mas não toco instrumento algum - exceto uns tambores!), impus um ritmo mais "dançante", pois, nessa época, ofereci-ela para um poeta de uma banda local... 
Como já faz quase 20 anos da composição e uns 6 ou 7 da recusa do colega poeta, vou compartilhar-ela com vocês. Quem quiser cantar-ela, que se-adiante. Respeitando os direitos autorais, tá tudo certo.
Evoé, poetas!

quinta-feira, 16 de julho de 2020

VAMOS AFOGAR O PATO!

-- Quem, o Babasquara?!
-- Esse mesmo! Fez um acordo com o Doutor: ele ficava tomando conta do sítio e botando comida pros patos, e o Doutor trazia os mantimentos de quinze em quinze dias...
-- Olha, Babasquara, são muitos patos, toma cuidado!
-- Pode deixar.
Pato pra carai pra cuidar, e duas semanas, e nada do Doutor trazer a comida... Quase um mês depois, ele aparece com a cara mais limpa.
-- Babasquara, mas que foi que houve? Tá faltando muito pato!
-- É, Doutor. Uma porção deles morreu afogado...
-- Como é que é, Basbaquara?! Morreram afogados?! Como assim?
-- Pois é, Doutor, o senhor não trouxe a comida; os patos morreram afogado na água quente...

sexta-feira, 22 de maio de 2020

PARCEIROS, PARCEIRAS E PARCERIAS AO PÚBLICO PRIVADOS


    Se, em tristes Brasílias, há o Gabinete do Ódio, com seus "Homens" impudicamente inescrupulosos, capazes de cometer a maior das sacanagens com qualquer adversário que ouse encarar uma Familícia; não nos-esqueçamos de que lá há também os Escritórios do Amor, com seu staff de garotas e garotos programados para "amar" senadores e deputados, duplos, os sexos -- às vezes, no caso das garotas, até casar, afinal há de rolar uma "dama de primeira" para estar Primeira Dama -- claro, com os garotões, "no First Lady"... Entocados, os intocáveis...
    Com o dinheiro que certo dePUTAdo bozolóide já havia avisado que era "para comer gente", se-arma uma festa rapidamente. É na carreira, "na tubada", ou melhor, nas carreiras... Tudo do bom e do melhor, coisas de primeira. Nossos esquemas são fortes...
          -- Deputado, deixe le-apresentar aquela garota fantástica!
    -- Puta vida! Caralho! Chama aí, vai!
    -- Essa dá uma primeira dama e tanto, hem, deputado? Empurra-ela naquele seu sobrinho, candidato a prefeito, hem? Se ele ganhar, até casa! Ele é baitola mesmo, a gente dá um trato nela depois... Hem?
    -- Primeiro, traz a primeira dama aqui, que eu estou com umas segundas e tantas inteções. Depois a gente vê isso de eleição... Tô querendo outras sacanagens...

domingo, 26 de abril de 2020

UM CAMINHÃO DE RAPARIGA NÃO É O CAMINHÃO DAS RAPARIGAS




Hoje, em Teresina, no Centro-Sul, foi dia de rebuliço. Foi interditado um famoso bar, conhecidíssimo entre os homens da vida (11 entre 10 deles o conhecem ou já o frequentaram!): o 70 Drinks, que, claro, vem depois do 69 (Meia Nove, pros chegados!)...
Segundo algumas testemunhas, as viaturas chegaram depois das 5h (porque de 4 já havia muita gente!), quando o "cabaré tava pegando fogo" e foi aquele "banho de água fria" em todos os desejos, que amoleceram logo. Cumprindo a determinação do prefeito de "isolamento social", que determina que todos os estabelecimentos comerciais devem fechar depois das 17h, os policiais iniciaram a operação. Como houve resistência por parte das trabalhadoras e como eram muitas, foi chamado um caminhão para conduzi-las até o DP.
Foi nesse momento que alguém, do meio da multidão, lembrou o antigo corso que havia em Teresina décadas atrás, e gritou: "Olha, um caminhão de rapariga"! É certo que o caminhão da nossa tradição carnavalesca, "O caminhão DAS raparigas", transitava por vários bairros da capital, no sábado anterior ao carnaval com o intuito de alegrar os "clientes" e a cidade. Não havia, portanto, muita semelhança com esse "caminhão DE rapariga", que só trouxe tristeza...
Porém, uma coisa é certa: tão logo sejam ouvidas, as raparigas todas serão liberadas...
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P. S.: Esse texto é ficção; exceto pela foto e pelo fato que realmente houve, mas não sei em que proporções se deu seu desenrolar (Sem trocadilho!).

quinta-feira, 2 de abril de 2020

INSTRUMENTISTA DE POESIA: POESISTA


Foto: maestrorochasousa.blogspot.com/



Conheci o maestro Luiz Santos na saudosa Escola Técnica Federal do Piauí (ETFPI), em 1983, quando, com mais dois colegas de sala de aula, o Aroldo e o Neto, decidimos ser alunos de música e aprender a tocar um instrumento musical -- e claro, estar entre aqueles que faziam parte da banda de música da ETFPI!

Não lembro que instrumento o Neto queria aprender a tocar, mas eu e Aroldo queríamos clarinete (Olha aí, Suzy Reis, sempre quis ser o Lula Molusco! kkk). A ideia foi linda -- a música sempre fez parte de minha vida, como diletante ouvinte --, mas, infelizmente, não fomos muito longe nessa "ideia-prima". Primeiro, que essa decisão de qual instrumento iríamos tocar não era tão simples assim, havia a decisão do maestro, o mestre, claro; segundo, que havia também a disponibilidade dos instrumentos da banda, já que não eram tantos assim. E, para meu espanto de iniciante nesse universo dos instrumentistas, recebi assustado um instrumento que desconhecia existir e que tinha um nome esquisito, bufônico: trompa. Me-desculpem os admiradores desse instrumento, mas o susto foi hilariante. A decepção, essa foi desmotivante.


Não consegui ir adiante; meus colegas, também. Não nos-saímos bem, como outros alunos dessa mesma época se-saíram: o Luiz Santos, o Wilker Marques (?!), o Daniel Aracacy, e tantos. O que valeu, ao menos, foi ter convivido alguns dias com essa figura da música piauiense, autor do hino do meu River Atlético Clube.

Fui mal. Foi mal. Ainda bem que ainda trago a música comigo. Como-a todo dia e trago... A poesia foi o único instrumento que aprendia a tocar e, com ela, hoje, eu faço músicas...

terça-feira, 24 de março de 2020

POSTAGEM ABERTA AO LEÃO: DREAD OR ALIVE




    Isturdiinha veio à minha mente reminiscências do quandonde morei em Timon, na velha Flores, numa casa, no cimo da Rua 40, distante da “cidade”, separado por uma rua de areia e barro e pedra e mato e areia e pedra e mato e barro. E se chovesse! Aff! Essa casa, que não era muita engraçada, eu comprei com muita aula, afinal, Profe que não trabalha não engole sapo! Não é mesmo, dona Cobra?
    Essa estada em Timon foi ocupada principalmente da vontade de vender aquela casa: terreno farto, 40 por 55; bons ares; toda murada; com construção faltando somente acabamento; piso bruto. Capitalismo também. Tempo de espera de venda do imóvel. Masporém, houve muita produtividade nesse tempo. Isso tudo, por volta de 2000 a 2004, marromeno, que as datas não as-gravo. Isso é mais coisa pro Stefano, o “Look at” (não por acaso, o-consultei para lembrar o nome verdadeiro do personagem de que trata esta crônica!). Eu lembro que, nesse período, em que mantive hospedado de europeus a bandidos rasos, tive um período dando teto a um cantor e compositor de Feira de Santana, na Bahia: Leão Negro ou, como lembrou o “Look at”, o Eliseu, seu nome real (sem trocadilho kayano!).
    Essa figura é o exemplo típico do músico negro pé na estrada, que tem aquela espécie “Jam session” no roteiro de viagem daqueles músicos das antigas, à la Robert Johnson e os blueseiros estadunidenses. Coisa assim. Na música do Leão (“Judah”), há referências ao trem, tão caro a esses bluesmen dantigamente. Leão era um andarilho. Queria estar em tudo o que era de lugar. “Melhor não poderia estar”. Disso ele partilhava. Taí uma coisa que aparece na sua música e que se confirma na sua vida! É, pois o Leão era de uma surpresa atrás da outra, beirando (e caindo dentro muitas vezes!) a irresponsabilidade. Que foi? Essa pergunta mesmo, que é título de música e tudo, é um exemplo desse comportamento: ela é o questionamento ao outro que estranhou de ele, Leão, estar fumando a erva rastafári, a ganja, a kaya, daquele jamaicano que ele tanto admirava, Bob Marley...
    Assim como Ludwig Schwennhagen, que escreveu seu único livro no Piauí, em 1928, Leão Negro somente conseguiu gravar seu primeiro CD também aqui em Teresina, no Piauí, com muita luta e o “mãetrocínio” de Clarice, sua amante (em todos os sentidos) timonense. Vi a correria de Leão para gravar o CD somente com o apoio de mais dois músicos (não sei se foi apenas um). Ele fez voz (principal e backing vocals), guitarra e baixo. As músicas – acredito – já estavam bem definidas. Afinal, ele chegou a nossa cidade já com alguma carreira percorrida por tantos lugares. Sei que, quando esteve em minha casa, ele fazia shows por Teresina e Timon já cantando essas suas composições. O CD saiu e Leão partiu para mais uma de suas viagens (também sem trocadilho!). Foi a Fortaleza, andou por Belém, não sei bem. Muitos lugares. Nem sei se ainda se encontra vivo – ouvi notícias de que sim. Por isso, a chamada ao trocadilho tosheano: Dread or alive. Estão muito vivos ou mortos de alegria os dreads leoninos? Alguém sabe do paradeiro desse músico?
    “Negro assanhado, negro atrevido, sem patrão e sem senhor”, como diz a música duns Malungos aqui, do Piauí. Ele não sujou na entrada nem na saída, mas fez muita bobagem nessa sua estada por estas paragens. Uma coisa é certa: deixou sua música conosco. E leiam que não foi somente as gravadas em CD. Ficou comigo, Leão, a música que fizemos juntos, naquele dia de puro misticismo negro. Dia em que ele me falou de Raul Bopp e de que “queria conhecer algo desse cara”. Algo que ecoava em mim por haver gostado de Bopp à primeira leitura! Mostrei a ele um livro do poeta antropofágico que tinha em casa: “Mironga e Outros Poemas”, da Companhia das Letras. E não é que ele, Leão, abriu o livro e bateu em cima do poema “Abisag” e, em vez de lê-lo, foi logo cantando. Que mistério maravilhoso, a música junto à poesia. Um negro que conhecia o poeta dos “poemas negros”. E mais: um poema com um sabor místico, algo parecido com que o filho de Davi cantou no Cântico dos Cânticos: um erotismo fino, mas picante (com trocadilho!).
    Foi epifânica aquela cena. Foi como um sopro, dum fôlego só a música fumaçou no ar: puro sândalo! Depois, alguns ajustes, e refrão, e ritmos, e comungamos a música, que chegou viva à minha mente e foi gravada como disco. Rígido ritmo em mente... Poema comovente, esse pedido desafiador ao Rei doente... Abysag implorando por amor de carne:

     “Meu corpo é teu, Senhor, queres beijá-lo?
     Por que colheste, no horto em que eu vivia,
     Meu corpo em flor de tâmara macia,
Sem teres forças para machucá-lo?”

   Ah, Leão, espero que onde esteja, você possa escutar ou ler esse meu texto, pois estas vibrações positivas hão de cantar aquele seu sorriso, amigo, nos disco do divino.
Jah bless you!

DAS BOCADAS INFERNÉTICAS


Assalto à mão teclada

Com a tela encoberta toda
por um tecido de códigos,
cobrindo o rosto de propósito,
um hacker le-assaltou agora,
há segundos atrás num chat,
quando le-apontou um mouse velho
e levou do bolso do poeta o quanto
ele teclou texto em sua conta.
– Copylantra!



(Luiz Filho de Oliveira. Das Bocadas Infernéticas. Editora Penalux: Guaratinguetá, 2016.)

DAS BOCADAS INFERNÉTICAS


Poeseu com Objetiva*

(Fala um dos dois poetas, distantes mil tons.)

– Ih, Millôr é o mió!
É só o mie-da-pipoca!
Eh, fulerage da peste!
É o que vejo com esta joça.

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* Esse poema foi escrito estando o Guru do Méier ainda vivíssimo em pessoa, no início do séc. XXI (xi!), em seu-mestre-mandou, ao milloriano “Poeminha sem objetivo”.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Das Bocadas Infernéticas

A blogar uma carta satírica de Vila Rica a tristes Brasílias


Ó Cláudio, Tomás, Doroteu, Critilo,
minhas saudações, ainda que tardias!
Cumpre a mim refletir o mal vivido
nesta missiva, que ao povo analisa,
novamente, as cenas, se pôr digo
tal pena moderna-pós, o teclado,
no mal que não vem de Chile, de fato;
a glosar este mote, teclo à Rede e
“sei que o que les-escrevo são verdades
e que vêm muito bem ao nosso caso”.

As peripécias, as mesmas, caríssimos,
e, Poeta, com meu vício, teclo às páginas
dos grandes do país e dos pequenos
os casos do mal vivido, na intriga:
a putinha ainda dá a justo soldo
e, nua, ela continua bem vestida;
os religiosos (gozosos) devoram
homens, mulheres, meninos, meninas;
os governantes, públicos agentes,
comerciantes, policiam incestos,
que mantêm com a enxerga da justiça!

Também não poderiam ser diferentes
as consequências que provêm disso:
o avesso é, sim, excelente exemplo!
Por que não le-apresentar, pois tão caro?
É certo que nem todos têm os olhos
que um Tomé teve pra ver de perto:
o poder de milícia à Vila Rica
hoje é política, Critilo – sério! –,
já que a pizza dos deputados é
prato cheio prouto golpe, Senado!

Tudo caminha prum mesmo lugar;
se o dinheiro vem do cofre, bem sujo –
“Tá branco, lavadas verdinhas banco:
governo é injustiça; um homem, dinheiro!” –
e, se a milícia corrupta hoje no país
coage o povo como antes, isso faz
parte desses negócios com os ternos.
De fato: a força força a porta, o muro!
Sempre foram aptos ao optar os corruptos
pelas finíssimas mãos fidindignas!

E mais: quais religiosos conseguem –
quem sabe a punhetas ou outras técnicas –
ficar sem fazer delícias com o sexo
pelo tempo que dizem amar seus deuses?
Aqui, padres, pastores, pais de santo
comem seu rebanho até em seus templos,
o que hoje é fácil de provar, exemplos
há tantos, prova gravada: movimento!
Ah! mulheres, o de sempre: conventres
cobertos em catre santo, fazendo...

Que esses agentes, públicos, privados,
sagrados, laicos, reais, literários,
sejam o que devem ser neste espetáculo;
visto que este texto está a gravá-los
vestidos de improviso fora do ato.
Sabem os grandes, meus Tomás e Cláudio,
que o público da informática máquina,
não rechaça a chance de gravar,
seja de Paços, gabinetes, pastas,
tantas cenas de ilícitos cortadas.

Apois, não apostem se uma postagem
não pode escrevinhar a imagem sua,
ou se uma dessas câmeras não grava
seus truques por vídeos ou fotográficas
imagens vivas em voz telefônica,
“que dessas insolências que les-conto
não só pode ver quem mora no Chile”:
a Rede toda assiste, lê, responde.
Salve esses parentes da carta anônima,
que ora incitam tristes Brasílias de hoje!


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* LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. Ed. Penalux, 2016.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

DELEITURA SATÍRICA




CANTIGA DE BOSO RODAR

- Lagarta printada,
quem foi que te printou?
- Foi o Boso caganeira,
que, por aqui, cagou!

No templo da igreja,
lavava dinheiro!
- Puxa, lagarta,
do nosso governo!!



domingo, 31 de dezembro de 2017

DELEITURAS LÍRICAS



Haicai no balaio

Essa gata (sem alarde)
está pisando um caminho
contrário ao de Ariadne.


Luiz F. de Oliveira

BardoAmar




Oráculo principal

Bem dentro de ti campo
este canto de trigo enigma:
cativa-me-devora!


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(LFO. BardoAmar. Teresina: Edição do Autor, 2003.)

Onde Humano


EM CENA CANTA O POEMA
da minha janela............................................... para ti
mal dita personagem dos ares terrenos
não digo que havia as medidas da fala de Hamlet
mas sei que em outro tanto beleza havia e pensamento
mesmo seguindo por distintas cenas distantes
por tantas que vindo e vendo meu olfato lento
compreendo acima de tudo por que te-anojaste
ao ver o humano abaixo a tua frente
esse bicho na terra tão pequeno
claro... aí de cima há tanto espaço pra julgamentos
quanto o-faço nestas ex-brancas páginas
como não querer sujar o de baixo então
se ele é todo metido à presunção de humano ser
de querer estar o maior de todos os mundos
e nesta terra de línguas babélicas
em que não és mais hieroglífico
uma nossa mãe egípcia bem antiga
onde digo ser um teu simpatizante amigo
e num azul e branco e cinza dessas correntes
em que crucificado marmoreamente estás
a planar sobre todos os planos e
paisagens e cenas e móveis gentes
vejo tal imagem tua de estátua em movimento
sob um sol sempre novo a te-organizar o organismo
nessa tua assepsia incrível
e penso teu dia teu expediente
funcionário dessa funerária sem limites
que compartilha conosco pacientemente
parte da sujeira destes santos campos seculares
onde o corpo sem o odor dos valores
é um sabor baldio em todos os terrenos
(nota depois de reescrito o poema:
O poeta acima não conhecia ainda o dr. Quejando)
(Vendo urubus voando serenos.)


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Foto: Ernâni Getirana

ONDE HUMANO



Um poema do meu "Onde Humano", porque hoje é dia de comemorar o aniversário de Paulo Leminski...

OUTRO ANO PASSOU POR AQUI UM AFRICANO




    Quem conheceu Leão Negro sabe que a estrada era mesmo sua vi(d)a... Ambíguas pistas não nos levam mais a ele. Hoje só sabemos que ele tá noutras paradas - muitos a quem procuro saber sobre ele sabem pouco: Fortaleza? Belém? Brasília? E, como aprendemos que ele era um "paradeiro" de primeira, quem tiver resposta pra estas questões, que responda: Em que ano está Leão? Qual sua atual sala? Tá merendando bem? (um leão herbívoro! Kkkk) Ainda canta no recreio? (Este trabalho não tem prazo de entrega)
    Reggaeman, vc, que veio Eliseu de Feira de Santana (fedendo de liso!), que se matriculou em Timon e Teresina, que foi acolhido em minha sala, que sempre me chamando "Teacher", que compôs seu único (?) disco (este, de letras poderosíssimas!) com toda dificuldade (ele mais dois ao todo!), que fizemos um trabalho em grupo ao compormos a música para o soneto Abysag, de Raul Bopp (sei que vc não anotou em seu caderno essa música, mas a-tenho comigo!), vc, brother, é de quem lembro quando ouço "African teacher", de Burning Spear, e de outras tantas músicas de outros professores jamaicanos...
    E, hoje, então, que está planejado um dia de "aulas da saudade", lembrei dessa ("a música do 'teacher'!") e de outras suas composições em resposta às lições do Mr. Mundo. Belas notas! Vc passou, Leão, mudou de ano e de sala, mas a gente se vê por aí, num recreio! Valeu, mano!