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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

What a conscience, black man!





INCIDENT


Once riding in old Baltimore,
Heart-filled, head-filled with glee,
I saw a Baltimorean
Keep looking straight at me.

Now I was eight and very small,
And he was no whit bigger,
And so I smiled, but he poked out
His tongue and called me: “Nigger”.

I saw the whole of Baltimore
From May until December:
Of all the things that happened there
That’s all that I remember.


(Countee Cullen)





INCIDENTE

Certa vez andando em Baltimore,
Tão alegre, cheio de regozijo,
Vi um baltimoreano
Mantendo o olhar em mim, fixo.

Eu tinha oito anos e era pequeno,
E o seu tamanho era o mesmo;
Então, eu sorri, mas ele estendeu
Sua língua e disse-me: “Negro”.
.
Eu vi Baltimore toda
Desde maio até dezembro:
De tudo o que ocorreu lá,
Isso é só o que eu lembro.



(Tradução livre de Luiz Filho de Oliveira)














sábado, 7 de novembro de 2009

O doce estilo novo do velho vate italiano, qu’inda segue cantando: “Amor com sue promesse lusigando...”



S’amor non è, che dunque è quel ch’io sento?
Ma s’egli è amor, per Dio, che cosa è quale?
Se buona, ond’è l’effetto aspro mortale?
Se ria, ond’è sì dolce ogni tormento?

S’a mia voglia ardo, ond’è’l pianto e’l lamento?
S’a mal mio grado, il lamentar che vale?
O viva morte, o dilettoso male,
Come puoi tanto in me s’io nol consento?

E s’io’l consento, a gran torto mi doglio.
Fra sì contrari venti, in frale barca
Mi trovo in alto mar, senza governo,

Sì lieve di saber, d’error sì carca,
Ch’i’medesmo non so quel ch’io mi voglio,
E tremo a mèzza state, ardendo il verno.


(Francesco Petrarca)





Se amor não é, qual é este sentimento?
Mas, se é amor, por Deus, que cousa é tal?
Se boa, por que tem ação mortal?
Se má, por que é tão doce o seu tormento?

Se eu ardo por querer, por que o lamento?
Se sem querer, o lamentar que val?
Ó viva morte, ó deleitoso mal,
Tanto podes sem meu consentimento!

E, se eu consinto, sem razão pranteio.
A tão contrário vento em frágil barca,
Eu vou por alto mar e sem governo.

É tão grave de error, de ciência é parca,
Que eu mesmo não sei bem o que eu anseio.
E tremo em pleno estio e ardo no inverno.


(Tradução de Jamil Almansur Haddad)



sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Outro filho de Pablo tocou a terra e deixou cair algo nela, sua fala: "miro en la oscuridad hacia tantas ausencias"

Las Manos Negativas

Cuando me vio ninguno
cortando tallos, aventando el trigo?
Quién soy, si no hice nada?
Cualquier hijo de Juan
tocó el terreno
y dejó caer algo
que entró como la llave
entra en la cerradura:
y la tierra se abrió de par en par.

Yo no, no tuve tiempo
ni enseñanza:
guardé las manos limpias
del cadáver urbano,
me despreció la grasa de las ruedas,
el barro inseparable de las costumbres claras
se fue a habitar sin mí las provincias silvestres:
la agricultura nunca se ocupó de mis libros
y sin tener qué hacer, perdido en las bodegas,
reconcentré mis pobres preocupaciones
hasta que no viví sino en las despedidas.

Adiós, dije al aceite, sin conocer la oliva,
y al tonel, un milagro de la naturaleza,
dije también adiós, porque no comprendía
cómo se hicieron tantas cosas sobre la tierra
sin el consentimiento de mis manos inútiles.

(Pablo Neruda, em ‘Las Manos del Día’)




As Mãos Negativas

Quando me viu alguém
cortando talos, peneirando o trigo?
Quem eu sou, se não disse nada?
Qualquer filho de João
tocou o terreno
e deixou cair algo
que entrou como a chave
entra na fechadura:
e a terra se abriu de par em par.

Eu não, não tive tempo
nem ensinamento:
guardei as mãos limpas
de cadáver urbano,
me desprezou a graxa das rodas,
o barro inseparável das vestimentas claras
se foi a habitar sem mim as províncias silvestres:
a agricultura nunca se ocupou de meus livros
e sem ter o que fazer, perdido nas bodegas,
concentrei-me em minhas pobres preocupações
ainda que não tenha vivido senão nas despedidas.

Adeus, disse ao azeite, sem conhecer a oliva,
e ao tonel, um milagre da natureza,
disse também adeus, porque não compreendia
como se fizeram tantas coisas sobre a terra
sem o consentimento de minhas mãos inúteis.


(Tradução de Luiz Filho de Oliveira)




sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Na língua de Emily Dickinson: "I do not go from home!"


A word is dead
When it is said,
Some say.
I say it just
Begins to live
That day.


       (Emily Dickinson)





Uma palavra expira
Quando ela é dita,
Dir-se-ia.
Digo que só
Começa a vida
Nesse dia.


(Tradução de Luiz Filho de Oliveira)