domingo, 31 de dezembro de 2017

Labiríntico...



Haicai no balaio

Essa gata (sem alarde)
está pisando um caminho
contrário ao de Ariadne.


Luiz F. de Oliveira

Principiando...




Oráculo principal

Bem dentro de ti campo
este canto de trigo enigma:
cativa-me-devora!


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(LFO. BardoAmar. Teresina: Edição do Autor, 2003.)

Onde Humano


EM CENA CANTA O POEMA
da minha janela............................................... para ti
mal dita personagem dos ares terrenos
não digo que havia as medidas da fala de Hamlet
mas sei que em outro tanto beleza havia e pensamento
mesmo seguindo por distintas cenas distantes
por tantas que vindo e vendo meu olfato lento
compreendo acima de tudo por que te-anojaste
ao ver o humano abaixo a tua frente
esse bicho na terra tão pequeno
claro... aí de cima há tanto espaço pra julgamentos
quanto o-faço nestas ex-brancas páginas
como não querer sujar o de baixo então
se ele é todo metido à presunção de humano ser
de querer estar o maior de todos os mundos
e nesta terra de línguas babélicas
em que não és mais hieroglífico
uma nossa mãe egípcia bem antiga
onde digo ser um teu simpatizante amigo
e num azul e branco e cinza dessas correntes
em que crucificado marmoreamente estás
a planar sobre todos os planos e
paisagens e cenas e móveis gentes
vejo tal imagem tua de estátua em movimento
sob um sol sempre novo a te-organizar o organismo
nessa tua assepsia incrível
e penso teu dia teu expediente
funcionário dessa funerária sem limites
que compartilha conosco pacientemente
parte da sujeira destes santos campos seculares
onde o corpo sem o odor dos valores
é um sabor baldio em todos os terrenos
(nota depois de reescrito o poema:
O poeta acima não conhecia ainda o dr. Quejando)
(Vendo urubus voando serenos.)


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Foto: Ernâni Getirana

Leminsko eu...



Um poema do meu "Onde Humano", porque hoje é dia de comemorar o aniversário de Paulo Leminski...

Parnaibancos de escola




PATHOS PELO PARNAÍBA

Arriba nada! Nadam abaixo, cardumes
de sardinhas cardapiando; pratadas,
essas bicadas da cor da fome...
São negros os amores que eles
exalam pelos cantos destas águas, 
e barrento, o que sopra a corrente calma...

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Foto-poema: LFO

OUTRO ANO PASSOU POR AQUI UM AFRICANO







Quem conheceu Leão Negro sabe que a estrada era mesmo sua vi(d)a... Ambíguas pistas não nos levam mais a ele. Hoje só sabemos que ele tá noutras paradas - muitos a quem procuro saber sobre ele sabem pouco: Fortaleza? Belém? Brasília? E, como aprendemos que ele era um "paradeiro" de primeira, quem tiver resposta pra estas questões, que responda: Em que ano está Leão? Qual sua atual sala? Tá merendando bem? (um leão herbívoro! Kkkk) Ainda canta no recreio? (Este trabalho não tem prazo de entrega)
Reggaeman, vc, que veio Eliseu de Feira de Santana (fedendo de liso!), que se matriculou em Timon e Teresina, que foi acolhido em minha sala, que sempre me chamando "Teacher", que compôs seu único (?) disco (este, de letras poderosíssimas!) com toda dificuldade (ele mais dois ao todo!), que fizemos um trabalho em grupo ao compormos a música para o soneto Abysag, de Raul Bopp (sei que vc não anotou em seu caderno essa música, mas a-tenho comigo!), vc, brother, é de quem lembro quando ouço "African teacher", de Burning Spear, e de outras tantas músicas de outros professores jamaicanos...
E, hoje, então, que está planejado um dia de "aulas da saudade", lembrei dessa ("a música do 'teacher'!") e de outras suas composições em resposta às lições do Mr. Mundo. Belas notas! Vc passou, Leão, mudou de ano e de sala, mas a gente se vê por aí, num recreio! Valeu, mano!

Parnaibancos de escola



DÊ A LINHA, NÃO ENSINE A POETAR
Pescadores do Parnaíba
canoam o rio arriba e
um poema iscam...



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Foto-poema: LFO

Boussetada


FRANCESCADA UMA! 

- Seo Bousset tá? 
- Seo Bousset tá não. 
- As filhas do seo Bousset tão?
- Seo Bousset tem filha não.
- Ô! Pensei que seo Bousset tinha.

- ...

Foto: Paulo Gutemberg