quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Anjos Erguidos

Foto: Luiz F. de Oliveira

JULGADO PECADO EM JOGO


Dois anjos terreais


auréolas de neon no chão escuro


após o céu por vias escusas


(Luiz Filho de Oliveira)



segunda-feira, 31 de agosto de 2015


Sabor frutodo macio

Espera; a pera
não é áspera,
é serena ela.


(Luiz Filho de Oliveira)


terça-feira, 11 de agosto de 2015

INFERNÉTICA POSTADA



O Grito. Edvard Munch

Assexuada postagem ao arroto do planeta

Aquele vagido tão agudo
não foi por nenhuma vagina,
tampouco por imperfeitas rimas
ou mesmo trocadilhos chulos,

que aquele quem que gritou tal queixume,
um Poeta, lastima das gentes deste terreal mundo
o soberboso ato do ser: o querer todo de tudo,
em outro sensaber (sem poder!) que diz muito!

(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2015.)


sexta-feira, 31 de julho de 2015

AMOR, NÃO ESTRANHA ESSE AMOR ESTRANHO!




Deslize das mãos pro ralo das telas do mundo

Vem cá, guria, vem! Vem cá!
Quem tu pensa que tu é, a dama?
Tá querendo guardar essas cenas pra quê?
Tá pensando que é o quê, uma santa?
Pois veja que este pau não é oco, não.
Ação, não hipocrisia, sua rainha!

Vocês viram a cara dela? De Amor estranho!
Ela fala em processos sem vergonha, hém?!
Estranho-ela: passiva não permissiva.
Entanto uma reputação em close, Sabonetinho,
não há como apagar das telas infernéticas!
Compartilhar é um vírus a cliques...
Para ela, tudo! Toda, ela nua,
fotografias proibidas de revista,
dinheiro suado, sobre a cama; sob
câmera: corpinho despido, minúscula.
Visto pelos Estados Unidos, baixinho,
essa película le-negou este rainha.

Que pobre fodido não faria a cena ilícita?
Os camelôs que vendem CDs piratas sabem disso.
Os hackers que vendem online também sabem disso.
Um quarto. Uma loura levada. Um menino.
Uma cama. Os seios, como graais gentios,
fitam do baixinho os lábios. Sucessonhos:
A loirinha seduzida pelo filme oportuníssimo.
A carreira le-sorri como uma puta d’esquina.
E esse gosto feito gozo cru (não, maduro),
mesmo que de ficção enfeitado,
foi gravado pelo cérebro, baixinho,
dentro da cabeça de um pênis-menino.
Que iniciação a sexo grande, gente!

Foi à missa ou foi mais filmar
o garotinho que foi assanhado?
Já que le-ensinaram isso antes,
lá foi ele (câmera!) à cama-cinema.
Quem é que não saiu bem na fita?
Quem não curte as cenas do filme?
Pra que se-arrenpender dessa arte?
Nada vai apagar os vídeos com
                              part
                                   ...ilhados.


domingo, 31 de maio de 2015

Joões (Manés?) que metralham a grana



Quadrilha, Brasil!

A Corte a fidalgos ofereceu privilégios,
os quais tiveram de submeter os da terra;
os que favoreciam ou prejudicavam comerciantes,
aqueles que venderam sua mãe e até gente,
que, escravizada, lutou contra uns coronéis,
que encabrestaram milhões de votos-vinténs,
os quais elegeram tantos políticos canalhas,
que sobreviveram desde a primeira república,
que gerou uma corruptora oligarquia agrária,
aquela que levou ao poder um grande Getúlio,
que foi eleito por meio de eleitoral corrupção,
que se-difundiu em Brasília desda fundação,
aquela que é a mãe de todos os esquemas,
que desapareceram nos porões da ditadura,
que ensinou essa tática a todos os partidos,
aqueles que têm os principais ministros,
que não podem esconder do presidente,

que, de-migué, não sabe de nada, inocente! 

terça-feira, 21 de abril de 2015

O POEMA SAMBA





Saudade


Saudade! Olhar de minha mãe rezando
e o pranto lento deslizando em fio.
Saudade! Amor da minha terra... O rio
cantigas de águas claras soluçando.

Noites de junho... O caboré com frio,
ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando...
E, ao vento, as folhas lívidas cantando
a saudade imortal de um sol de estio.

Saudade! Asa de dor do pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento...
As mortalhas da névoa sobre a serra.

Saudade! O Parnaíba, Velho Monge,
as barbas brancas alongando e, ao longe,
o mugido dos bois da minha terra.

Da Costa e Silva

quinta-feira, 16 de abril de 2015

POEMAS DE VERDADE




Angu do Brasil

Num restaurante do Rio,
Perdigão não era marca
de produtos tipo frios,
era onde se-produzia
o “cheiro do queijo”,
o produto quente
da ditadura do Brasil.

Restaurante onde
se-preparavam os pratos
pra serem servidos frios,
em vendeta de milicos.

Com o apoio da TV Bobo,
atores, diretores e o dono
armaram seu teatrozinho
pra impressionar o público.
Ah, canalhas! E acreditou-se
que os atentados vinham
da esquerda, quando a direita
o rosto do povo socava!

Essa Guerra Suja não vai
ficar sem memória, não!
Não mais elétricos choques,
só choque de consciência...


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Casa da Morte

No Rio, em Petrópolis,
na Rua Arthur Barbosa,
num morro de Caxambu,
houve uma Casa da Morte.

Era uma casa bem disfarçada,
não tinha poema, só tinha bala;
ninguém saía vivo dela não,
porque, na Casa do alemão,
os brasileiros, além de presos,
eram torturados pelo desprezo
de “doutores” em operação militar
que estavam ali para os-matar
ou transformá-los em infiltrados
depois de muito bem trabalhados:
doutores Bruno, Nagib, Ubirajara,
Teixeira, César, Pepe e Diablo
ditavam a conveniência da Casa
contra as pessoas trucidadas.

Mas, não tarde, Inês não foi morta
e dos segredos da Casa abriu a porta!


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2015.)