quinta-feira, 20 de março de 2014

'Cause the music is playing...

Imagem: arquivo Google.



BLUES KAYADO

O blues pode ser etílico
e ele o-é quase todo o tempo,
mas lá, nas orijas, antes,
ele é de fumo africano,
a kaya daquele jamaicano.

If I had possession over blues, baby,
eu comporia em inglês (manca?)
e daria as notas do meu bolso
pelas daqui, da minha garganta,
que palavras está mascarando

com a caneta, com o teclado (demãos!),
dos que, bebendo e fumando os bares da vida,
disfarçam o verbo  pra dar um branco,
até as paredes tortas deste poema à Rede
ficarem caiadas de sentidos, se post, baby.


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2014.)




sexta-feira, 7 de março de 2014

NA PASTAGEM, A POSTAGEM


#partiu: the last hashtag

bem naquelas linhas
cruzamentos vitais... férreos:
mal deu de gritar...

o crânio partido a moto
a batida sem capacete:
curte o poste o post?


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2014.)


sábado, 8 de fevereiro de 2014

O BOOM DESSE NEGÓCIO

Imagem: arquivo Google.

Ruído: moeda ao chão das cédulas

O trabalhador deposita confiante
suas economias no caixa eletrônico.
É sábado à tarde, ele a segunda adianta
pra economizar a tempo uma grana
pra comprar um carro prele ir pro trampo.

O assaltante deposita confiante
suas dinamites no caixa eletrônico.
É domingo à noite, ele se-garante,
pois, de primeira, há tempos, arrebenta a
menos-valia em descomunicação econômica.

O banco paga esse cliente com desconfiança,
sua exigência é legal: exibir comprovante de
depósito pra que seja ressarcida essa conta.
É segunda de manhã, e essa perda de tempo,
de qualidade de vida quem capitaliza, quem?


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2014.)


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

UNS AIS DO SOCIAL




I
um Piaga do mar doce arma seta dispara por um Poeta

esta tribo(dos sete terreiros do rio)
(num espaço do presente) é estado de riso
para alguns indivíduos da nação (ô povo pobre!)

entanto ela ainda continua rindo (risos)
anda primo humano brasílico (milenar nativo)
como gravado nas pedras (de linhagem... esses livros)

e por tal vida (vinda grande nação Tabajara!)
deixa-se vestígios nas telas desta terra (vivo grafito)
para firmar o seu local universal (esse mundo de sítios)



(Bem daqui, de Piaguí... e daí?)



II
onde é duro ver ou vir a 

o terreiro do casebre
dá a luz do dia
a crianças nuas
brincando de ambulantes
vendedores de fruta ou verdura
não de bugigangas de Taiwan ou China:
olha o tomate! olha a cebola! olha a uva!

à noite suja em redes limpas do digno
dormem o sono das injustiças tranquilas
depois crescidas na lida de cada dia
a manhã les-desenha como hino
outro novo pregão antigo
de infante miséria na vila



(Numa Terra carente de Justiça.)



III
pelos tetos ou sem-teto que não têm milho nem feijão sem arroz: essas cruas vias

ao nativo que
teve seu milho
passado adiante
bem comerciante
em lata conservado
soro caseiro investimento
em supermarcantes mercados
– a esse nosso primo pai nativo – 
este grito líquido sem o lucro devido:

se rumina pois o poeta o tachar bom
o milho & lambe depois os beiços rindo
comido todo o amido como cliente do produto
ele sente porém um desgosto dos milhões (males!)
a morrer de fome em face de humanidade sem migalhas
em frente do milharal de rango (aos milhares!)
a haver no mundo-comida dos melhores

e este poema (comido!) não
enche a barriga de seo ninga!



(Onde as mãos não aram; palavram.)



IV
nascente em curso de morte desmatada*

aguazul
            plic!
               ploc!
                bate
                     ndo
                     es
                    cor
                       regando
                      planta e
                    dança  e
                   pedra
                os peixes
                sr. caramujo e
                outras espécies e vem
                  um barco-folha ambiente
                   em meio ao transparente
                    líquido num veio dessa
                   mata virgem –  e vivem...
             ... todavia o enlatado
                   cano esgoto surje e
                 engarrafada a morte
desmata e                                 vaza
              às taças das calhas
           em que o peixe-barco
         – nau trágica –
     navega outro inferno: e a água
foi suja de humanos seres urbanos


(Em Teresina, fluindo até São Paulo; antes, passando por Minas.)

_________________________________
* A Ana Rosa, uma mestra minha, com quem estudei em espaço de Dias.



V
salve concreto essa selva humana


são Paulos
      Joões
ou  Zés
             e                     vão
                          e        quase não
vêm...
veem?
navegam noutros navios negreiros... não?
se ainda a caminho do que
não estaca a obra concreta armada
de novo esses homens-chico (não chiques)
sob o sol nada novo da ficção dos edifícios
ajudam com outro engenho a construir
esta ação capital expressa em luxo de signos
para o avesso do lucro de extensas listas
rol da primeira avenida
a dirigir a vida indigente
a digeri-la a preço de custo
sem tempo pro sono dos injustiços



(Duma concreta São Paulo até verde Teresina.)



VI
onde humano contribui para uma escrita poesia terrena

no bairro Primavera... algum cidadão ágrafo
já em Bagdá... atiradores por elite contra os livros
contudo na Georgia ianque...  muitas mortes negras ontem

na Inglaterra sherlockiana... vítimas estrangeiras por engano
pois nas Áfricas famintas... crianças raptadas para pegar das armas
mastambém no Ocidente doente... desenganados contra o sistema

no fim do mundo... o nosso humano estar
posto na Lua... o olho rico da tecnologia
enquanto na Terra... tantos ainda de fome




(Neste planeta, a olhar pras nossas terras.)




(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Onde Humano. Teresina: Nova Aliança, 2009.)




segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

TRIDENTAL: O VÍRUS É UMA MORDIDA CRIADA POR UMA MENTE INFERNAL

Imagem: arquivo Google

CUCA ILEGAL

Cuidado com o vírus
no vídeo, que o vírus te-pega;
se não pega daqui,

ele te-pega spam.
Cuidado com o vírus,
que o vírus é da WEB,

e ninguém há de o-bloquear!
Cuidado com o vírus,
que ele é ideia realizada má!


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2013.)


sábado, 14 de dezembro de 2013

ESSAS MULHERES FORAM MORTAS PELO PRAZER DOUTROS SOLDADOS AMARELOS



Um Poeta recanta mulheres: as de Nanquim

O máximo que conheço da China
são  as sessões de Bruce Lee no cinema,
as bugigangas de plástico nas lojas de 1,99
e esse pasteleiro no Piauí, na esquina;
e o que eu saco dessa cidade, Nanjing,
é essa tinta com que tinto estes instintos
ou estes grafitos em branquepreto que rabisco
feito poema que poesia de mulheres os gritos.

Não havia escrito em mim risco algum da história dos chinas,
e um espelho veio tela de cinema desenhando este oráculo:
Mire-se também o exemplo daquelas mulheres de Nanquim!
Reuniram-se na Zona, refugiadas, pros filhos,
e lutaram com os homens, como os homens não lutaram:
e tiveram arrancadas as roupas por violentas fardas,
carícias plenas de veneno em que não houve ajoelhamento,
senão sofrimento de quem não se-despiu por orgulho,
deitou-se à cama pra sentença de quem não tem escolha,
e o cineasta cinemou cenas de City of Life and Death.

Vi as mulheres cortarem os cabelos e vestirem-se homens,
e os soldados japoneses já poderem foder as chinesas,
as que tiveram (close) as mão levantadas, uma a uma,
pro sacrifício das cem, que não sentiram conforto
em se-dar a sedentos animais com fome de sexo!
Salve a prostituta Xiaojiang que não se-salvou,
não cortou o cabelo, não levantou a roupa, nem gemeu
de prazer com o sexo contra um homem ereto
a querer o conforto das mulheres do conforto.

Mire-se também dessa mulher de Nanquim o exemplo:
dessa Xiaojiang, que liderou o corredor do conforto ao sexo,
e essas mulheres foram mortas pelo prazer doutros soldados amarelos.



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2013.)


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ISTO NÃO É LUTO; SÓ POESIO NEGRO


Imagem: www.guardinalv.com


Sem essa de correta política nestas leituras em negrito

Foi um negro de sorte,
ganhou uma nota pretacarvão!
Agora, verde a sexta-feira treze!
Então, deixou outro bilhete no quadro negro
da escola em que trabalhava, professoral:
“Estou podre de rico, mudei de sala.
Adeus, amigos, vou trabalhar noutra praia”.
E naquela noite negra, estreluarada, viva,
saiu levando brilhos somente dentro de si
legando ao Poeta seu primeiro Poema Negro.



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2012.)

sábado, 26 de outubro de 2013

SE “VALEU BOI” NÃO VALE; ENTÃO, “SEGURA, PEÃO”, TAMBÉM NÃO!

Vaquejada, por Lucas Galo Doido

Esse Brasil é mesmo um país metido a sério! Pois não é que, agora, vem um procuradorzim da república querer tachar a vaquejada de “prática inconstitucional”. Seo Rodrigo Janot, o tal procurador, é contra uma lei lá do Ceará (Lei nº 15.299, de 8/1/2013) que institui a vaquejada como “prática desportiva e cultural”. E o pior disso tudo é que quem começou esse processo todo foi um cabra lá do Ceará. Logo do Ceará, que lá num tem disso, não! Armaria, nã!!! Isso é uma gaiatice mesmo. De bodim, não do Bode Gaiato! Era só o que faltava!

O procurador que deu início a isso é um tal de Alessander Wilckson Cabral Sales, que diz que “a atividade causa maus-tratos a esses animais, submetendo-os a crueldade, em proveito do enriquecimento dos promotores dos eventos, dos vaqueiros e de todos que, direta ou indiretamente, usufruem do dinheiro gerado por essas competições”. E mais: o tal Rodrigo Janot sustenta em seu parecer que a vaquejada viola o artigo 225 da Constituição e “fere a proteção constitucional ao ambiente por ensejar danos consideráveis aos animais e tratamento cruel e desumano”.

Tratamento desumano!? Oxente! Claro, boi não é gente! Foi mal! Não resiste à piada. Mas gaiatices à parte, estou com o governador Cid Gomes quando afirma que “não se pode desconsiderar o fato de que a prática da vaquejada, além de reconhecida pela Lei Federal nº 10.220/2001, é um elemento difícil de extirpar da nossa cultura”. Sem falar que, na lei lá do Ceará, que pode servir de modelo a outros estados nordestinos, há um artigo que impõe o seguinte:

“Art. 4 – Fica obrigado aos organizadores da vaquejada adotar medidas de proteção à saúde e à integridade física do público, dos vaqueiros e dos animais.
§ 1º O transporte, o trato, o manejo e a montaria do animal utilizado na vaquejada devem ser feitos de forma adequada para não prejudicar a saúde do mesmo”.

Só que, segundo Janot, essa “alegação do governador, de que a lei seria válida por buscar evitar os maus tratos ocorrentes em apenas algumas vaquejadas, não é apta a emprestar constitucionalidade à norma”. “A violência contra os bovinos e equinos envolvidos nas disputas de vaquejadas é inerente à prática. O fato de a lei reduzir tal violência não torna a conduta aceitável”. E pra que violência maior do que matar os bois pra servir de comida pra todos nós? Ou será que o procurador é vegetariano? Isso é prática cultural! Então, o que está disposto no artigo 215 da Constituição não vale? É conversa pra boi dormir isso de que “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais” (art. 215, § 1º)?  

Poissim, seo dotô lá de Brasília, se agora o siô vem com essa história de dizer que a vaquejada é “prática inconstitucional, ainda que realizada em contexto cultural”; então é caso de o povo lhe perguntar: Oxente, e as corridas de cavalo, e os rodeios de Barretos e cia. também não levam os animais a esforços desumanos, ou melhor (pior!), animalescos? Claro, cavalo, que é desumano! Tamos falando de animal, bicho! E mais: num tem vez que os bichos são até sacrificados, pois podem quebrar uma perna? Apois, para a vaquejada, esses bois são criados pra isso! Que história é essa de maus-tratos. Puxar o rabo desses animais nunca foi crueldade, isso faz parte da vida de gado. Não é assim que acontece com os animais que são criados pelos donos para servir de carne pra todos nós, que tem o couro espichado? É muita cara de pau, é conversa pra boi dormir essa de peninha dos bois. Vaquejada é tradição cultural que virou espetáculo e competição. E mais: é fonte de renda pra toda uma “nação nordestina”.

A PGR argumenta que Constituição determina caber ao Poder Público a proteção da fauna e da flora, sendo vedadas práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade. A “farra do boi”, em Santa Catarina, sim, caracteriza maus-tratos, já que o boi é fustigado pelos participante até a exaustão. Briga de galo também, vá lá. Mas, se for pra proibir dessa forma radical, então, tudo bem. Além da matança de bois (e o abate de todos os outros animais?), vamos acabar também com os rodeios, pois não é diferente o que eles fazem com os bois e os cavalos. É, chega também de “segura, peão”! Porque se for pra acabar com a vaquejada somente, eu vou ficar pensando que isso é coisa contra a cultura nordestina, que isso é preconceito de sujeitinhos que ficam trancados em gabinetes pensando ser “salvadores da pátria”. Ora, pois, pois!

Não sou “fã de carteirinha” de vaquejada, mas não dá pra aceitar esse tipo de argumento sem questionar, principalmente, a prática dos rodeios, que – convenhamos – é praticamente a mesma prática. Todos sabemos que nesses eventos há algum tipo de crueldade com os animais e que, mesmo com fiscalização, elas continuarão a existir. Mas não concordo com esse posicionamento radical de acabar com algo já enraizado na nossa cultura, como é vaquejada e até o rodeio, que é coisa de ianque. Deixa lá o povo gritar “valeu boi” e “segura, peão”! Vá correr atrás de outros temas, procurador. Procure outra coisa pra fazer que seja, de fato, relevante, em sua função, pois o que “consolida a histórica violação à fauna e à dignidade humana” são as derrubadas da mata na Amazônia, as grilagens da terra de nossos nativos, a morte dos líderes sindicais dessas regiões, a corrupção nos tribunais...

Deixem nossos bois de mão, apois:

O meu boi tá vivo!
Que serão pra mim!
Manda buscar todos
cá, pro Piauí!