quinta-feira, 20 de março de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
sábado, 8 de fevereiro de 2014
O BOOM DESSE NEGÓCIO
![]() |
| Imagem: arquivo Google. |
Ruído: moeda ao chão das cédulas
O
trabalhador deposita confiante
suas
economias no caixa eletrônico.
É
sábado à tarde, ele a segunda adianta
pra
economizar a tempo uma grana
pra
comprar um carro prele ir pro trampo.
O
assaltante deposita confiante
suas
dinamites no caixa eletrônico.
É
domingo à noite, ele se-garante,
pois,
de primeira, há tempos, arrebenta a
menos-valia
em descomunicação econômica.
O
banco paga esse cliente com desconfiança,
sua
exigência é legal: exibir comprovante de
depósito
pra que seja ressarcida essa conta.
É
segunda de manhã, e essa perda de tempo,
de
qualidade de vida quem capitaliza, quem?
(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2014.)
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
UNS AIS DO SOCIAL
I
um Piaga do mar doce arma seta
dispara por um Poeta
esta tribo(dos sete terreiros do rio)
(num espaço do presente) é estado de riso
para alguns indivíduos da nação (ô povo pobre!)
entanto ela ainda continua rindo (risos)
anda primo humano brasílico (milenar nativo)
como gravado nas pedras (de linhagem... esses livros)
e por tal vida (vinda grande nação Tabajara!)
deixa-se vestígios nas telas desta terra (vivo grafito)
para firmar o seu local universal (esse mundo de sítios)
(Bem daqui, de
Piaguí... e daí?)
II
onde é duro ver ou vir a
o terreiro do casebre
dá a luz do dia
a crianças nuas
brincando de ambulantes
vendedores de fruta ou verdura
não de bugigangas de Taiwan ou China:
olha o tomate! olha a cebola! olha a uva!
à noite suja em redes limpas do digno
dormem o sono das injustiças tranquilas
depois crescidas na lida de cada dia
a manhã les-desenha como hino
outro novo pregão antigo
de infante miséria na vila
(Numa Terra carente
de Justiça.)
III
pelos tetos ou
sem-teto que não têm milho nem feijão sem arroz: essas cruas vias
ao nativo que
teve seu milho
passado adiante
bem comerciante
em lata conservado
soro caseiro investimento
em supermarcantes mercados
– a esse nosso primo pai nativo –
este grito líquido sem o lucro devido:
se rumina pois o poeta o tachar bom
o milho & lambe depois os beiços rindo
comido todo o amido como cliente do produto
ele sente porém um desgosto dos milhões (males!)
a morrer de fome em face de humanidade sem migalhas
em frente do milharal de rango (aos milhares!)
a haver no mundo-comida dos melhores
e este poema (comido!) não
enche a barriga de seo ninga!
(Onde as mãos não
aram; palavram.)
IV
nascente em curso de morte
desmatada*
aguazul
plic!
ploc!
bate
ndo
es
cor
regando
planta e
dança e
pedra
os peixes
sr.
caramujo e
outras
espécies e vem
um
barco-folha ambiente
em meio
ao transparente
líquido num veio dessa
mata
virgem – e vivem...
...
todavia o enlatado
cano
esgoto surje e
engarrafada a morte
desmata e vaza
às taças das
calhas
em que o
peixe-barco
– nau trágica –
navega outro inferno:
e a água
foi suja de humanos seres urbanos
(Em Teresina, fluindo até São Paulo; antes, passando por Minas.)
_________________________________
* A Ana Rosa, uma mestra minha, com quem estudei em espaço de Dias.
V
salve concreto essa selva
humana
são Paulos
Joões
ou Zés
e vão
e quase não
vêm...
veem?
navegam noutros navios negreiros... não?
se ainda a caminho do que
não estaca a obra concreta armada
de novo esses homens-chico (não chiques)
sob o sol nada novo da ficção dos edifícios
ajudam com outro engenho a construir
esta ação capital expressa em luxo de signos
para o avesso do lucro de extensas listas
rol da primeira avenida
a dirigir a vida indigente
a digeri-la a preço de custo
sem tempo pro sono dos injustiços
(Duma concreta São
Paulo até verde Teresina.)
V I
onde humano contribui para uma escrita poesia terrena
no bairro Primavera... algum cidadão ágrafo
já em Bagdá... atiradores por elite contra os livros
contudo na Georgia ianque...
muitas mortes negras ontem
na Inglaterra sherlockiana... vítimas estrangeiras por engano
pois nas Áfricas famintas... crianças raptadas para pegar das
armas
mastambém no Ocidente doente... desenganados contra o sistema
no fim do mundo... o nosso humano estar
posto na Lua... o olho rico da tecnologia
enquanto na Terra... tantos ainda de fome
(Neste planeta, a
olhar pras nossas terras.)
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
TRIDENTAL: O VÍRUS É UMA MORDIDA CRIADA POR UMA MENTE INFERNAL
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| Imagem: arquivo Google |
CUCA ILEGAL
Cuidado com o vírus
no vídeo, que o vírus te-pega;
se não pega daqui,
ele te-pega spam.
Cuidado com o vírus,
que o vírus é da WEB,
e ninguém há de o-bloquear!
Cuidado com o vírus,
que ele é ideia realizada má!
(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2013.)
sábado, 14 de dezembro de 2013
ESSAS MULHERES FORAM MORTAS PELO PRAZER DOUTROS SOLDADOS AMARELOS
Um Poeta recanta mulheres: as de
Nanquim
O
máximo que conheço da China
são as sessões de Bruce Lee no cinema,
as
bugigangas de plástico nas lojas de 1,99
e
esse pasteleiro no Piauí, na esquina;
e
o que eu saco dessa cidade, Nanjing,
é
essa tinta com que tinto estes instintos
ou
estes grafitos em branquepreto que rabisco
feito
poema que poesia de mulheres os gritos.
Não
havia escrito em mim risco algum da história dos chinas,
e
um espelho veio tela de cinema desenhando este oráculo:
Mire-se
também o exemplo daquelas mulheres de Nanquim!
Reuniram-se
na Zona, refugiadas, pros filhos,
e
lutaram com os homens, como os homens não lutaram:
e
tiveram arrancadas as roupas por violentas fardas,
carícias
plenas de veneno em que não houve ajoelhamento,
senão
sofrimento de quem não se-despiu por orgulho,
deitou-se
à cama pra sentença de quem não tem escolha,
e
o cineasta cinemou cenas de City of Life
and Death.
Vi
as mulheres cortarem os cabelos e vestirem-se homens,
e
os soldados japoneses já poderem foder as chinesas,
as
que tiveram (close) as mão
levantadas, uma a uma,
pro
sacrifício das cem, que não sentiram conforto
em
se-dar a sedentos animais com fome de sexo!
Salve
a prostituta Xiaojiang que não se-salvou,
não
cortou o cabelo, não levantou a roupa, nem gemeu
de
prazer com o sexo contra um homem ereto
a
querer o conforto das mulheres do conforto.
Mire-se
também dessa mulher de Nanquim o exemplo:
dessa
Xiaojiang, que liderou o corredor do conforto ao sexo,
e
essas mulheres foram mortas pelo prazer doutros soldados amarelos.
(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2013.)
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
ISTO NÃO É LUTO; SÓ POESIO NEGRO
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| Imagem: www.guardinalv.com |
Sem essa de correta política nestas leituras em negrito
Foi um negro de sorte,
ganhou uma nota preta: carvão!
Agora, verde a sexta-feira treze!
Então, deixou outro bilhete no quadro negro
da escola em que trabalhava, professoral:
“Estou podre de rico, mudei de sala.
Adeus, amigos, vou trabalhar noutra praia”.
E naquela noite negra, estreluarada, viva,
saiu levando brilhos somente dentro de si
legando ao Poeta seu primeiro Poema Negro.
(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2012.)
sábado, 26 de outubro de 2013
SE “VALEU BOI” NÃO VALE; ENTÃO, “SEGURA, PEÃO”, TAMBÉM NÃO!
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| Vaquejada, por Lucas Galo Doido |
Esse Brasil é mesmo um país metido a sério! Pois não é que,
agora, vem um procuradorzim da república querer tachar a vaquejada de “prática
inconstitucional”. Seo Rodrigo Janot, o tal procurador, é contra uma lei lá do
Ceará (Lei nº
15.299, de 8/1/2013) que institui a vaquejada como “prática desportiva e
cultural”. E o pior disso tudo é que quem começou esse processo todo foi um cabra
lá do Ceará. Logo do Ceará, que lá num tem disso, não! Armaria, nã!!! Isso é
uma gaiatice mesmo. De bodim, não do Bode Gaiato! Era só o que faltava!
O procurador que deu início a isso é um tal de Alessander
Wilckson Cabral Sales, que diz que “a atividade causa maus-tratos a esses
animais, submetendo-os a crueldade, em proveito do enriquecimento dos
promotores dos eventos, dos vaqueiros e de todos que, direta ou indiretamente,
usufruem do dinheiro gerado por essas competições”. E mais: o tal Rodrigo Janot
sustenta em seu parecer que a vaquejada viola o artigo 225 da Constituição e
“fere a proteção constitucional ao ambiente por ensejar danos consideráveis aos
animais e tratamento cruel e desumano”.
Tratamento desumano!? Oxente! Claro, boi não é gente! Foi mal!
Não resiste à piada. Mas gaiatices à parte, estou com o governador Cid Gomes
quando afirma que “não se pode desconsiderar o fato de que a prática da
vaquejada, além de reconhecida pela Lei Federal nº 10.220/2001, é um elemento
difícil de extirpar da nossa cultura”. Sem falar que, na lei lá do Ceará, que pode
servir de modelo a outros estados nordestinos, há um artigo que impõe o
seguinte:
“Art. 4 – Fica obrigado aos organizadores
da vaquejada adotar medidas de proteção à saúde e à integridade física do
público, dos vaqueiros e dos animais.
§ 1º O
transporte, o trato, o manejo e a montaria do animal utilizado na vaquejada
devem ser feitos de forma adequada para não prejudicar a saúde do mesmo”.
Só que, segundo Janot, essa “alegação do governador, de que a
lei seria válida por buscar evitar os maus tratos ocorrentes em apenas algumas
vaquejadas, não é apta a emprestar constitucionalidade à norma”. “A violência
contra os bovinos e equinos envolvidos nas disputas de vaquejadas é inerente à
prática. O fato de a lei reduzir tal violência não torna a conduta aceitável”.
E pra que violência maior do que matar os bois pra servir de comida pra todos
nós? Ou será que o procurador é vegetariano? Isso é prática cultural! Então, o
que está disposto no artigo 215 da Constituição não vale? É conversa pra boi
dormir isso de que “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos
culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a
valorização e a difusão das manifestações culturais” (art. 215, § 1º)?
Poissim, seo dotô lá de Brasília, se agora o siô vem com essa
história de dizer que a vaquejada é “prática inconstitucional, ainda que
realizada em contexto cultural”; então é caso de o povo lhe perguntar: Oxente,
e as corridas de cavalo, e os rodeios de Barretos e cia. também não levam os
animais a esforços desumanos, ou melhor (pior!), animalescos? Claro, cavalo,
que é desumano! Tamos falando de animal, bicho! E mais: num tem vez que os
bichos são até sacrificados, pois podem quebrar uma perna? Apois, para a
vaquejada, esses bois são criados pra isso! Que história é essa de maus-tratos.
Puxar o rabo desses animais nunca foi crueldade, isso faz parte da vida de
gado. Não é assim que acontece com os animais que são criados pelos donos para
servir de carne pra todos nós, que tem o couro espichado? É muita cara de pau,
é conversa pra boi dormir essa de peninha dos bois. Vaquejada é tradição
cultural que virou espetáculo e competição. E mais: é fonte de renda pra toda
uma “nação nordestina”.
A PGR argumenta que Constituição determina caber ao Poder
Público a proteção da fauna e da flora, sendo vedadas práticas que coloquem em
risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os
animais à crueldade. A “farra do boi”, em Santa Catarina, sim, caracteriza
maus-tratos, já que o boi é fustigado pelos participante até a exaustão. Briga
de galo também, vá lá. Mas, se for pra proibir dessa forma radical, então, tudo
bem. Além da matança de bois (e o abate de todos os outros animais?), vamos
acabar também com os rodeios, pois não é diferente o que eles fazem com os bois
e os cavalos. É, chega também de “segura, peão”! Porque se for pra acabar com a
vaquejada somente, eu vou ficar pensando que isso é coisa contra a cultura
nordestina, que isso é preconceito de sujeitinhos que ficam trancados em gabinetes
pensando ser “salvadores da pátria”. Ora, pois, pois!
Não sou “fã de carteirinha” de vaquejada, mas não dá pra aceitar
esse tipo de argumento sem questionar, principalmente, a prática dos rodeios,
que – convenhamos – é praticamente a mesma prática. Todos sabemos que nesses
eventos há algum tipo de crueldade com os animais e que, mesmo com
fiscalização, elas continuarão a existir. Mas não concordo com esse
posicionamento radical de acabar com algo já enraizado na nossa cultura, como é
vaquejada e até o rodeio, que é coisa de ianque. Deixa lá o povo gritar “valeu
boi” e “segura, peão”! Vá correr atrás de outros temas, procurador. Procure
outra coisa pra fazer que seja, de fato, relevante, em sua função, pois o que
“consolida a histórica violação à fauna e à dignidade humana” são as derrubadas
da mata na Amazônia, as grilagens da terra de nossos nativos, a morte dos
líderes sindicais dessas regiões, a corrupção nos tribunais...
Deixem nossos bois de mão, apois:
O meu boi tá vivo!
Que serão pra mim!
Manda buscar todos
cá, pro Piauí!
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