domingo, 13 de maio de 2012

O "i" MORTAL DE MiNHA LiRA MALDiZENTE


Imagem: arquivo Google

Um Terneto perneta à Academia Não-Sei-Dondense de Letras

Jovelhos esquemerméticos
Vestidos aliterantes ternos
(Cogito: illa veritas est)

Discursos retos
Laudabilíssimas lábias
Conchavos de salamaleques

Lançamento da obra
Subvencionice de Estados
Troca de favores & de cheques



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2012.)



terça-feira, 8 de maio de 2012

Todo escritor deve possuir palavras pra dizer o que prazer



Imagem: arquivo Google


O GIGOLÔ DAS PALAVRAS

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa.  Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.

Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular.  Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.

Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.


(LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO. Mais comédias para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.)



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todo gigolô pode expor tudo sentido: a menos que não possa fazê-lo

esse poeta sempre tem palavras
para dizer o que pensa e
pesa

ele encontra-elas dentro deste
cômodo: cômoda
língua

porisso dão-se elas a seduzir
aquilo que se-diz
indizível

se ele não nas-grita: existem
outros motivos para
isso

assim repete-as-alegoriza
prostitutas do
humano

quem manda?! quem apanha?!
o Filho – Veríssimo – já o-
disse


(Onde o Campo é Porto Maior e Alegre.)



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Onde humano. Teresina: Nova Aliança, 2009.)




quarta-feira, 18 de abril de 2012

Em memória de FERNANDO COSTA: dois elegiam; outro, biográfico!


Autorretrato. Fernando Costa



FERNANDO: A GOLPES DE ESTILETE


Fernando era como um alquimista. Era um mago medieval, mas demasiadamente moderno – eterno. Um mágico sem truques, mas com muita magia em sua arte. Era um bruxo, um demiurgo e/ou taumaturgo. Um demiurgo, como dele disse Clóvis Moura. Demiurgo e demônio, tanto faz. Demônio e santo, tudo junto e algo mais.

Aquele algo mais que o fazia erguer do caos primordial do nada/ser suas belas gravuras a golpes de estilete. Traçava em longos e lestos e lentos gestos de prestidigitador o desenho na borracha. Depois, com o estilete, diligentemente, a desbastava, até arrancar a forma perfeita de sua linogravura.

Mas o seu arrancar era feito suavemente, quase como se não tocasse a matéria, tal era sua agilidade. Acaso não tivesse esse dom encantatório daqueles que sabem seu ofício como um deus, usaria fórceps para extrair sua arte dos umbrais do caos das formas informes.

Fernando Costa era uma pessoa delicada. Talvez por isso não teve a dureza necessária para enfrentar as vicissitudes do simples existir, do simples estar no mundo. E as crises existenciais se abateram como golpes de estiletes sobre sua alma sensível e gentil. E as angústias repercutiram em sua arte, principalmente em sua pintura, que por vezes tomava formas aparentemente desordenadas e sombrias. Ao criar como ninguém, ousou desafiar os deuses, e os deuses enciumados fizeram com que o Grifo da destruição se rebelasse contra o artista, na metafórica e literalmente lapidar expressão de Ivan Junqueira: “Se o homem cria, ele o espedaça e pisa, triunfante, entre os escombros da agonia.”
Certa vez, Fernando, diante de um quadro do pintor e pirógrafo Sica, como se estivesse em transe, ou como se visse além das aparências óbvias, redundantes e vulgares, exclamou com viva admiração e júbilo pelo trabalho alheio, apanágio dos bons e dos não invejosos:
Mas que azul fundamental!...


E um dia, em pleno carnaval, sem nenhuma explicação aparente, como as grandes obras de arte, Fernando esvaiu-se em sangue, em vermelho, num ritual de morte digno de Mishima, ou das mutilações de Van Gogh, através de golpes de estilete contra si mesmo desfechados, arrancando à força, em seus últimos gestos, mais uma vez ousando contra a fúria dos deuses, o seu mais profundo vermelho.
O seu vermelho fundamental.


(Elmar Carvalho. Fernando: a golpes de estilete. IN:  www.180graus.com/blog-literario/24 e http://poetaelmar.blogspot.com)


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sobre o realismo plástico artista: um homem em sua obra*

de tinta de sangue
fez-se teu nome - Fernando –
personalíssimo & transferível ao poema

pelo bendito ódio à vida
que se-gerou imagem sangüenta
de tanta pintura e quanta violência!

ah.. quadro profundo!
teus punhos teu ventre teu grito teu estilo
compunham tua mais crua obra prima & derradeira

(No Primavera; próxima, a praça que tem, sim, seu nome próprio.)

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*Em memória de Fernando, um artista plástico do meu bairro, nessa rota pela Costa de duas artes piauienses**.

(Luiz Filho de Oliveira. Onde Humano. Teresina: Nova Aliança, 2009.)


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FERNANDO ANTONIO DA SILVA COSTA (1961 – 1987)


Esse teresinense foi desenhista, pintor, gravador e ilustrador, fez estudos de bico de pena com Marcos Cremonese e de gravura com Antonio Thyrso, em 1979.

Participou de exposições individuais e coletivas em vários centros culturais brasileiros: coletiva inaugural da Galeria Des. Cromwel de Carvalho (Teresina/79); salão de Artes Plásticas (Teresina/77 e 78); coletiva na Galeria Encetur - Garden, Ceará/76; individual na Galeria Des. Cromwel de Carvalho Teresina/76; I Salão da UFPI Teresina/77 (1º prêmio em desenho); coletiva de artistas piauienses no Rio Grande do Sul/78; coletiva de artistas piauienses e pernambucanos no Teatro 4 de Setembro Teresina/78; Projeto Arco Íris, reunião de artistas piauienses e maranhenses Rio de Janeiro/78; coletiva de artistas piauienses em Brasília/78; I Encontro com a Cultura brasileira 1978; coletiva no Centro de Convenções do Piauí, Teresina/79; individual na Galeria de UM'DART, Teresina/79; Salão Nacional MAM, Rio de Janeiro/80; POSTER BRIGAD , Califórnia/80; II Mostra de Desenho Brasileiro, Curitiba/81; VII Salão de Artes Plásticas do Piauí (1º prêmio em desenho), Teresina/81; 38º Salão Paranaense (prêmio em desenho), Curitiba/81; I Salão Nacional de Humor do Piauí, Teresina/82; Salão Nacional de Artes Plásticas do Ceará (convidado especial), Ceará/82; coletiva do Caesar Park Hotel, Rio de Janeiro/83; Salão de Artes de Santo André, São Paulo/84; Artistas Brasileiros Pelas Diretas -Folha de São Paulo- SP/84; "CUIABÁ UMA CIDADE COMO VOCÊ IMAGINA", Cuiabá/84; Prêmio Shandon Arte e Vinho (prêmio aquisição); INTINERÁRIO Rio/São Paulo/Brasília/85; Salão de Artes de São Paulo 1986.

“Fernando Costa, artista piauiense de grande expressão e importância por deflagrar um processo de renovação nas artes plásticas piauienses. Há toda uma geração de artistas que ainda hoje sofre influência de Fernando Costa”, afirmou Cineas Santos por ocasião da “primeira grande exposição” do artista, feita em agosto de 2009, em Teresina, na Casa da Cultura.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

POEMA TIRADO DAS BOCADAS TELEVISIVAS


Imagem: arquivo Google

Ex-Klu-Klux-Klu-Ídos
(Cantiga maldizente tirada da TV como notícia)

Isto quase ninguém viu, ouviu;
dito, entre vistas ou vidas, por Chico
(depois de tantos séculos da ruda Diáspora):
No Rio, Carlinhos e sua Filha com o Filho
foram considerados, sem ambiguidades,
pelos podres de rico dum condomínio chic
(com tanta grana quanto!), persona non grata!

E eles só vinham da Bahia, tipo férias,
e o Rio dessa gente burra e perversa
desaguou rios de preconceito-fera,
cópia mascarada dum país mais velho
nesse mau exemplo de quem pensa
ser tope de linha, mora?
Repito (perito!):

Foi no domínio de feras;
condomínio, férias, vindos da Bahia,
os três, sem Rio de Janeiro.

Foi no Rio de Janeiro,
vindos (férias!) os três da Bahia;
condomínio de feras – sem domínio?


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2012.)


terça-feira, 20 de março de 2012

TRÊS GRITOS INSCRITOS À PELEJA COM A ESCRITA



I- na praia um piaga fala pedradas na cara do padre

- o nosso povo não grava
sua palavra versada
que desenhou nessa areia
mas isso não é tristeza
para quem tem as mãos cheias
da sabedoria crua
contra a ignorância polida
do senhor que nos-acua




Anchieta, de Benedito Calixto de Jesus





II- no tribunal um ex-escravo crava a palavra na carne do ar


- sou eu quem agora acusa:
tenho a marca da cultura
pelas falas que gravei
de tantos antepassados
mas comi as leis do rei
que me-quis escravizado
com o povo desprotegido
por isso contínuo grito






Luiz Gama




II- na calçada um branco livre (?!) não lê nestas suas marcas


- o que eu pedi pelo VERSO livre desse poeta meu amigo é que o que ele dissesse por mim tava DITO (e reescrito!) é isto: "após caminhar milanos o ser humano a cinco de TAL distância andando a jato dominou tal ARTEfato para dominar"






(Luiz Filho de Oliveira. Onde Humano. 2009.)



quinta-feira, 8 de março de 2012

À RÚSSIA, COM NATALYA ESTEMIROVA , A VINGAR UM POEMA




Como, por estes dias, o primeiro-ministro Vladmir Putin está ao vivo (aos mortos!) às telas do planeta, a vampirear o Estado russo, a mostrar-se um Vlad verdadeiro, sem dar chance à vítima (o povo de lá); então, me-lembrei desse nosso Brasilzão, em que isso ainda é possível, onde nada ainda não pode deixar de acontecer, inclusive, tudo, Lázaro. Poisbem, me-lembrei de como o Brasil já diminuiu os seus crimes políticos (leia que eu estou falando de mortes; não, de falcatruas!), mesmo havendo ainda centenas de casos país afora, nas quebradas em que só as câmeras (disseminadas à moda chinesa, baratas, feitas por trabalhadores baratos, meio Gregor Samsa) podem pegar a cena gravada, ou em que as telas expressam textos sacados contra as ditadurazinhas em países, estados, cidades de tradição nesses delitos. A Rússia ainda acusa esses procedimentos dopsianos. E lá, naquele frio capitalista (quem não possui grana o gelo não considera, congela; por isso, zil vezes a democrática nudez do calor!), me-lembrei, por fim, por causa do fim que teve, de Natalya Estemirova. Por que me-lembrei dessa ativista russa?


Poissim, para escrever isto certamente. Mastambém, porque a Natalya eu havia-lhe composto um “poema de ocasião” (deixa disso, Carlos!), publicado em meu livro, Onde Humano, de 2009, e, por querer, nesta página, ressuscitá-lo, já que não se pode fazer o mesmo com essa defensora de direitos humanos de humanos direitos ou tortos (nesse caso, os inimigos aproveitam pra jogar a opinião pública contra os ativistas políticos). Eu, segundo senti, sei por que quero homenageá-la: o seu assassínio me-comoveu. Assassinos natos (disfarçados, sem fardas; que farsa!), no Cáucaso Setentrional, na Chechênia ou na Tchetchênia, que importa? Regiões vizinhas de conflitos armados. Lei do Cão. Rússia, Chechênia, Daguestão, Inguchétia, Cabardino-Balcária e Ossétia do Norte. Federação Russa.


Rua; era noite (escura?). Cena de sequestro sujo: milicos disfarçados jogaram-na num carro. Grita Natália que eles a sequestravam. Quem ouve? Quem fez alguma coisa, lutou contra? O povo das ruas? O Parlamento Europeu, a Amnesty International, a ONG russa de direitos humanos Memorial em Grozny, a agência de notícias russa Itar-TASS? Ou o "blogueiro anticorrupção" Alexei Navalny; o dirigente da Frente de Esquerda, Serguei Udaltsov; o dirigente do movimento de oposição Solidarnost, Ilia Iachin; Islam Umarpachaev, de Grozny; Serguei Udaltsov? Todos, seu tanto de atos e palavras. Aqui, de casa, no Primavera, eu não fiz quase nada; escrevi o poema. Coisa do humano contra a canalha. Réquiem-obrigado a Natalya. De nada. Por ela, mais de mil palavras e imagens de maus-tratos, de violência contra civis, de política que policia a polícia. Milicos, como na nossa ditaduresca de AIs tantos, dão sumiço aos que incomodam (incomodavam?).


À época, técnicas de teatro que não têm nada a ver com a fidelidade de Stanislavski (o único cogitado, aqui, é o advogado Stanislav Markelov, morto em mais uma cena de emboscada, ou a jornalista Anna Politikovskaia, também, feita “boca calada”). Outra tomada para as câmeras internacionais – Dmitry Medvedev: "O trabalho de Estemirova era importante; prometo a prisão do assassino, ele será encontrado a todo custo". Os todos ativistas russos de direitos humanos sabendo: "Isso é muito difícil; ainda mais, estando Putin por trás" (e, hoje, 2012, com a chegada dele novamente à presidência; aí, tchau!).


Há algo de corrupto, violento e intransigente no governo da Rússia. Ocorre como o já escrito antes: É a cara da ditadura brasileira dos sessenta e quatro homens de farda. Tudo bem, hoje, o país chegou a um nível diplomático mais suportável, no qual pessoas que atuam como Estemirova não são um incômodo para o governo brasileiro a ponto de se ordenar que sejam mortas, não. Aqui, são mortos defensores de florestas (sejam seringueiros, sejam sindicalistas, sejam freiras), "laranjas", testas de ferro, testemunhas-chave de cadeia, mais alguns etcéteras. Ainda há muita sujeira a atapetar os salões desses governos brasileiros. Regra geral: Legislativo e executivo mandam executar mais; o Judiciário é executado dentro da Lei da Selva. Há crimes; não, castigos, Fiódor. Eles não agirão como o-fez o estudante Rodion em seu romance, não.  Eles querem é mais mortes.


Que é isso, mano? Filma aí, vai! Grava! Tira a foto! Posta! Aposto que muitos irão acessar. Acesso de raiva. Tudo bem (na verdade, malzão!), não sei se é vantagem tantos crimes, no Brasil, serem denunciados, e comprovada a culpa, e nada de punição exemplar. É, haverá de haver muita morte ainda para que se-tenha a Justiça com as próprias ações julgadas honestamente.  É, minha cara Natalya, é Rule without Law: Human rights violations in the North Caucasus (http://www.amnesty.org/en/news-and-updates/report/accountability-human-rights-violations-key-normalization-north-caucasus-20090701). Porque você foi forte, reconhecida com o Right Livelihood Award, do Parlamento Sueco, o “Prêmio Nobel da Paz Alternativo”, não haverá paz entre nós, pois não descansaremos até que se-atinjam direitos que não sejam fingidos, sejam humanos de justiça! Comissão da Verdade também na Rússia para desenterrar os crimes dos milicos.


Pra clarear as ideias, aqui vai a minha tocha (alumia, meu lume!), como o refrão de Tosh em sua reggae music, este poema, que insiste em se-mostrar ao mundo uma vitória contra a morte. Canta, canto:



crimes sem castigo?! 

encontrou-se Estemirova
a indefesa ativista russa 
em defesa dos direitos humanos
na mira das armas duma canalha 
esses humanos tortos deixaram na 
estrada seu corpo cravado à bala:
a cabeça e o peito dela (Natalya) 
foram calados mas eles não se-calam
a denúncia de execuções arbitrárias 
sempre as autoridades desagradava e 
vai desagradar semelhante a Politkovskaïa
sua amiga também Anna jornalista assassinada
como o-foi Markelov da mesma forma marcado
Stanislav prometido o fígado à morte no Cáucaso (teatro?)
todos sabem: os autores desses crimes não vêm da fábula
eles vestem o figurino dito personagem: a farda de
políticos atentados à vida contrários à humanidade com
os ataques contra quem quer o bem das pátrias


Natalya (que não mais nos-ouvirá as falas) quem fala
pelo poema atirado duma notícia de jornal nesta página 
é um povo: todos nós nos-confessamos horrorizados 
com essa sua marcada morte anunciada pela desguarda
pra diplomacia deste planeta uma considerável baixa
pra quem luta pelos direitos de ser o humano respeito
porisso aqui jaz um grito: nós não descansaremos em paz
e ressuscitaremos duma Jamaica negra estas palavras 
que ressoam como fogo de Tosh em frase incendiária:
we don’t want no peace: we need human rights and justice


(Em Grozny, a pisar nos calos do Cáucaso tchetcheno.)




(Luiz Filho de Oliveira. Delituras Crônicas. 2012.)


terça-feira, 6 de março de 2012

O SEXO DELAS PODE EXCITAR O PODER PRIMITIVO, MACHO!

Foto: Andréia Rego Barros, 06/03/2008.
(www.flickr.com)


Playboss: a serviço do assédio

As empregadinhas
que se-cuidem,
o sinhozinho  – 
sujo! – já comeu,
da pequena senzala,
todas as escravas;
e o patrãozinho
(tá limpo, cara!),
 aqui, na fábrica,
já “está armado”.

Quem está sendo
cuidada para ser
coitada, de quatro?
Não há câmara nupcial,
minha camarada. Ele diz:
“Não vai doer nada!”
Mas sejam cuidado!
muitíssimo macha para,
sim, siô, dar tal porrada
na cara da macharada!




(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2012.)


segunda-feira, 5 de março de 2012

O SEXO DELAS É PODEROSO, HOMENS!


Foto: www.motokando.com



Mulherismo em cantiga doutros sítios

A Amazona,
nessas tribos, urbana,
fez uma plástica e tanto e res-
suscitou com silicone o seio em branco.

A Amazona,
nessas zonas, franca,
hoje, monta uma moto Honda e
tira uma onda da cara dos bobomens.

A Amazona,
nessas selvas, concreta,
vai encarar o dia em frentes e
lutará contra o homesmo de sempres!




(Luiz Filho de Oliveira. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2012.)