sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CORPO MALSÃO, MENTE MENSALIÔNICA





Poder ver... sos povo*


– Valham-me os Meus! 

– Vala-me Deus!

(Vala: eus...)




(No campo de um Brasil latifundiário.)



* A Rogério, antes do último round & depois do grave Newton.



@          @          @


onde o plano está prefeito

executa o político os golpes
privados poderes máximos sobre
vidas públicas a civil vendidas

intenção e morte ecoam 
ambíguas cabinas e atiram
carabinas de banda bando part

ido: justiça é crime?
há algum suspeito no pleito?
ninguém assina esses assassínios?


(Na fila de populares injustiças elitistas.)



@          @          @


negócios negócios

acordoBrasil
do lar... cor da... dá-la: acorda!
acórdão superfaturado dólar
dão de cor e então a cor dobra
verdes laranjas pardos & gatunos
(todos os ratos disfarçam seus  colarinhos)
decoro em coro o povo cobra
e encara o agente publicamente
a amar o elo das mil minas brasis
e o banco a mil para poucos por certo
e por centos milhares milhões
no ônus do país ao mês
há anos
nós nus



(Sentado num banco central duma praça, em Brasília.)




(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Onde Humano. Tersina: Nova Aliança, 2009.)


7 comentários:

VILMA PIVA disse...

Olá querido amigo, adorei sua poesia e em especial essa frase "todos os ratos disfarçam seus colarinhos"!
Quanta impunidade nesse nosso amado Brasil!
Beijos!

Antonio Porpetta disse...

Gracias, Luiz, por tus cálidas palabras. Y un gran abrazo desde Madrid.

Luiz Filho de Oliveira disse...

Muita mesmo, Vilma. Espero que nosso país resista a isso.

Gracias, Antonio. E seja bem-vindo.

Anônimo disse...

Gostaria de conhecer detalhada e suficientemente a sua história de vida, pelo menos, os pontos mais importantes (não só o que aparece em eventuais biografias), para entender sua visão de mundo e realidade (principalmente porque sempre me parece(u) alguém de base popular, o dito bem povão, apesar da passagem acadêmica e suas consequências, boas ou nem tanto). Como isso (conhecer suas condicionantes e variáveis (ou constantes) situacionais) não é prontamente possível, contento-me em apreciar o que me parece ser mais ou menos entusiasmo buscando o poético de cada coisa. O que já não é pouco, pois a escolha de determinados temas reflete preocupações de ordem mais geral (universal e própria) que o comum esteticismo da poesia des-pretensiosamente 'gratuita', ainda que nem sempre se possam afirmar as vagas certezas da visão momentânea, circunstancial, do leitor ou do poeta, sob(re) um contexto de informações e realidade mascaradas, ao sabor ideológico. Poesia, como a própria vida, pressupõe escolhas. É uma pena saber que nem todos os bons escolhem como a gente, que pensa estar certa. Alguém deve estar. Nem que seja “só” (a) poesia.
Ver esse seu desprezo, de senso comum (no mau sentido), pela política e⁄ou políticos me deixa preocupado, pois me parece um aspecto menor (menos cuidado) dentro de uma visão diferenciada, própria, independente (sem se importar demasiadamente com a aparência e mais com a coisa em si). Não vou repetir a lenga-lenga (mas que é verdade) de que a política está presente em tudo, nas relações do ser humano e é necessária, bem ou bem, no dia a dia das pessoas, a partir do possível. Depois do possível (e o possível, quase sempre, não é bunitim) é que vem o impossível, complementar. Há muito tempo deixei de dar trela pra revista(?) Óia, detrito sólido de maré baixa, e hoje só me contento, no mínimo, com CartaCapital, Carta na Escola e leituras edificantes, raras mas existentes, como o 'blog' do caro amigo, Deleitura. Como acho (ou tenho a vaga esperança de) que o prezado poeta considere a poesia algo não de todo 'inútil', tento lembrar que "[A poesia ou poemas] não mudam o mundo. [A poesia ou poemas] mudam as pessoas, as pessoas mudam o mundo...". Então, há que se ter o cuidado mais cuidadoso possível com a(s) rosa(s) da poesia, porque uma primavera não é feita só de espinhos, aliás, é feita da diversidade de flores, muito mais flores do que espinhos, e essas flores são belas e muitas delas olorosas, flores vivas que em conjunto fazem ser o que é a primavera. Um grande abraço cético mas (e) esperançoso.

Bruno Gaspari disse...

Parabéns pelo conteúdo do blog!
Original e genial da poesia
ao título. Um abraço.

Luiz Filho de Oliveira disse...

Valeu, Anônimo, pelo "desafino de coro"; não posso satisfazer tantas coisas q disse ou talvez esteja pensando. Mas é isso aí. Cada um, cada dois, três, mil!

Bruno, seja bem-vindo, cara. Até mais páginas!

Jéssica Amâncio disse...

ótimo, nos levaram tudo.