quarta-feira, 16 de novembro de 2011

MILLÔR FERNANDES não morreu: depois de passar pelo ABC e pelo SPC, ele venceu o AVC



Poeminha sem objetivo

Me elogia, vai!
Escreve um troço aí!
Não dói, não; faz de conta
que eu morri.

Millôr Fernandes



Poemeu com objetiva (a distância é de mais de mil tons!) 

Millôr é o mió; posta-o!
É só o mii-da-pipoca!
Ê, fulerage da peste!
É o que eu vejo nessa joça.

Luiz Filho de Oliveira



2 comentários:

Cristiano Marcell disse...

Bela homenagem, meu caro! O M.Fernades é demais.
Por acaso conhece, dele, a Poesia Matemática? É genial. Existe um erro no relato do Teorema de Pitágoras, porém isso é totalmente irrelevante.

Poesia Matemática

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos.
E foram felizes até aquele dia
em que tudo vira afinal monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,uma grandeza absoluta e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,uma unidade.
Era o triângulo,tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer sociedade.

Luiz Filho de Oliveira disse...

Pô, Marcel, esse coroa, pra mim, é de grande valia à minha escritura, sobretudo, pela irreverência. Mais 88 anos a ele!