quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Jogo poema em gozo

Jessica Rabbit, a mais-mais


Coisa Ciosa

Ama grana (anagrama!),
mente-se sexual... luxa-se semente
do mundano amor: dano ao mr. Mundo?


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2011.)



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

CARDÁPIO DO TERRENO DA POESIA




Para colher de colher

um poeta contra
a fome de letras planta
outro poema no planeta

(Luiz Filho de Oliveira. Deleituras  para Comer na Rua, 2011.)



segunda-feira, 21 de novembro de 2011

What a conscience, black man!





INCIDENT


Once riding in old Baltimore,

Heart-filled, head-filled with glee,

I saw a Baltimorean

Keep looking straight at me.


Now I was eight and very small,

And he was no whit bigger,

And so I smiled, but he poked out

His tongue and called me: “Nigger”.


I saw the whole of Baltimore

From May until December:

Of all the things that happened there

That’s all that I remember.


(Countee Cullen)





INCIDENTE

Certa vez andando em Baltimore,
Tão alegre, em regozijo,
Vi um baltimoreano
Mantendo o olhar em mim, fixo.

Eu tinha oito e era pequeno,
E o seu tamanho era o mesmo;
Então eu sorri, mas ele
Deu-me a língua e disse: “Negro”.

Eu vi Baltimore toda
Desde maio até dezembro:
De tudo o que ocorreu lá,
Isso é só o que eu lembro.

(Tradução de Luiz Filho de Oliveira)













quarta-feira, 16 de novembro de 2011

MILLÔR FERNANDES não morreu: depois de passar pelo ABC e pelo SPC, ele venceu o AVC



Poeminha sem objetivo

Me elogia, vai!
Escreve um troço aí!
Não dói, não; faz de conta
que eu morri.

Millôr Fernandes



Poemeu com objetiva (a distância é de mais de mil tons!) 

Millôr é o mió; posta-o!
É só o mii-da-pipoca!
Ê, fulerage da peste!
É o que eu vejo nessa joça.

Luiz Filho de Oliveira



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Um poeta por um desenho: um poema...

 O autor, por Paulo Maia


ao escrever (a você)


 I



sou

quem

suo





II



suo

a poesia

sua



(Luiz Filho de Oliveira. Deleituras Líricas, 2011.) 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

MICROANTOLOGIA QUASE TODA ERÓTICA DE MICROS E ROSAS




I. Pablo Neruda


LOS VEINTE POEMAS

1

Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,

te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.

Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.

Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
Ah los vasos del pecho! Ah los ojos de ausencia!
Ah las rosas del pubis! Ah tu voz lenta y triste!

Cuerpo de mujer mía, persistirá en tu gracia.
Mi sed, mi ansia sin limite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.


(Los Veinte Poemas de Amor y una Canción Desesperada, 1923-1924.)



II.Manuel Bandeira



Evocação do Recife

Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
         Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância

A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado e partia as vidraças da casa de                                                                                                              [dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:

Coelho sai!
Não sai!

A distância as vozes macias das meninas politonavam:

Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão
(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)

De repente
               nos longos da noite
                                                                                            um sino

Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era São José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.

Rua da União...
Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
                                                                        ...onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
                                                                        ...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
- Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
                                                                Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras

Novenas
                        Cavalhadas

E eu me deitei no colo da menina e ela começou a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
Capiberibe

Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
          que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
             Ovos frescos e baratos
             Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
             Ao passo que nós
             O que fazemos
             É macaquear
             A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
                Rua da União...
                                           A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
               Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô.
                         


 Rio, 1925.

(Libertinagem, 1930.)



III. Martha Medeiros


puxei a manga da camisa um pouco pra cima
perto do cotovelo,e abri o botão calmamente
como se fizesse isso todo dia na tua frente
não te olhei como amiga nem professora
e não liguei para a pouca idade que tinhas
eu era mais madura e você mais coerente
tinha certeza de tudo mas não se mexia
passei a mão no teu cabelo
te beijei na testa, no queixo
beijei tua nuca e tua boca
e fui a primeira mulher nua da tua vida


(Persona non grata, 1991.)




IV. Luiz Filho de Oliveira


Versos a uma mulher em pelos (em textos de Pablo a Manuel)*

a primeira mulher adulta
despida à minha vida
não me-veio versos nus
ou alumbramentos
foi nua revista a mim –
menino – por uma libertina
oferecida:  amiga de umas
intenções quintas!

mas que encontro!
o primeiro de tanto encanto
do lado contra um sexo oposto!
em imagem parada extática era
tão vida a rosa-púbis da estrela!

e a segui-la noutra cena
o cérebro ainda (cores vidas!)
e em seguida – desenhada – foi
arte & libido proibidas (minhas)
mas em papel verde tinta – esquisito!

e que esperança
de tê-la sim (não foto ou gravura)
pu-la em meu rijo pênis jovem!


(Num Porto Maior, que é certamente um Campo Alegre.)


* A Martha, uma poeta sem medos, somente Medeiros.


(Onde Humano, 2009.)
 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Os dentes mordem a memória em cenas teresinas



Conheci um cara – na verdade, um senhor de mais de meia idade, -pra- de seus cinquent’anos – que tinha uma singularidade notável (notável, aqui, passa pela constatação e pelo incrível). Eu, menino, àquela época, somente pude comprovar isso e aquelas conversas que rolavam nas rodas dos cara grande ou dos cara da turma (na fulerage!), quando vi-o-ouvi lá mesmo, no bairro Primavera, onde morava seo Mílton, essa singular pessoa. Vou chamar-ele pelo nome verdadeiro; é mais prático e menos chato. Acredito que aquele que lesse este texto iria estranhar, neste escrevê-lo inicialmente, se o-chamasse com um nome enigmático, que deixasse encoberto a verdadeira identidade dessa pessoa, pra não ser indiscreto (ou com medo de “um processo nas costas”?).
Essa era a ideia; esta: eu queria esconder a identidade do personagem para não causar nenhum tipo de constrangimento à família dele, já que seo Mílton não mais está entre nós. Porisso, queria me-referir a ele, neste texto, como Desmillôr. Sim, na minha ideia, essa estratégia seria um chiste, uma espécie de trocadilho com o esquesitúnico nome de um meu Guru, o do Méier, lá do Rio: o Milton. Ria: era pra levar em consideração o contrário do que aconteceu com o Millôr quando foi registrado em cartório seu nome. lendo? Então? Entanto, chamar-ele assim, de seo Milton, mantém mais o respeito e destaca melhor o fato; não o nome do cara. O processo, aqui, é outro; embora não seja assim tããããoo criativo ou desrespeitoso. Mas deixem os nomes, passemos à primeiríssima cena.
Poissim, a primeira vez que me-encontrei com seo Milton foi numa “pegadinha” que os cara da turma armaram pra mim: me-pediram pra perguntar as horas pra ele, que vinha chegando na quitanda do meu pai, seo Luizim. O bairro, em situação inicial de narrativa. Manhã, sem aula. A gente jogava bola? Talvez. Nem notei a fulerage; fiz cara de sério, pois era um homem que vinha vindo, um siô. Apesar de que ele usava somente uma bermuda, de chinelos, traje que é natural pros teresinenses, que o solo habitam de mais de quarenta graus. Bodim, mas no melhor português que dominava, perguntei: Que horas são, por favor? À resposta (Vai-te à merda, seo filha da “tuta”!), aquele estrondar de assonância: AH!AH!AH!AH!AH!AH!AH!AH! Ah, assim não vale! Seo Milton puto-das-calça comigo. Hem-hém, entendi tudo: ele não tinha dente algum na boca; sua fala – que onda! – era muito engraçada. Não que eu tenha entendido a frase de seo Milton me-xingando totalmente da forma como transcrevi acima, mas o “tuta” foi assim mesmo que ele pronunciou. A bilabial /pê/ não saía como devia. Que peça da vida: é muita comédia daqueles sons!
Manca: a dificuldade que ele tinha de articular fonemas, como o palatal /xê/ (exemplo: em “chuvendo”) ou os velares /quê/ e /guê/ (em “pataca” e “a”), por conta da ausência dos dentes, criava toda a piada: fonemas, como esses, na boca de seo Milton, eram transformados em outros sons e, inevitavelmente, som de gargalhadas. Taí  um fato de que os linguistas – deve-se-considerar também os “boquistas”? – não falam (pode ler que, pelos “estudos acadêmicos”, há um “preconceito necessário” de se-considerar somente a “boca completa de dentes”): a ausência dos dentes transforma um fonema em outro, e isso cria cada cena, cada som. É, mas esse papo de alguém optar por viver sem os dentes é algo muito trocadilhesco mesmo: é estridente  gargalhada por conta dessas cenas tantas. Algumas são muita comédia. Porisso, vamassistir o humorista, que risa (risos).
É, já escrevi em outro texto que a anedota do “doutor Gojoba” já virou piada nos palcos locais; ela deixou de ser domínio dum pedaço dum bairro e avançou para querer ser domínio duma cidade. Um texto que, de boca em ouvidos, se-espalhou pelos dedos no teclado em que pus a minha cabeça inquieta já o-é há mais de mil’horas. E mais: com a rede mundial de computadores, os textos são duplicados muito velozmente; com isso, o risco do anonimato; essa espécie de “domínio do público” sobre todos os títulos que forem espalhados pelas telas da rede. Quem copia os textos não quer saber de direitos autorais. Dá-lhe confusão de direitos e dinheiros! Seria coisa séria? Sim, mas o papo aqui é outro, já disse. Assino: as cenas cômicas de seo Milton não são minhas; somente a forma em que as-escrevo aqui, neste texto. Quem deve ser o profissional que contará esse papel cômico? Quem souber que suba o pano!

                                           CENA QUALQUER        
(Seo Milton, peruando o jogo de baralho, desmente Irãmílton, seu filho.)

SEO TÓIM CRUZ: Ô Milton, traz lá uns peixes pra gente, daqueles que o Irãmílton disse que pescou, hoje, no Poti.
SEO MILTON: O Iramilton foi “petá”, mas ele num sabe “petá”; ele num “peta” “pête dande”. Quando ele vai “petá", ele só “péta” “patata”. Só “péta” “Patata”!


Não é falta alguma de respeito, mas não havia quem não risse estando numa cena dessa, aqui, no bairro. Ó o que acontecia: seo Milton, quando falava, não considerava que estava pensando num fonema e que pronunciava outro. É algo assim como acontece com um motoqueiro que fala com você com o capacete na cabeça, pensando que está sendo reconhecido, já que ele o-conhece. Algo assim: seo Milton pensava na palavra, mas não executava certos fonemas, pela total ausência de dentes. Ele não observava essa mudança, manca! E foi isso que tornou uma outra cena que ele fez com Irãmílton algo o mais engraçado (a meu rir) que soube sobre ele.

Sem humor negro; estou memorando cenas de quando ele ainda andava entre nós, os primaverenses, mas a forma como as palavras “pescar” e “pataca” (pataca é – era? – um peixe miúdo que havia no rio Poti daquela época, quando ainda não havia níveis insuportáveis de coliformes fecais na água, entre a ponte da Frei Serafim e a do Primavera); poissim, a forma como essas palavras eram pronunciadas por seo Milton impunha todo o humor popular que há nessas cenas miúdas, dessa “arraia”, essa gentalha grande de pessoa. Coisa de mano da cidade, com muita graça. É risada mesmo! Isso é que é fulerage, nessa língua de terras contíguas: tupi, português, galego, espanhol, francês, latim. É, todos riam, nas rodas de baralho do bairro: no seo Antóim, no seo Miranda, no seo Zezé, no seo Tóim Tuz (“tradução” de seo Milton pro nome de seo Tóim Cruz < Antóim Cruz < Antônio Cruz).

Aqueles moradores que habitavam na parte da rua Professora Lídia Cunha e os que moravam nas quadras B e C do Conjunto Primavera já conheciam os coroas que formavam aquela trupe de baralho todas as noites. Onde fosse o jogo (as casas onde jogavam eram escolhidas alternadamente, conforme a conveniência) havia muita comédia entre aqueles velhos do Primavera. E nós, meninos, muitas vezes, só bicando a conversa deles, peruando o jogo. Com isso, essas pérolas descobertas, que eram faladas entre eles sem nenhum problema; só tiração de onda mesmo! Com os meninos, não vem, não: Seo filha da “tuta”!  Masporém, com mais velhos, claro, seo Milton não brigava tanto; mesmo porque eles eram muito maliciosos quando queriam fazer seo Milton falar ou porque a conversa acabava dando nesses sons engraçados. Quando um dos parceiros de baralho perguntou se a mulher de seo Mílton estava viajando, não há dúvidas de que foi a maior algazarra quando ele respondeu: É, mas ela disse que lá num bom, não, pois tá “tudendo” muito. “Tudendo”: imagina como os coroas interpretaram essa pronúncia. Lógico: ninguém pensou em “chuvendo”; só dispararam a metranca de riso, pros lados do satírico obsceno.

Grande figura, seo Milton. Pai, principalmente, de Arlindo (para o Paulim, irmão do Maribel, tinha de ser Arfeio!) e de Irãmílton, aquele daquela cena que julguei a mais hilária de todas; aquela de que falei anteriormente e de que, agoraqui, darei testemunho àquele que ler este texto. É muita comédia mesmo! O registro dessa cena foi passado a mim por intermédio da Eliana, uma das amigas das minhas irmãs. Com certeza, tem o toque do pessoal do seo Miranda, eles tinham uma tendência terrível à sátira.

A CENA MAIS CÔMICA
(Seo Milton ensinando o alfabeto a Irãmílton na sala da casa, na quadra B do Conjunto Primavera.)

SEO MILTON (Com muita paciência): Repete “tomido” [comigo]: Á.
IRÃMÍLTON: Á.
SEO MILTON: Bê.
IRÃMÍLTON: Bê.
SEO MILTON: Cê.
IRÃMÍLTON: Cê.
SEO MILTON: Dê.
IRÃMÍLTON: Dê.
SEO MILTON: É.
IRÃMÍLTON: É.
SEO MILTON: Éfe.
IRÃMÍLTON: Éfe.
SEO MILTON: Gê.
IRÃMÍLTON: Gê.
SEO MILTON: Adá.
IRÃMÍLTON: Adá.
SEO MILTON: Adá, não: Adá!
IRÃMÍLTON: Adá!
SEO MILTON (Um pouco impaciente): Adá, não: Adá!!!
IRÃMÍLTON: Adá!
SEO MILTON: (Bem mais impaciente): Adá, não, seo tôrra: Adá!!!!!!
IRÃMÍLTON: Adá, pai!
SEO MILTON (Dá um brogue no Irãmílton): Adá, não, tôrra, repete “tomido”: Adá!!!!!!!!!!!
IRÃMÍLTON: Adá, pai!!!!!!!!!! (Mais um brogue e seo Mílton sai zangado.)

Foi hilária mesmo essa lição de casa! Nossa, seo Milton novamente foi traído pela sensação de estar pronunciando o fonema correto estando a falar outro! E o mais irônico de tudo é que, na transformação dos fonemas que se-dava com seo Milton, no meio de tantos sons, ele ainda conseguia, sem dente algum na boca, pronunciar, na maioria das vezes, os fonemas linguodentais /tê/ e /dê/ e também os labiodentais, /fê/ e /vê/. Isso é que é um personagem pronto pra fazer parte, com essa cena acima, do anedotário loco-nacional. Taí, gente, é só espalhar. A graça se-deu assim. Fácil. Nas rodas do bairro.


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Deleituras Crônicas, 2011.)

domingo, 18 de setembro de 2011

AINDA SATÍRICA, A MENTE, À MODA DAS ANTIGAS



O poder do Poeta continua sendo a Boca dos Infernos


Pode o Poeta,
Ser rico,
ser pobre;
que não é de cobre
a Sua amizade 
é mais forte!
é honesta!

Pode o Poeta,
por palavras,
pôr pedradas
em Sua fala ao inimigo,
que só irá atingi-lo
e desfigurá-lo
a metáforas!

Pode o Poeta,
andar térreo,
andar nas nuvens,
de jeito meio aéreo;
qu'inda é dos Infernos
a Sua Boca de Guerra:
"Mato-os!"

Pode o Poeta,
colar de prata & pena,
colar, em Seu poema,
um mote dum Mestre velho,
que lerá seco Seu verbo,
pela pilhéria com veneno
aos vermes!

Pode o Poeta,
a licença poética,
à licença dar poéticas
em Seu rudo verso,
que aqueles ledores
bem maldizente lerão
Sua lírica acérrima!
 

Pode o Poeta,
a mar de poesias,
amar o que le-faria
um legítimo assassino;
que a ficção, por atrevido,
moldará Sua boca
de satírico!




(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2011.)