terça-feira, 29 de abril de 2014

Já vi esse filme!

Por Granizo Therehell, 2014.
Sétima arte, uma segunda intenção segundo tantos terceiros

Da P2, Cine Rex
visto bem explícito,
de pernas (abertíssimo
filme) em rolo: rolas
às mãos de qualiras,
sem que vissem a fita;
o bom é gozar o que vida

do sexo o inseguro: vício.


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2014.)


sexta-feira, 4 de abril de 2014

IDENTIDADE COM A LÍNGUA ALIENÍGENA




Poema é o nome do Poeta

Luiz é o latino Ludovicus
(portugálico medievalescrito);
do francês vem o Francisco;
a Oliveira é a que dá azeite;
o Filho? Tradição escritantiga:
Mendes, os filhos de Mem;
Fernandes, de Fernando os filhos;
e, ainda sobre nomes, segundo ditam,
os Segundos, Sétimos – Enésimos! –;
Netos, Juniores, Primos, Sobrinhos...

Nomes da língua que se-inscrevem aqui,
neste quadro que escritura a poesia...


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Deleituras Líricas.WEB: 2014.)




quinta-feira, 20 de março de 2014

'Cause the music is playing...

Imagem: arquivo Google.



BLUES KAYADO

O blues pode ser etílico
e ele o-é quase todo o tempo,
mas lá, nas orijas, antes,
ele é de fumo africano,
a kaya daquele jamaicano.

If I had possession over blues, baby,
eu comporia em inglês (manca?)
e daria as notas do meu bolso
pelas daqui, da minha garganta,
que palavras está mascarando

com a caneta, com o teclado (demãos!),
dos que, bebendo e fumando os bares da vida,
disfarçam o verbo  pra dar um branco,
até as paredes tortas deste poema à Rede
ficarem caiadas de sentidos, se post, baby.


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2014.)




sexta-feira, 7 de março de 2014

NA PASTAGEM, A POSTAGEM


#partiu: the last hashtag

bem naquelas linhas
cruzamentos vitais... férreos:
mal deu de gritar...

o crânio partido a moto
a batida sem capacete:
curte o poste o post?


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2014.)


sábado, 8 de fevereiro de 2014

O BOOM DESSE NEGÓCIO

Imagem: arquivo Google.

Ruído: moeda ao chão das cédulas

O trabalhador deposita confiante
suas economias no caixa eletrônico.
É sábado à tarde, ele a segunda adianta
pra economizar a tempo uma grana
pra comprar um carro prele ir pro trampo.

O assaltante deposita confiante
suas dinamites no caixa eletrônico.
É domingo à noite, ele se-garante,
pois, de primeira, há tempos, arrebenta a
menos-valia em descomunicação econômica.

O banco paga esse cliente com desconfiança,
sua exigência é legal: exibir comprovante de
depósito pra que seja ressarcida essa conta.
É segunda de manhã, e essa perda de tempo,
de qualidade de vida quem capitaliza, quem?


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2014.)


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

UNS AIS DO SOCIAL




I
um Piaga do mar doce arma seta dispara por um Poeta

esta tribo(dos sete terreiros do rio)
(num espaço do presente) é estado de riso
para alguns indivíduos da nação (ô povo pobre!)

entanto ela ainda continua rindo (risos)
anda primo humano brasílico (milenar nativo)
como gravado nas pedras (de linhagem... esses livros)

e por tal vida (vinda grande nação Tabajara!)
deixa-se vestígios nas telas desta terra (vivo grafito)
para firmar o seu local universal (esse mundo de sítios)



(Bem daqui, de Piaguí... e daí?)



II
onde é duro ver ou vir a 

o terreiro do casebre
dá a luz do dia
a crianças nuas
brincando de ambulantes
vendedores de fruta ou verdura
não de bugigangas de Taiwan ou China:
olha o tomate! olha a cebola! olha a uva!

à noite suja em redes limpas do digno
dormem o sono das injustiças tranquilas
depois crescidas na lida de cada dia
a manhã les-desenha como hino
outro novo pregão antigo
de infante miséria na vila



(Numa Terra carente de Justiça.)



III
pelos tetos ou sem-teto que não têm milho nem feijão sem arroz: essas cruas vias

ao nativo que
teve seu milho
passado adiante
bem comerciante
em lata conservado
soro caseiro investimento
em supermarcantes mercados
– a esse nosso primo pai nativo – 
este grito líquido sem o lucro devido:

se rumina pois o poeta o tachar bom
o milho & lambe depois os beiços rindo
comido todo o amido como cliente do produto
ele sente porém um desgosto dos milhões (males!)
a morrer de fome em face de humanidade sem migalhas
em frente do milharal de rango (aos milhares!)
a haver no mundo-comida dos melhores

e este poema (comido!) não
enche a barriga de seo ninga!



(Onde as mãos não aram; palavram.)



IV
nascente em curso de morte desmatada*

aguazul
            plic!
               ploc!
                bate
                     ndo
                     es
                    cor
                       regando
                      planta e
                    dança  e
                   pedra
                os peixes
                sr. caramujo e
                outras espécies e vem
                  um barco-folha ambiente
                   em meio ao transparente
                    líquido num veio dessa
                   mata virgem –  e vivem...
             ... todavia o enlatado
                   cano esgoto surje e
                 engarrafada a morte
desmata e                                 vaza
              às taças das calhas
           em que o peixe-barco
         – nau trágica –
     navega outro inferno: e a água
foi suja de humanos seres urbanos


(Em Teresina, fluindo até São Paulo; antes, passando por Minas.)

_________________________________
* A Ana Rosa, uma mestra minha, com quem estudei em espaço de Dias.



V
salve concreto essa selva humana


são Paulos
      Joões
ou  Zés
             e                     vão
                          e        quase não
vêm...
veem?
navegam noutros navios negreiros... não?
se ainda a caminho do que
não estaca a obra concreta armada
de novo esses homens-chico (não chiques)
sob o sol nada novo da ficção dos edifícios
ajudam com outro engenho a construir
esta ação capital expressa em luxo de signos
para o avesso do lucro de extensas listas
rol da primeira avenida
a dirigir a vida indigente
a digeri-la a preço de custo
sem tempo pro sono dos injustiços



(Duma concreta São Paulo até verde Teresina.)



VI
onde humano contribui para uma escrita poesia terrena

no bairro Primavera... algum cidadão ágrafo
já em Bagdá... atiradores por elite contra os livros
contudo na Georgia ianque...  muitas mortes negras ontem

na Inglaterra sherlockiana... vítimas estrangeiras por engano
pois nas Áfricas famintas... crianças raptadas para pegar das armas
mastambém no Ocidente doente... desenganados contra o sistema

no fim do mundo... o nosso humano estar
posto na Lua... o olho rico da tecnologia
enquanto na Terra... tantos ainda de fome




(Neste planeta, a olhar pras nossas terras.)




(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Onde Humano. Teresina: Nova Aliança, 2009.)




segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

TRIDENTAL: O VÍRUS É UMA MORDIDA CRIADA POR UMA MENTE INFERNAL

Imagem: arquivo Google

CUCA ILEGAL

Cuidado com o vírus
no vídeo, que o vírus te-pega;
se não pega daqui,

ele te-pega spam.
Cuidado com o vírus,
que o vírus é da WEB,

e ninguém há de o-bloquear!
Cuidado com o vírus,
que ele é ideia realizada má!


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2013.)


sábado, 14 de dezembro de 2013

ESSAS MULHERES FORAM MORTAS PELO PRAZER DOUTROS SOLDADOS AMARELOS



Um Poeta recanta mulheres: as de Nanquim

O máximo que conheço da China
são  as sessões de Bruce Lee no cinema,
as bugigangas de plástico nas lojas de 1,99
e esse pasteleiro no Piauí, na esquina;
e o que eu saco dessa cidade, Nanjing,
é essa tinta com que tinto estes instintos
ou estes grafitos em branquepreto que rabisco
feito poema que poesia de mulheres os gritos.

Não havia escrito em mim risco algum da história dos chinas,
e um espelho veio tela de cinema desenhando este oráculo:
Mire-se também o exemplo daquelas mulheres de Nanquim!
Reuniram-se na Zona, refugiadas, pros filhos,
e lutaram com os homens, como os homens não lutaram:
e tiveram arrancadas as roupas por violentas fardas,
carícias plenas de veneno em que não houve ajoelhamento,
senão sofrimento de quem não se-despiu por orgulho,
deitou-se à cama pra sentença de quem não tem escolha,
e o cineasta cinemou cenas de City of Life and Death.

Vi as mulheres cortarem os cabelos e vestirem-se homens,
e os soldados japoneses já poderem foder as chinesas,
as que tiveram (close) as mão levantadas, uma a uma,
pro sacrifício das cem, que não sentiram conforto
em se-dar a sedentos animais com fome de sexo!
Salve a prostituta Xiaojiang que não se-salvou,
não cortou o cabelo, não levantou a roupa, nem gemeu
de prazer com o sexo contra um homem ereto
a querer o conforto das mulheres do conforto.

Mire-se também dessa mulher de Nanquim o exemplo:
dessa Xiaojiang, que liderou o corredor do conforto ao sexo,
e essas mulheres foram mortas pelo prazer doutros soldados amarelos.



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2013.)