domingo, 25 de agosto de 2013

Só para minha mãe, FRANCISCA, que bem-vinda DAS CHAGAS me-levou até o caminho da ROSA

Eu e minha mãe. 2013.


Uma caboca macha, minha mãe! A Rosa dos Sena Rosa. Seu nome de batismo: Francisca das Chagas Rosa. Depois, de Oliveira, sem Rosa. Um tipo bem apessoado: pele avermelhada (depois um tanto morena de tanto sol trabalhar!), olhos da cor de mel, cabelos negros. Hoje dançam cancan sua cãs, pela alegria de tantos anos vividos. Seu pai era um homem de olhos azuis; ancestrais dalém mar, mais que portugueses. Sua mãe, como meu pai. Do casamento, oito filhos. Um já falecido, o terceiro; não conheci esse mano meu. Pequenino, três aninhos, falecido. Vingaram sete. Destes sou o caçula. O ultimogênito. O passa-a-régua de seu casamento com um caboco de traços meio cafuzos, meio mamelucos, outras partes com tons orientárabes. Deles, eu. Euzinho, que escrevo texto o que celebra todas as bênçãos e benças pra ela. Minha mãe nasceu. Vivo 77 vezes 45 vezes sua alegria de viver.

E o presente, para uma pessoa desse naipe? Dificuldade fácil. Apois, neste parágrafo não dá pra fugir do lugar-comum, e o jeito é cair nele: não tem dinheiro que pague! Graças a Jah, pois até estou um tanto desprevenido. Mas tou pensando, mãe. Mas, antes, quero le-dar algo por demais valioso e que guardo comigo para estas horas solenes: o meu respeito pela senhora. Sim, mãe, o meu respeito. Claro, eu, que, criança e adolescente, beliscando a fase adulta, le-faltei, nalgum momento, com este que deve ser o primeiro artigo da lei de todo ser humano – principalmente, com sua progenitora (e não se-trata, aqui, de questionar a participação dos pais, não!) –, esse eu desse tipo não pode ser considerado querido, respeitado. Mas cresci, mãe. Sim, tou crescido a força e coragem minhas. Cresci junto com esta hipérbole: le-tenho o maior respeito do mundo! E carinho, sobretudo; sobretudo, que a senhora e papai, como dois sertanejos rudos, nos-privaram de certos afagos e beijinhos, sobretudo, de abraços. Hem-hém, nós, irmãos, somos pouco de abraços e beijos. Porisso, o respeito exigido.

Agora, dar na mãe?! Arriégua, desconjuro! Jamais atentaria contra esse segundo artigo da Lei dos Doidos, aquela que, quando eu menino, no Primavera, o Bolola sempre colocava como absurda, aquela que condena à pena de ser considerado louco todos os que obedecerem a estes três artigos: correr nu; dar na mãe; rasgar dinheiro. Não. Não violo nenhum deles e canto isso sem viola: minha capela é outra; meu santo é barroco e maldizentemente baiano! Não canto sozinho, há tantos, como eu, o coro come cantando: respeitoso às mães; aos canalhas, nunca! É, conheço um canalha que batia na mãe dele e dizia que aprendeu isso comigo. No meu bairro, meu vizinho. Traiçoeiro, esse que se-disse, por longos anos, ser amigo. Venenoso, esse sujeito sem escrúpulo. Ele batia na própria mãe. E acreditem, se-achava – e ainda se-acha! – melhor que muita gente boa por aí. Tá bom, bonito! Pensa que é a bala (e nem chega aos pés do Bala dos Capitães da Areia, que era mala!). E é que, se eu fosse homofóbico, como pensam, às vezes, alguns apressadinhos desta rede e de outras camas, eu meteria o irmão dele, ou melhor (pra ele!), o irmã dele, que, além de me-caluniar do mesmo jeito, ainda dizia qu’eu era viado, como ele (pelo amor de Jah, sem trocadilhos; senão, ela goza!). Comigo não, violão! Desarreda! Não admito essas canalhices! Comigo, mãe, meus respeitos sempre à senhora, que pagou muito caro para criar a mim e meus irmãos. Muito trabalho. E hoje, mãe, tenho certeza de que meu presente é valioso: meus respeitos, minha mãe. Poissim, mãe, sei que não le-dou motivos algum para ter vergonha de mim. Me-orgulho da senhora. Aprendi: eu sempre respeito a todos e ensinei isso aos meus filhos até onde eu pude. Hoje eu me-orgulho do caráter deles e do meu, então, nem se-fala ou se-escreve!. Essa é a única herança sua que me-interessa. E ela não é somente um quarto, nem um terço (não tem choro nem vela), ela é INTEIRA!


Sou o que sou, mãe, porque, criação ruda de afagos, mas plena de exemplos, tenho bastante caráter. Ótimos, a senhora e, também papai. Agradeço-os. Agradeço-a principalmente: rainha. Da minha vida o DNA do respeito, do caráter honrado, do trabalho. Se pudesse, faria mais. Mas a vida intensa de trabalhos, de responsabilidades, me-fazem omisso, muita vez, com a senhora. Aquele egoísmo de querer evitar o mundo pra ganhar algum dinheiro – nunca os trinta! Sempre fiel à senhora. Jamais trair a família, que isso é uma armadilha pros irmãos. Jamais ser canalha com irmãos e com vocês principalmente, meus pais, minhas mães. Minha mãe, pra fugir dos erros, 77 vezes celebro teus anos: 45 vezes vivo sua vida fora do teu útero. Íntegro. Amanhã é seu dia; o dia é todo seu, mamãe. E vai ganhar estes meus presentes.

Seu filho, Filho. Neste ano de 2013. Neste agosto, este meu gesto, meu texto. Parabéns.

terça-feira, 23 de julho de 2013

LUTA PELO SALÁRIO, PESSOA!

Imagem: arquivo Google



Sal mínimo sob um funcionário sol máximo (a pino e a ponto batido)

Ó salário desgastado ao máximo,
quanto dos teus dramas, aos maços,
(canto as granas, no mínimo)
são lavras que mais-valiam
acúmulos em exterior capital?
Se alongarem mais a jornada,
estarás migalhas trabalhadas em
quantos indeCIFRÁVEIS;
tantos, que somente vales
o que poeto neste poema, em
pagamento ao produto da
pessoa que            existe
                 SUB            
                                       a
constantes e variáveis câmbios;
na humana usura das cifras desse
terreno, que é sina do bolso
mundano de valores


de pessoas.

domingo, 21 de julho de 2013

MERDA DE POEMA HEMORRÓIDICO

Imagem: arquivo Google


Escatologia além-excrementosa

O camelô, entre suas bugigangas,
mais um dos toletes de bosta vende,
feito assim desse plástico (bem creme!)
da cor de merda serenada, manca?

O seu católico devoto cliente,
com aquele probleminha anal (“Nas ancas!”),
fez uma dessas promessas à Santa
e espera que não mais fique doente.

N’era prudente um ex-voto dum cu;
de tal ousadia a Igreja não gosta;
apois, o fiel comprou (ai, Jesu!)
do camelô esse tolete de bosta!

– Meu Deus, com isso não vá-se-injuriar,
nem me diga que esta bosta não presta,
pois, em sua graça, está o meu curar
desse mal, corroído a sangue: merda!


sábado, 13 de julho de 2013

UNITED STATE OF LUIZ GONZAGA


Imagem: arquivo Google


Sendo também um "poeta de ocasião" - afinal, o que é a poesia, senão ocasiões? -, não gostaria de deixar que se-passasse esta de homenagear o maior artista popular do Brasil: Luiz Gonzaga. Esse que é a memória-mor pra qualquer nordestino a partir dos 40 anos. Apois, quem tem essa faixa de idade, certamente ouviu o Rei do Baião ao vivo e se-deleitou com essa música que está enraizada em nossa identidade. Arre, égua! 

E eu que fui menino, ouvindo o Véi Macho, pude assistir à cultura nordestina sendo espalhada por todo o Brasil e pelo mundo por meio da música do Lua. Foi algo assim como a prática de capoeira pelo planeta faz com a divulgação da língua portuguesa. Sim, pelo som do Gonzagão o nosso falar passou a ser levado a outros paladares de fala. Aí eu pude perceber o gostim de passado e de futuro dessa língua que foi forçada a nossos nativos, no grito. 

Vixe! Desconjuro! Num quero falá disso, não. Nã! Deixa o leite derramado pra lá. Qué ir mais eu, vamo; qué ir mais eu, rumbora! Vamo ao medieval em fiafêamanoentoncemasporém... Qué latim? Vamo de incumdixehomi... É estranho sim, mas o falar nordestino ainda tem futuro nele: note o plural somente nos artigo e nos pronome (coisa pra inglês ver: modern languages!) nas nossa construção com os substantivoIsso é coisa de Brasil, mas é nosso.

O português são muitos, Carlos, e eles ainda não sabe disso. Num sabe que tem ainda muito piauiês, cearencês, pernambuquês, paraibês, sergipês, alagoês (os principal dialeto do nordestinês legítimo) pra se-falá pur essas quebrada de sertão. Hem-hém, seo minino, dona minina. É muito bunitim essa nossa língua. Porisso que isturdiínha me-rendi a essa rodia que pus na cabeça pra carregar o pote de sabedoria dos caboco nordestino na figura do Fii de Januaro.

A bença, meu padim, Luiz. Seu fi de tradição arrocha um poema em loa do que o siô deixô pra gente toda. Brigado, hômi do povo.


UNITED MUSIC OF PIAGUHY

Os meus primo cá, do Piauí,
deixou de vê novela
só pra fazê musga. 

Os meus primo
escreveu pra mim
e não fala "come here"
só fala "vamali".

Vô mandá um feicibúqui leve
pra United Music of Piaguhy!
United Music of Piaguhy!





sexta-feira, 28 de junho de 2013

Numa mesa aonde só pode estar quem tiver mais de 18 poemas


colou-se-colar

ao   s   ped   aços   n   oBA    Ring    lês
o homem bebe do barro às químicas terrenas
e-tenta-se-inteirar-do-jogo-da-dama-de-espadas

a lançar golpes tais metáforas
a fim de ganhar das cartas da gata (agora copas)
o grande prêmio da jogada cantada: o sim resposta e não o nada


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Onde Humano. Teresina: Nova Aliança, 2009.)



segunda-feira, 10 de junho de 2013

De Teresina até o Rio, via Áfricas

Imagem: arquivo Google


Lembra o Bandeira de um Poema tirado de uma notícia de jornal? Apois, que ele leu, de fato, alguma notícia para compor o seu poema, disso não tenho dúvida, porquanto foi assim que nasceu um poema em mim, em meados da década de 1990, nessa aparições que todo artista tem com a sua arte, ao assistir a uma reportagem da TV Globo a respeito de cólera em um campo de refugiados.

Era acerca da África a reportagem, aliás, era lá que estava o repórter entrevistando um carioca a servir de voluntário para as tropas da ONU, em Ruanda, nos campos de refugiados Quibumba I e Quibumba II.  Ele se-queixava, mesmo “fazendo a sua parte”, de que as autoridades locais – não me-lembro se Ruanda a essa época estava travando uma guerra civil ou coisa desaparecida – não estavam comprometidas em resolver os conflitos, mas sim em deixar-se corromper, surripiando a maior parte da ajuda humanitária prestada por outros países. Nada de novo pra nós, os brasileiros, já que, em nosso país, embolsar verba pública é “tradição”: o verdadeiro “jeitinho brasileiro”!

Ou alguém, nesse mesmo espaço (o de ganhar dinheiro com a desgraça dos outros), está esquecendo o que houve com a região serrana do Rio de Janeiro há alguns anos? Públicos agentes corrutos! FDPs! Dizem as más línguas que até a Fundação Roberto Marinho se-envolveu em desvios de verbas dessas enchentes. Dinheiro sujo, enlameado mesmo! “Isso é uma vergonha!” – repercute o Casoy, com mais esse caso. E ainda vemos o vídeo...

Poisbem, o carioca da entrevista se-queixava disso, de “fazer a sua parte” enquanto outros estavam sendo desonestos com todo aquele povo sofrido, sofrendo com cólera – a doença, pois a raiva intensa estava desacordada. E, por conta disso, nós também preferiríamos um chopinho, no Leblon, perto da Farmácia Piauí, em frente ao mar, como o-queria o carioca. Ah, um futebolzinho na praia. Futebol de praia; que mané “de areia”! A Globo acaso é dona da língua? “Futebol de areia” me-passa um passe errado, um tijolo! E daí, se onde houver a partida ou a competição não tiver praia? E daí? Queria o carioca um futebolzinho de praia. Apois, queria o carioca o sossego timaiano, porque se-empregar em ajudar o mundo é dever que faz sentir a gente o desprezível do humano, das atitudes não solidárias, egoístas de carteirinha.

Oxalá protejam os que necessitam de ajuda! Ogum os-defenda! Que Nanã os-nane em “berço esplêndido” realmente. Nada desse idealismo de nossas leis (é lindo no papel, mas não têm papel algum!), nada de trair nossos irmãos de dentro de nossas tribos! Nada de subserviência aos senhores das guerras étnicas eteceteras e mais eteceteras...
Vai, poema...

onde se-reporta a um fato refugiado em dois campos na África

Quibumba um
Quibumba dois
Ruanda... uh!
vala comum

sobre a nutrição
de seus protegidos
pesam os esforços
das forças da ONU

mas o voluntário
em tom brasileiro
– fala entrevistada
mastigando um samba –

tá pedindo arrego
cansado de fome
de vergonha & homens
quer vir pro Leblon

bem ali ao lado
da Farmácia Piauí
tomar um chopinho
somente unzinhos

com fome de bola
driblando as Áfricas
e as suas cóleras
que tanto assolam

mas bem mais cruéis
tantos governantes
nem sequer as-olham
porque não importam

e isso que o repórter
diz ali-outrora
não é nada novo
pras fomes no solo

sujeitos pras leis
sujeitos do resto
sujeitos a tais pestes
por vias satélites

por desvios de verba
incompetências guerras
negras Áfricas falecem
aos sons destes versos


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Pra estear este amar sem norte

Foto: Luiz F. de Oliveira

cerebral paisagem aérea

em este amor este
branquilidade de nuvem
contra o azul oeste

(Luiz Filho de Oliveira. BardoAmar, 2003.)


quinta-feira, 16 de maio de 2013

"TANTAS HISTÓRIAS. TANTAS QUESTÕES"

Imagem: arquivo Google



Leituras dum Poeta que pergunta

Quem não irá dizer contra o povo
sentenças compradas de ilícito enriquecimento
se eles estão comendo suas verdinhas entredentes?

Quem não viu do povo o desespero
ao vê-lo, um governo, despido de honestidade
se estavam eles tramando traí-lo, quão reprováveis?

Quem ao povo não dissimula a verdade
a troco de prazer ao pessoal as contas públicas se
tantos deles, fiscais, desviam paraísos a verbas corrutas?

Quem do povo não viu-eles, de reis a prefeitos,
governando gentes, guerras, a grana pública e o absoluto
querer poder valer mais do que as formigas nesta Terra coletiva?


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2013.)