quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Com "julgação" da atitude dos estudantes




Slide 17
Como estudar Literatura (para passar!)
Slide 17

Eu leio
Tu lês
Nos-livramos
 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Poemas argilizados


 

  i

Mono
mana
verso
nUma
MasEM
Quais
Mais???




  ii

moldO
barro
forno
formA
letras
telhas
fortes




  iii

omuro
emmor
tijolos
amura:
oqu’há
amores
amoras




  iv

humano
fazdesse
teuhum
ohúmus
FAZendo
sepoema
aparede




  v

EMquadrA
ENquadrO
PELacurva
desenhada
DOpedreiro
sUAFiNGIdA
POEsIA-CAsA




  VI

JANELAS
AOsVÃOS
VÃO-ME-
-HABITAR
CÔMODOS
PAISAGENS
CÔMODAS




  Vii

QUESERÁ
OTIJOLO
SEMMÃO
OOLEIRO
AOLHAR
OBREIRO
SEMTETO




  ViiI

ESTEBARRO
NALÍNGUA
GRAVÁ-LO
PELOFOGO
APALAVRA
TALBLOCO
AMURado




  iX

PALAVRAA
PALAVRAO
TEXTOVAI-
-SE-FAZERA
PAREDEQUE
SUSTENTASE
APRUMADA




  X

ALGOPODE
DESTRUIRA
OQUEFEITO
FOIPARATE
RESISTIRDE
TALBARRO
CONCRETO




  XI

APAREDEDEADOBEMAIÚSCULA
CONSTRUIRÁVIDAMATERNASE
CASADOÚtEROLIQUEFEITOLAR
AMBIGUIDADAFOIPARASARTES
SIGNIFICADOBARROMOLHADO
ARGILADOBRADODOOLEIRODA
TERRAAMOLDARPELASFORMAS




  XII

BEMAQUINATABUINHA
VINDAARGILANTIGAHÁ
AINDAMARCASESCRITAS
DESSEPASSADOPASSADOA
REGISTROSAUMFUTURO
TÃOPRÓXIMOQUANTOA
CRIARASFORMASPOSSAM




  XIII

ADOBEHOJESÃOPROGRAMAS
MAISUMDOSQUEUSONATELA
NAJANELA             AMÉRICA
ENAVEGAR             ÉPRECISO
OESCREVER            ÉDESTINO
AINDAMAISMATÉRIAPRECISA
FORMATADAVIDATRABALHO




  XIV

PANELAS
EÂNFORA
EPRATOS
QUADRO
DEBARRO
ARTEFATO
GRAVADO




  XV

NOPRIMEVOBAIRRODACIDADE
NUMAFAI
XAESTREITAESTRADA
OOLEIROPOBREDECOBREFORMA
ABARROSARTENATAVIDANOVA
TRANSPORTAAARGILAAOARTES
ANATODESANTOSAPINDURICAL
HOS:EXTENSÃODOSSEUSBRAÇOS




  XVI

POTIVELHO
VIDANOVA
DEBAIRROS
VEMDORIO
ACIMAERIO
ABAIXOSOL
ARGILADO




  XVI

ETERESINOEU
OPOTIVELHO
COMOBARRO
QUEMENINOS
COMEMHAITI
ANOSEMFOME
TÃOHUMANA



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Seis Produtos Exportados por Gandavo & Andrade & Oliveira Ltda.

-->
Mandioca

Bem-dita terra
aqui se-chama beiju
depois de amassada a raiz
ela assada quente nas chapas
das pedras ou no barro das panelas
se não virada farinha do mesmo prato
para o cardápio nativo tal lista sagrada
a branca comida para o bem das tabas
sabe o piaga: como bebida embriaga
assim: com a distribuição regrada
perigosa produção limitada
mandioca mastigada
ela é mata!



Aipim

A outra mandioca
a que não é morredorzim
que também chamam macaxeira
assada como batata ou inhame (eita!)

Cozinha: cozida com manteiga em cima
ao cozinheiro o chefe a receita repetia
para que o prato nestes nossos dias
tivesse sabor estético



Bananas

Corno de boi
macias peras sois
e qual a ave Fênix
parindo a vida vinda fêmea
mortas: nascidas de novo
para fruta novo cacho pois

Se os moços vos-fazem de moças
para alívio das tensões pré-sexuais
servis a vossa vitamina que faz crescer
(hoje sem engordar só manter a forma)
liquidificada com leite batido na máquina
assim neste copo pra dentro do corpo



Zabucaes

Vaso arredondado
para guardar as castanhas
vaso dado a jarro do meu cravo
onde o talo do eu-planta cravo
sêmen semente sementados
nesta encopada árvore
aberta pelo que verso
crônico no cono como
o copular a copa


Ananases

Como alcachofres
tais "as pinhas"
doçazedinhas



Cajus

Pereiras ou macieiras
o miolo assado é muito
quente de sua propriedade
é mais gostoso que amêndoa
cuidado com o suco
q é de ferro!



sábado, 23 de janeiro de 2010

Aos trabalhadores e ao público da escola pública em que lecionarei agora



Há poucos dias, menos imprecisamente, por volta de dezembro do ano passado, fui aprovado em concurso público para professor de Língua Portuguesa da educação básica (ensino fundamental), na cidade em que assisto atualmente,  Teresina, onde assisti a muitas aulas nas décadas de setenta, oitenta e noventa. Pelo esforço que empreendi, a consecução de meu objetivo me-trouxe novamente a oportunidade de realizar algo a que me-propus anos antes: pagar o que devia à escola pública (mais literal do que metaforicamente, claro!).

É certo que, da vez anterior, eu não consegui realizar meu objetivo, por motivos inferiores; contudo, desta vez não desistirei de efetivá-lo. Ao menos, é isso que tenho em mente. Ainda mais, sabendo que os momentos em que me-encontrei antes e em que me-encontro atualmente são muitíssimo diferentes. Antes, quando fui aprovado a primeira vez nesse mesmo concurso, era 1996, e eu trabalhava numa escola que é tida por muitos como a melhor de nosso estado e que figura entre as melhores do Nordeste e, mesmo, do Brasil: o Instituto Dom Barreto, dirigida àquela época pelo ilustre professor Marcílio Flávio Rangel, um empreendedor incansável, em se-tratando de investimentos em educação. Ademais, eu também “fazia bico” numa outra escola,  para garantir mais ainda o leite, o pão, o feijão etc., etc., das minhas crianças. Assim, no Instituto Dom Barreto, eu procurava-me-aperfeiçoar na sala de aula, já que ainda era somente um “dador” de aulas, como o mercado exigia, precisava, então, tornar-me um educador; porém, nessa primeira escola privada, eu não ganhava assim tão bem quanto o-desejava; porisso fazia, no segundo colégio privado, o extra de que falei antes, a fim de viver razoavelmente bem.

Daí vem o primeiro motivo que me-fez abandonar a escola pública e a minha festejada estabilidade (ainda a empregatícia, não a financeira!): no Instituto Dom Barreto,  um salário razoável com aquela exigência de Hércules, mas necessária ao meu aprendizado docente; na outra escola, o “dinheiro fácil”, pois, nesta, trabalhando a metade do tempo , eu ganhava o dobro do que recebia na escola pública. O dinheiro foi o culpado da minha saída? Não, o meu despreparo pra vida, talvez sim. Ou a falta de consciência do que estava devendo e deveria ter pagado. Hoje, mesmo não sendo nem um pingo razoável o que um professor ganha por vinte horas semanais na escola pública municipal de Teresina (e devemos "pôr um pingo nos ii" quanto a isso, pois um salário bruto de R$770,13 não é justo para um trabalho tão responsável!), acredito que não desistirei dessa jornada; lidouvido que terei paciência de Jah para esperar pelos dias melhores que virão (não somente no verão, mas em todas as estações) ao Primavera, à minha casa. Não confundam essa atitude com resignação cristã, pelo amor de Dadá! O que estou a escrever é que meu compromisso em trabalhar por melhorias na educação pública vai ser algo mais do que heroico, será, então,  terráqueo, terreno, pessoal, humano. Gente vale mais do que dinheiro; todos sabemos disso. Às vezes, não nos-esforçamos para prová-lo. Aí, portanto, o que ocorreu comigo.

Porém (as adversidades me-perseguem?), desta vez, estou ciente de que esse compromisso será testado tantas vezes. Repito: estarei pronto, principalmente, pra “suportar Antônio", sensibilizar Pedro, fazer renascer Renato,  tornar irmãos João e Ivan, admoestar Moacy; seja o que flor! É, na minha primeira passagem pela escola pública, eu confesso que não passei no teste. Não consegui suportar a realidade nova daquela escola, tamanha a desordem nela e na minha cabeça, ainda pequena pra compromisso e sacrifício dessa qualidade. Esse foi, portanto, o segundo motivo que aceitei pra que saísse da escola pública em 1997, depois de passar em segundo lugar no concurso, em 1996. Não suportei as adversidades que os “adversários da solidariedade”, dentro da escola pública, propagavam. Um ato gratuito, o meu? Não no-sei, julguem-no vocês. O certo é que a desorganização voluntária, o despreparo técnico e humano dos profissionais, a ocorrência até de crimes contra à infância e à adolescência (um professor quis-me-ensinar como prostituir alunas com a “técnica de pagar uma merenda pra elas”) foram muito eloquentes para me-silenciar, afastar-me dos meus propósitos. Sim, não tenho vergonha em escrever isso, mas fico envergonhado por não ter tido maturidade e esclarecimento pra denunciar esse professor canalha. Ainda mais eu, que já sofri assédio dessa gente descompromissada com a educação. Mas deixa comigo, que, hoje, eu tenho sabão e água pra essa roupa suja que eles usam, e eu lavo.

Assim, para que a minha vida na escola pública seja longa, estou estudando bastante para comportar-me como a regra manda, para ser um educador de verdade, como sempre o-fui, ainda que, no início, tenha fraquejado. Porisso, estou-me-reescrevendo para tanto trabalho, tanto “sacro ofício”, na medida da divina humanidade que esse ato encerra. Estou pronto, por exemplo meu, para não deixar que a violência invada a escola, a sala de aula, a biblioteca, as nossas almas (colocadas aqui não somente para efeito sonoro). Portanto, eu grito praqueles que trabalharão comigo nesse compromisso de civilidade e aos meus futuros pupilos este meu poema de escola de poesia, muito fino e curto:





escola & biblioteca nacionais revisitadas por dois brasileiros poetas

os cartazes pedem às vozes
(mesmo que não sejam loquazes)
um silêncio com volume sepulcral

os profissionais – professores quase
aposentados – vigiam a indisciplina
de alunos de castigo: deslocados

os livros são títulos reescritos de Oswald:
a Criança abandonada no século XXI
O Doutor Coppelius Faz Milagres
Vamos com Ele (a Volta)
Senhor Primavera: o Poeta bairrista
código do Crime Brasileiro
a Arte de Ganhar na política
o Arador impopular de Versos
O país em ChamaS

(Em frente à escola da comunidade, numa quebrada do país.)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Primeira prestação: pago elogio ao Senhor Leonardo da Senhora das Dores Castelo Branco no seguinte texto


Quando tal brasileiro piauiense nasceu, era ainda o Século das Luzes. O finalmente de revoluções inglesas, francesas, europeias. Conosco (menos ideias, mais ganância), Portugal, metrópole; Brasil, colônia. Época de que ainda há tantos registros, pois caneta-tinteiro, papel e maquinaria gráfica (valeu a sacada dos tipos móveis, Gutenberg!) não faltavam a quem quer que tivesse estudo e acesso a tais poderes da Idade Moderna. Leonardo de Carvalho Castelo Branco teve-os.
  
Contudo, quanto à sua educação, o que se-sabe é que ela não foi formal, ou seja, não estudou ele em colégios de padres jesuítas, osquais eram àquela época a única opção “oficial” que a metrópole oferecia (quem tem grana pra estudar em Coimbra?), já que na Terra Brasilis visava Portugal à economia de exploração, sobretudo. Diferentemente das Américas espanhola e anglo-saxã, onde as universidades foram implantadas muito antes do que as do Brasil. E ficou pior ainda depois que Pombal sentou a lenha na Companhia de Jesus pra eles não atrapalharem o lucro da Coroa. Imaginem, então, como seria a cena num Piauhy do final do Setecentos, que antes já havia sido “terra, casa, de piagas”, gravada Piaguí, Piaguhy, Piagoy e Piaguhi, e que passava dos currais (“terra de gado”!) às vilas de uma capitania, às cidades, à cidadania.   


Por conta desse isolamento de sua província, em que o analfabetismo grassava, Leonardinho, mesmo sendo apatacado, foi alfabetizado pelo pai Miguel de Carvalho e Silva, que havia estudado em colégio de jesuítas. Assim foi que esse menino, instruído de Português, Latim, Geografia, Física e Matemática, tornou-se o pai de um Herói nacional, de um Poeta pré-romântico e de um Filósofo-Cientista religiosamente concebido. Do Herói e do Filósofo-Cientista, mesmo que haja registro deles (cadê o termo de proclamação da independência, redigido e assinado por Leonardo de Carvalho Castelo Branco (ainda não era da Senhora das Dores) em 24 de janeiro de 1823, em Piracuruca, oqual foi usado como prova contra ele, em seu julgamento, na Ponta da Areia, em São Luís, em março desse mesmo ano, e a Astronomia e a Mecânica Leonardinas?); dessas duas personalidades, gostaria de realçar apenas que são esses compromissos de Leonardo (com a pátria e com o conhecimento humano), juntamente com os seus haveres, que possibilitaram as cinco publicações como Poeta, em Lisboa, de duas obras: uma, intitulada Poema Filosófico O ÍMPIO CONFUNDIDO OU REFUTAÇÃO A PIGAULT LE BRUN, em 1835, 1836 e 1837; outra, O Santíssimo Milagre, em 1839, aqual, segundo Luiz Romero Lima (Literatura Piauiense. Teresina: Fundação Quixote, 2007.), foi publicada em duas versões (versinhos?), em versos decassílabos e em versos redondilhos (maiores e menores); além de uma outra obra literária publicada no Rio de Janeiro, em 1856, A Criação Universal
  
Quase dois séculos depois, o que temos desse ilustre brasileiro piauiense nas memórias e nas estantes de nosso país ou, mais particularmente, de nosso estado? Nada. Somente o conhecimento vago dessas publicações, asquais o próprio Leonardo levou a cabo, e algumas confusas informações sobre o ano de nascimento, o seu nome e a interpretação de sua obra poética, escritas por críticos, não raro, relapsos e desinteressados. Aliás, nada, vírgula! Ao menos, ainda há os exemplares originais dessas obras: de A Criação Universal na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e de O Ímpio Confundido e O Santíssimo Milagre, na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa. Em Teresina, pelo que já li e percebi, há, sim, quem tenha um exemplar de cada uma das três obras que compõem a tríade poética de Leonardo da Senhora das Dores Castelo Branco.
   
Para a comprovação (bem ao gosto de Leonardo) de fato tão óbvio & ululante, basta que não esqueçamos que o exemplar de A Criação Universal que foi furtado do Arquivo Público, em Teresina (na década de 1980?), ainda deve estar na cidade, na casa do facínora egoísta, desse barato ladrão de livro caro, queridíssimo. Por que não tirou-lhe uma cópia e o-devolveu, seo cretino? Você nunca poderá publicá-lo? Vamos, invente um jeito, diga que foi ao Rio de Janeiro e conseguiu uma cópia lá, na Biblioteca Nacional, seo zé-mané; porque eu ainda não li nem ouvi falar (e eu muito espero que seja um lapso meu, nesse caso!) de publicação nenhuma do Departamento de Letras da Universidade Federal do Piauí (UFPI), pelo projeto “Reviver”, conforme nos-informam Valdemir Miranda de Castro e Francisco Miguel de Moura no artigo A Trajetória de Leonardo das Dores Castelo Branco, acessado em janeiro de 2010, no sítio eletrônico http:/www.piracuruca.com/. É, se Alberto da Costa e Silva, quando embaixador do Brasil em Portugal conseguiu uma cópia do original e doou-a a UFPI para posterior publicação, por que o Departamento de Letras e a editora da universidade não no-fizeram ainda? Que ignorância é essa, minha gente? Pelo amor de Dadá (um Deus do Primavera, meu bairro), queremos ler Leonardo!



Quanto a tríade épica de Leonardo da Senhora das Dores Castelo Branco, quem escreve sobre a existência de um exemplar de cada um desses livros em Teresina é Luiz Romero Lima, no já citado Literatura Piauiense. Leiam: “Aqui faço o meu agradecimento, de público, a várias pessoas comprometidas e interessadas da Geração Pós-69, que me possibilitaram acesso às cópias dos originais das primeiras publicações da tríade épica (...) de Leonardo da Senhora das Dores Castello Branco”. Não sei em que sentido essas “várias pessoas” são mesmo “comprometidas e interessadas” em publicar Leonardo, se a primeira edição do livro de Romero é de 2003 (sete anos!) e, talvez, eles já tivessem essas cópias muito antes desse ano, talvez há mais de 10 anos! Que compromisso, que interesse... Nossa, estou comovido.

Não a obra poética de Leonardo interessa divulgar; não, o seu nome honrado de Herói, de Filósofo-Cientista e de Poeta dessa pátria que o-pariu! Compromisso com o olvido. Interesses egoístas. Na contramão do book crossing (se você ainda não conhece essa atitude contemporânea descompromissada (mas comprometida com as causas solidárias), vai até o sítio eletrônico www.bookcrossing.com). Mas eles não perdem por esperar, Leonardo. Haverá ainda quem se-arrependa e desenterre teus ossos, vivos em cada verso de teus cantos. Ou quem os-ache ao cavar tuas memórias.

Enquanto não, leiamos quem leu e elogiou nosso vate conterrâneo. O soneto, que foi publicado na edição de 1837, é singelo e um tanto revelador de alguns temas e argumentos de O Ímpio Confundido. Vamos à composição:






quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

ARREMEDOS DE POESIA VISUAL



(Poesia foto-plástica. Jorge de Lima. 1941.)








Caro Prato


Sem nenhuma Etti................................................Queta

O amor fugiu do Card.........................................Ápio

E quem pagou o P.................................................Ato?


Depois de ser.........................................................Vido

Como o-foi F.............................................................Rio

Alguém morreu de Fo...........................................Me?









me-salvo-te

arquivo os dígitos desse
dito a-mor num outro arquivo
fora de mi      cro: vírus
                m












das operações fundas & mentais às suas divisões

aparsomados

       eu
   +  tu
 ________
      nós


moendo o minuendo e subtraindo o resto

    + eu   - tu
     - eu  + tu
____________
         s.ó.s.


um novo fator ordena alterações ao produto

       ela
    x  eu
 _______
     ohs!



(Luiz Filho de Oliveira. BardoAmar. Teresina, 2003/2009.)

 


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

VIGÉSIMA QUARTA DO BICHO-HOMEM: DA (DÁ?) DISCUSSÃO ACERCA DO SEXO DOS HOMENS E DOS DIREITOS DA MULHER


  

         Não vou dizer que não sei por que o conteúdo deste texto passa pela sexualidade dos homens e pelos direitos da mulher, porque sei muito bem que algum ledor do que escrevo não acreditará nesse clichê, saída em que muitos entram por carência de estilo. Sei mais ainda que nada sabia quanto a chegar a escrever disto, porquanto buscando algum poeminha pra divulgar neste blog, dei de testa-à-tela com alguns. Mas notei que três deles tinham versos que remetiam aos temas citados acima.
Na verdade, como esses poemas estavam gravados em páginas diferentes e um tanto distantes, somente percebi a ligação depois de ler o último deles (Mulherismo em cantigas doutros sítios) e fazer uma conexão de ideias em torno do questionamento que fiz ao ler estes versos do poema Lei do Sexo Complementar: “Artigo último:/ Todo Homem livre é/ para amar (uma?)/ qualquer mulher”. Por que não “universalizar” esse artigo-estrofe do poema, tornando seu conteúdo mais panssexual, ou seja, por que somente a visão heterossexual se há a possibilidade do toda-maneira-de-amor-vale-a-pena? Claríssimo, como já escrevi em outras postagens anteriores, que a minha posição é de homem que ama uma mulher, de modo e conceito particulares. Porisso, eu tinha escrito desse jeito; mas, há algumas linhas, reescrevi o poema assim:

Lei do Sexo Complementar

Artigo último:
Toda maior pessoa livre é
para amar outro ser humano
(se ela puder): homem ou mulher.

Parágrafo triplo:
Ressalvados uns casos,
o Amor de que se-trata,
muito, será bem tratado.

Inciso incisivo:
O que for retrogado
não considerará as
disposições, ao contrário.

Alínea desalinhada:
Aquele que não dispuser de cargo
para desposar os dispositivos desta lei,
deverá ir queixar-se à casa do caralho!


           Não somente para tornar a “Lei” mais abrangente, mas, reescrevi a estrofe, para não desconsiderar os homossexuais, pois conheço muitos deles (incluindo as mulheres de Lesbos), com os quais trabalhei e suportei a colegagem (“É preciso suportar Antônio”, Carlos!) e, com poucos, amizade. O certo é que, como segui a regra nesses casos de sexo, também fui “normal” com minhas amizades: nelas, sempre pesaram a minha opção sexual, mesmo que, para os outros isso possa parecer preconceito. Antes de tudo, é minha preferência que vale!
           Ademais, eu procuro respeitar a todos, desde que seja respeitado. Às vezes, fica difícil, claro, pois nem todos os homossexuais são resolvidos (estou falando das “meninas”). Nisso, há uma grande verdade: homossexuais mal resolvidos são uma calamidade. Pra todos. Não adianta mesmo, neném; no final, todos sabem quem é quem.  Além disso, mesmo que sexo não seja mais um conteúdo bastante polêmico, em se-tratando das “relações naturais”; como nomeava o dramaturgo gaúcho Qorpo-Santo o “papai-mamãe” de cada dia entre homem e mulher; neste novo século, a sexualidade dos homens, a despeito de toda a educação sexual já admitida pela sociedade, é algo ainda bastante desconfortante. A dita sociedade civil organizada (lembra mesmo uma partida de futebol) joga no time que defende a área da heterossexualidade com uma zaga retranqueira e porradeira. Não é à toa que muitos homossexuais (incluam-se as mulheres) procuram casar e ter filhos justamente para justificar sua condição de héteros neste mundinho heterautoritário. Certo, elelas viram papais e mamães; e o errado?
           Erra-se quando se-procura ver a situação com vistas grossas e olhares oblíquos de religiões ou organizações políticas. Essa nova geração de crianças e adolescentes nasceu dentro de um espaço em que os seres humanos começam a pesar os fatos e agir em resposta, pensando no peso do planeta Terra pra nossas vidas. Gentes com juízos um tanto diferentes pela possibilidade que encerram. Temos a oportunidade de ensinar-lhes a cidadania contemporânea do respeito às diferenças. Nada de hipocrisia. Nada de Xuxa querendo calar a Boca do Lixo metendo a mão no Bolso do Luxo. Não. Nada de igrejas querendo discutir o sexo dos homens, que discutam o dos anjos! Nada de políticos homossexuais querendo emendar as leis com censura a seus pares, tendo eles saído à noite anterior com um garoto de programa, sabendo nós que esses parlapatões parlamentares são gays que se-casam pra provar que são Homens com H! Poder de ficção. Mas, por que fazer um papel desses? Por que essa trairagem?
           Respostas tantas, a essas perguntas. Valores que precisamos estar sempre avaliando estão em cena pra serem pesados com a leveza dos humanos direitos. Todos são livres pra amar quem quiser, com ou sem sexo. Mudando de pau pra cacete (com e sem trocadilho): no caso dos héteros, por exemplo, por que pessoas casadas ou acasaladas (sem essa de bobagem de cristianismo ou qualquer Lei civil, estou escrevendo sobre ética!) ainda assediam outras pessoas, se elas podem ser livres? Comodismo? Tara? Negócios de família? Medo?  Quem sabe responde. O sexo é que, nas lutas de classe, de raça e de poder,  os desclassificados opressores dos negócios se-armam dessas taras, extasiados com a possibilidade, dados  a posição, a cor e o cargo que exercem, desejam rasgar a carne da presa, no abate, num apart hotel. Não há nada mais aviltante pras sociedades civil e comercial do que esse tipo asqueroso de gente. Que companhia ilimitada! O assédio é a sevícia do ego pelo sexo. Leiam-no em duas versões da nossa história:


Playboss: a serviço do assédio

As empregadinhas
que se-cuidem,
o sinhozinho  – 
sujo! – já comeu,
na pequena senzala,
todas as escravas;
e o patrãozinho
(tá limpo, cara!),
 aqui, na fábrica,
já “está armado”.

Quem está sendo
cuidada para ser
coitada, de quatro?
Não há câmara nupcial,
minha camarada. Ele diz:
“Não vai doer nada!”
E cuidado: tem de ser
muitíssimo macha para
denunciar essa porrada
na cara da macharada!


           Ainda bem que há muita mulher-macha-sim-senhor. Conheço tantas. Safo de Lesbos, por exemplo, que professora, que poeta, que pessoa! Ego de mona kateudo. Que passado lindo de respeito e consideração. E amor com sexo, sobre tudo. Hoje, podemos querer receber o presente;podemos discutir sem brigar, sem censurar sem censura: Maria da Penha é muitos milhares de mulheres numa identidade só. Haveremos de pensar um melhor consenso. Há de haver tanta Marcha da Diversidade. Muita Lei de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. Há tanto que consolidar essa ética sexual nos futuros habitantes das cidades, civitas, civitates
           Contudo, mais atenção, uma macharada: onze mil e trezentas e quarenta mulheres lutaram contra machos machistas e violentos . Quem ganha? A humanidade. Leia, então, a estética, a postura e a luta de uma delas, de um grupo desses:


Mulherismo em cantiga doutros sítios

A Amazona,
nessas tribos, urbana,
fez uma plástica e tanto e res-
suscitou com silicone o seio em branco.

A Amazona,
nessas zonas, franca,
hoje, monta uma moto Honda e
tira uma onda da cara dos bobomens.

A Amazona,
nessas selvas, concreta,
vai encarar o dia em frentes e
lutará contra o homesmo de sempres!


            Que todos possam assumir seu lado sexual sem agir com hipocrisias (da política à religiosa) e que possam agir em nome do caráter educativo e de cidadania apregoado pelas sociedades contemporâneas. Que aqueles que desejam possam ser do sexo que desejam. Que, todos os anos (de todos os tipos, não somente os julianos), essa gente seja feliz. Desejos direitos e deveres. É isso que lhes-desejo.


P.S.: O texto acima não foi escrito pra carapuça de seo ninga e o roso (deixa o Rosa falar por mim) do texto, oqual, dos campos de concentração, foi sublimado às passarelas, foi usado para dar o tom carnavalesco deste trocadilho chulo: a Mangueira entrando...