terça-feira, 24 de março de 2020

DAS BOCADAS INFERNÉTICAS


Assalto à mão teclada

Com a tela encoberta toda
por um tecido de códigos,
cobrindo o rosto de propósito,
um hacker le-assaltou agora,
há segundos atrás num chat,
quando le-apontou um mouse velho
e levou do bolso do poeta o quanto
ele teclou texto em sua conta.
– Copylantra!



(Luiz Filho de Oliveira. Das Bocadas Infernéticas. Editora Penalux: Guaratinguetá, 2016.)

DAS BOCADAS INFERNÉTICAS


Poeseu com Objetiva*

(Fala um dos dois poetas, distantes mil tons.)

– Ih, Millôr é o mió!
É só o mie-da-pipoca!
Eh, fulerage da peste!
É o que vejo com esta joça.

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* Esse poema foi escrito estando o Guru do Méier ainda vivíssimo em pessoa, no início do séc. XXI (xi!), em seu-mestre-mandou, ao milloriano “Poeminha sem objetivo”.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Das Bocadas Infernéticas

A blogar uma carta satírica de Vila Rica a tristes Brasílias


Ó Cláudio, Tomás, Doroteu, Critilo,
minhas saudações, ainda que tardias!
Cumpre a mim refletir o mal vivido
nesta missiva, que ao povo analisa,
novamente, as cenas, se pôr digo
tal pena moderna-pós, o teclado,
no mal que não vem de Chile, de fato;
a glosar este mote, teclo à Rede e
“sei que o que les-escrevo são verdades
e que vêm muito bem ao nosso caso”.

As peripécias, as mesmas, caríssimos,
e, Poeta, com meu vício, teclo às páginas
dos grandes do país e dos pequenos
os casos do mal vivido, na intriga:
a putinha ainda dá a justo soldo
e, nua, ela continua bem vestida;
os religiosos (gozosos) devoram
homens, mulheres, meninos, meninas;
os governantes, públicos agentes,
comerciantes, policiam incestos,
que mantêm com a enxerga da justiça!

Também não poderiam ser diferentes
as consequências que provêm disso:
o avesso é, sim, excelente exemplo!
Por que não le-apresentar, pois tão caro?
É certo que nem todos têm os olhos
que um Tomé teve pra ver de perto:
o poder de milícia à Vila Rica
hoje é política, Critilo – sério! –,
já que a pizza dos deputados é
prato cheio prouto golpe, Senado!

Tudo caminha prum mesmo lugar;
se o dinheiro vem do cofre, bem sujo –
“Tá branco, lavadas verdinhas banco:
governo é injustiça; um homem, dinheiro!” –
e, se a milícia corrupta hoje no país
coage o povo como antes, isso faz
parte desses negócios com os ternos.
De fato: a força força a porta, o muro!
Sempre foram aptos ao optar os corruptos
pelas finíssimas mãos fidindignas!

E mais: quais religiosos conseguem –
quem sabe a punhetas ou outras técnicas –
ficar sem fazer delícias com o sexo
pelo tempo que dizem amar seus deuses?
Aqui, padres, pastores, pais de santo
comem seu rebanho até em seus templos,
o que hoje é fácil de provar, exemplos
há tantos, prova gravada: movimento!
Ah! mulheres, o de sempre: conventres
cobertos em catre santo, fazendo...

Que esses agentes, públicos, privados,
sagrados, laicos, reais, literários,
sejam o que devem ser neste espetáculo;
visto que este texto está a gravá-los
vestidos de improviso fora do ato.
Sabem os grandes, meus Tomás e Cláudio,
que o público da informática máquina,
não rechaça a chance de gravar,
seja de Paços, gabinetes, pastas,
tantas cenas de ilícitos cortadas.

Apois, não apostem se uma postagem
não pode escrevinhar a imagem sua,
ou se uma dessas câmeras não grava
seus truques por vídeos ou fotográficas
imagens vivas em voz telefônica,
“que dessas insolências que les-conto
não só pode ver quem mora no Chile”:
a Rede toda assiste, lê, responde.
Salve esses parentes da carta anônima,
que ora incitam tristes Brasílias de hoje!


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* LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. Ed. Penalux, 2016.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

DELEITURA SATÍRICA




CANTIGA DE BOSO RODAR

- Lagarta printada,
quem foi que te printou?
- Foi o Boso caganeira,
que, por aqui, cagou!

No templo da igreja,
lavava dinheiro!
- Puxa, lagarta,
do nosso governo!!



domingo, 31 de dezembro de 2017

DELEITURAS LÍRICAS



Haicai no balaio

Essa gata (sem alarde)
está pisando um caminho
contrário ao de Ariadne.


Luiz F. de Oliveira

BardoAmar




Oráculo principal

Bem dentro de ti campo
este canto de trigo enigma:
cativa-me-devora!


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(LFO. BardoAmar. Teresina: Edição do Autor, 2003.)