segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Das Bocadas Infernéticas
A blogar uma carta satírica de Vila Rica a tristes Brasílias
Ó Cláudio, Tomás, Doroteu, Critilo,
minhas saudações, ainda que tardias!
Cumpre a mim refletir o mal vivido
nesta missiva, que ao povo analisa,
novamente, as cenas, se pôr digo
tal pena moderna-pós, o teclado,
no mal que não vem de Chile, de fato;
a glosar este mote, teclo à Rede e
“sei que o que les-escrevo são verdades
e que vêm muito bem ao nosso caso”.
As peripécias, as mesmas, caríssimos,
e, Poeta, com meu vício, teclo às páginas
dos grandes do país e dos pequenos
os casos do mal vivido, na intriga:
a putinha ainda dá a justo soldo
e, nua, ela continua bem vestida;
os religiosos (gozosos) devoram
homens, mulheres, meninos, meninas;
os governantes, públicos agentes,
comerciantes, policiam incestos,
que mantêm com a enxerga da justiça!
Também não poderiam ser diferentes
as consequências que provêm disso:
o avesso é, sim, excelente exemplo!
Por que não le-apresentar, pois tão caro?
É certo que nem todos têm os olhos
que um Tomé teve pra ver de perto:
o poder de milícia à Vila Rica
hoje é política, Critilo – sério! –,
já que a pizza dos deputados é
prato cheio prouto golpe, Senado!
Tudo caminha prum mesmo lugar;
se o dinheiro vem do cofre, bem sujo –
“Tá branco, lavadas verdinhas banco:
governo é injustiça; um homem, dinheiro!” –
e, se a milícia corrupta hoje no país
coage o povo como antes, isso faz
parte desses negócios com os ternos.
De fato: a força força a porta, o muro!
Sempre foram aptos ao optar os corruptos
pelas finíssimas mãos fidindignas!
E mais: quais religiosos conseguem –
quem sabe a punhetas ou outras técnicas –
ficar sem fazer delícias com o sexo
pelo tempo que dizem amar seus deuses?
Aqui, padres, pastores, pais de santo
comem seu rebanho até em seus templos,
o que hoje é fácil de provar, exemplos
há tantos, prova gravada: movimento!
Ah! mulheres, o de sempre: conventres
cobertos em catre santo, fazendo...
Que esses agentes, públicos, privados,
sagrados, laicos, reais, literários,
sejam o que devem ser neste espetáculo;
visto que este texto está a gravá-los
vestidos de improviso fora do ato.
Sabem os grandes, meus Tomás e Cláudio,
que o público da informática máquina,
não rechaça a chance de gravar,
seja de Paços, gabinetes, pastas,
tantas cenas de ilícitos cortadas.
Apois, não apostem se uma postagem
não pode escrevinhar a imagem sua,
ou se uma dessas câmeras não grava
seus truques por vídeos ou fotográficas
imagens vivas em voz telefônica,
“que dessas insolências que les-conto
não só pode ver quem mora no Chile”:
a Rede toda assiste, lê, responde.
Salve esses parentes da carta anônima,
que ora incitam tristes Brasílias de hoje!
_______________________________________________
* LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. Ed. Penalux, 2016.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
DELEITURA SATÍRICA

CANTIGA DE BOSO RODAR
- Lagarta printada,
quem foi que te printou?
- Foi o Boso caganeira,
que, por aqui, cagou!
quem foi que te printou?
- Foi o Boso caganeira,
que, por aqui, cagou!
No templo da igreja,
lavava dinheiro!
- Puxa, lagarta,
do nosso governo!!
lavava dinheiro!
- Puxa, lagarta,
do nosso governo!!
domingo, 31 de dezembro de 2017
Onde Humano
EM CENA CANTA O POEMA
da minha janela............................................... para ti
mal dita personagem dos ares terrenos
não digo que havia as medidas da fala de Hamlet
mas sei que em outro tanto beleza havia e pensamento
mesmo seguindo por distintas cenas distantes
por tantas que vindo e vendo meu olfato lento
compreendo acima de tudo por que te-anojaste
ao ver o humano abaixo a tua frente
esse bicho na terra tão pequeno
mal dita personagem dos ares terrenos
não digo que havia as medidas da fala de Hamlet
mas sei que em outro tanto beleza havia e pensamento
mesmo seguindo por distintas cenas distantes
por tantas que vindo e vendo meu olfato lento
compreendo acima de tudo por que te-anojaste
ao ver o humano abaixo a tua frente
esse bicho na terra tão pequeno
claro... aí de cima há tanto espaço pra julgamentos
quanto o-faço nestas ex-brancas páginas
como não querer sujar o de baixo então
se ele é todo metido à presunção de humano ser
de querer estar o maior de todos os mundos
quanto o-faço nestas ex-brancas páginas
como não querer sujar o de baixo então
se ele é todo metido à presunção de humano ser
de querer estar o maior de todos os mundos
e nesta terra de línguas babélicas
em que não és mais hieroglífico
uma nossa mãe egípcia bem antiga
onde digo ser um teu simpatizante amigo
e num azul e branco e cinza dessas correntes
em que crucificado marmoreamente estás
a planar sobre todos os planos e
paisagens e cenas e móveis gentes
vejo tal imagem tua de estátua em movimento
sob um sol sempre novo a te-organizar o organismo
nessa tua assepsia incrível
em que não és mais hieroglífico
uma nossa mãe egípcia bem antiga
onde digo ser um teu simpatizante amigo
e num azul e branco e cinza dessas correntes
em que crucificado marmoreamente estás
a planar sobre todos os planos e
paisagens e cenas e móveis gentes
vejo tal imagem tua de estátua em movimento
sob um sol sempre novo a te-organizar o organismo
nessa tua assepsia incrível
e penso teu dia teu expediente
funcionário dessa funerária sem limites
que compartilha conosco pacientemente
parte da sujeira destes santos campos seculares
onde o corpo sem o odor dos valores
é um sabor baldio em todos os terrenos
funcionário dessa funerária sem limites
que compartilha conosco pacientemente
parte da sujeira destes santos campos seculares
onde o corpo sem o odor dos valores
é um sabor baldio em todos os terrenos
(nota depois de reescrito o poema:
O poeta acima não conhecia ainda o dr. Quejando)
O poeta acima não conhecia ainda o dr. Quejando)
(Vendo urubus voando serenos.)
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Foto: Ernâni Getirana
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