domingo, 6 de janeiro de 2013

PRA SER POETA TEM DE LUAR

Imagem: Fases da Lua. José I. R. Neves. 2012.


Em qualquer fase, me-faze poeta, Lua!

Enquanto tu
minguantes novas
eu acrescento cheias
em quanto verso

E luo o que suo
novo e crescente
e cheio de minguantes
entanto satélites

Tu luas o crescente
cheio e fértil
e (minguante) eu novo
o quanto refletes

Enquanto verso
eu cheio o que míngua
tua nova crescendo
o tanto de poema


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA)


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

"E QUEM NÃO FESTA QUE NÃO SE-SINTA AFETADO NEM SE-AFASTE"

Imagem: arquivo Google



A dois
           
Um sexo
bem champanhe
baile de gala

A Baco & Ariadne
esse vinho em vida
brinde branco brinde



Falo em garrafa

De mim te-conténs
no-ME-estou-rar- EM-brinde
a tua taça sexo: MEnsagEM



Grafito labiríntico

Vem cá ver nas paredes destes versos
as formas com que tinto te-quero tanto
quanto te-encontrar os fios dos sentidos



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. BardoAmar. Teresina, 2003-12.)


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

MATO QUEM MATA A MATA A QUEIMADAS E A MOTO-SERRAS? MORTE CERTA!

Imagem: vivaterra.or.br



Desoração pela desolação da mata a morrer na sala de nossas telas

Ó Magos da Ordem dos Cários!
Ó Sumés! Ó Piagas dos Carnutuns brasileiros!
Ó Pajés dos Caruanas de Marajó!

Protejei a Floresta de bior-
-roubos-e-furtos de seus filhos & frutos!
Deixai-a de pé para dar sombra da Amazônia ao amanhã!

Vigiai, que nem todos são Darwins ou Schwennhagens!
Por serem um tanto especiais essas novas especiarias, estudai
o quanto essas novas drogas de índio velho pra gente podem ser pai, País!



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2012.)


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"e.tinto.meus.impulsos.sobre.teus.acessos: e.teclas"


Imagem: cdeassis.wordpress.com



outonal tua roupa em meu e-mail

onde respostas (vírgulas,,,)
te-abro-me tal página pontos-com (e ponto!)
tu ainda me-desfolhas-te entre linhas (interrogo?)



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. BardoAmar. Teresina, 2003-12.)


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

UNITED STATES OF PIAUÍ

Imagem (Google): Luiz Gonzaga


caBRum!*

sem nuvem de poeira
(e zabumba pandeiro sanfona triango) –
é de concreto fino o terreiro –

o forró ficou elétrico: fashion
com guitarra teclado baixo batera
flyer hi-fi entrada (não cota!)

mas lá ainda chove cabrita chic
no chiqueiro desses cabra macho
pras gatinha hoje "os gato"


(Num forró que, sem ser for all, continua forrobodó.)



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Onde Humano. Teresina: Nova Aliança, 2009.)


_________________________
*A Maurício, lembrando de suas HQs que, não de-nelson**, são de Sousa.
** De-nelson (piauiês): que não vale nada, de brincadeira.



terça-feira, 4 de dezembro de 2012

FOGO-APAGOU ASCENDEU À CHAMA POÉTICA: A VIDA

Imagem (Google): Rolinha Fogo-apagou (Columbina Squammata) 


num canto maior à tarde um poeta vida uma ave

Primavera em maio
meu bairro exala um canto
e eu canto outra Fênix

Do ninho no galho 
da árvore a ave canta
e encanta nova mente:

Fogo apagou! (cinzas)
Fogo apagou! (Chispas)
Fogo apagou! (VIDA)




(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Onde Humano. Teresina: Nova Aliança, 2009-2012.)


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

EU NEGRO UNS POEMAS


Eu inscrito à pele em fala ao poético de Hughes

– Eu sou negro mesmo,
como os meus antepassados todos,
passados na África, antes da Diáspora trágica!

Eu estudo no Brasil, numa escola pública;
aqui se-comemorou a Abolição da Escravatura,
mas só se-falava na tal da canetada no gabinete da princesa!

Eu escuto umas histórias,
cantadas por minha velha vó negra,
e ela fala dos sofrimentos de uma raça caçada!

Eu leio uns escritores negros;
com eles, eu aprendo a ser eu mesmo,
fragmento reunido a outros em continente novo!

Eu canto umas canções antigas,
respostas de bocas sabidas magistas;
a fazer o trabalho virar em cigarra a formiga!

Eu escrevo uns poemas negros,
em que o espelho sou eu e todos os outros mais velhos;
para falar aos mais jovens sobre o peso de estar ser negro!

Eu construo um futuro, agoraqui, passado
no alho, nos olhos, nos atos, nas positivas palavras ,
atitudes de afirmação de orgulho dos que são da cor da noite!

Eu jogo capoeira na América brasileira,
arte-manha das armas do meu corpo musculoso;
Ginga, que, Rainha, vinga luta contra a opressão do meu povo!

Eu danço, livre mente, mesmo;
marcando, com passos alegres, a tristeza do meu canto,
tradição traduzida para as raízes do blues, jazz, reggae, samba!

Eu ensino numa escola,
superior àquela que em ontens me-deram,
para ministrar o caminho que o mundo africane (creio)!


 Langston Hughes


Antelei Negra ou Lei Clara de Luiz Gama

Se o corte do grito for executado homicídio
por um escravo, na pessoa do opressor – claro! –,
perante o Direito de todos, estará ressalvado!

Todo humano a ser escravizado
(escuro!) tem o direito do punhal
para rasgar qualquer naco de liberdade!

Apois, todo crime discriminado
como sendo uma verdadeira defesa legítima,
legítimo, para os Juízos, será e não considerado!

Toda disposição em contrário,
como gera reação à geração da vida escrava,
encontrará contrários levantados com armas contra ataques!




Luiz Gama




Ex-Klu-Klux-Klu-Ídos
(Cantiga maldizente tirada da TV como notícia)

Isto quase ninguém viu, ouviu;
dito, entre vistas ou vidas, por Chico
(depois de tantos séculos da ruda Diáspora):
No Rio, Carlinhos e sua Filha com o Filho
foram considerados, sem ambiguidades,
pelos podres de rico dum condomínio chic
(com tanta grana quanto!), persona non grata!

E eles só vinham da Bahia, tipo férias,
e o Rio dessa gente burra e perversa
desaguou rios de preconceito-fera,
cópia mascarada dum país mais velho
nesse mau exemplo de quem pensa
ser tope de linha, mora?
Repito (perito!):

Foi no domínio de feras;
condomínio, férias, vindos da Bahia,
os três, sem Rio de Janeiro.

Foi no Rio de Janeiro,
vindos (férias!) os três da Bahia;
condomínio de feras – sem domínio?



Carlinhos Brown



Sem essa de correta política nestas leituras em negrito

Foi um negro de sorte,
ganhou uma nota preta: carvão!
Agora, verde a sexta-feira treze!
Então, deixou outro bilhete no quadro negro
da escola em que trabalhava, professoral:
“Estou podre de rico, mudei de sala.
Adeus, amigos, vou trabalhar noutra praia”.
E naquela noite negra, estreluarada, viva,
saiu levando brilhos somente dentro de si
legando ao Poeta seu primeiro Poema Negro.



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2012.)




segunda-feira, 12 de novembro de 2012

DAS BOCADAS INFERNÉTICAS


Gregório de Matos

Envite aos vates assinalados a jogar o chiste abaixo assinado

Responda se for fácil:
poderia o Horácio
gozar em Gomorra?!
– Eitaporra!

E o divino Dante
abarcaria uma bacante
num inferninho, na zorra?!
– Eitaporra!

Será que o Gregório,
à porta do empório,
gozou a civil gorra?!
– Eitaporra!

E o nosso Gonzaga
toparia essa parada
de arrochar a corra?!
– Eitaporra!

Que diz o Bernardo,
que o Pajé não “tá armado”,
que não adora a pachorra?!
– Eitaporra!

Então, o Luiz Gama
a bodarrada chama
para prazer as cachorras?!
– Eitaporra!

Mole, o Bananére,
aquele que escreve
até que esporra?!
– Eitaporra!

Seria pastor o Oswald,
em nosso arrebalde,
de ovelha chamorra?!
– Eitaporra!

E o Millôr, noutro agora,
muito novo, embora, 
diria “véi, não morra!”?!
– Eitaporra!

E o que pensa disso
o filho Veríssimo,
que é só a modorra?!
– Eitaporra!

E o tal do Chacal,
um vate marginal,
escreve sem porra?!
– Eitaporra!

É este poema, Poeta,
que desse time se-completa
a prender palavras forras?!
– Eitaporra!




(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura. 2012.)