sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ONDE HUMANO - , POETA LUIZ FILHO DE OLIVEIRA*

 Francisco Miguel de Moura**

Faz algum tempo que o poeta e historiador da literatura do Piauí, Herculano Moraes, criou a necessária Geração do Milênio, para classificar escritores realmente novos do final do século passado e começo deste, não os deixando cair na relação dos que ficaram conhecidos como Geração do Mimeógrafo (ou Marginal). E eu não me advertira ainda de que está havendo certa diferença a mais nos escritores (menos nos prosadores) deste começo século XXI.

Mas agora, lendo a obra de Luiz Filho de Oliveira, especialmente seu segundo livro, “Onde Humano, gritei para mim mesmo: Eis um poeta diferente, com sumo, com força, com raça, que merece ser distinguido dos de antes pela postura lingüística nova, sem querer imitar gregos nem troianos, clássicos nem modernos, apenas ser ele mesmo, a figura impar do que acontece no mundo, o poeta – em forma de palavra, língua, linguagem, poesia. Num poema de quatro versos, analisemo-lo quando ele faz  

questão de poesia 
deixe completo ou complete:
o verso é avesso à morte 
e por dentro & fora  
permanece __________

(Em espaço de exercício gramático-poético). 

Noutro poema, este bem maior, assistimos o despacho do onde humano, cujo título enorme não faz medo, mas ilumina o achado da poesia-humanidade, sem sumo de humanismo:  

poema armado a sua dessemelhante imagem

não lapida a palavra este poeta
mas a lapidar-elas¹ como poema 
físico-estético, sócio-linguístico 
arma 
este edifício funcional engenho 
erguido na pedra argila cerâmica 
papiro, pergaminho, papel tela eletrônica 
ao pegar da cunha do estilo do pincel 
à caneta esferográfica ao teclado em pixel² 
e sobe ao subsolo bem rente ao cume e 
desce os degraus rumo ao cimo e 
armado o poema resiste firme 
com o espaço destes elementos e 
veste tais paredes (estas linhas) e
arranha o céu dos sentidos 
o enésimo sétimo talvez sim 
pela engenharia do pedreiro 
pela forma livre do que 
em vida edifica texto: 
música ou poema 
sentido espaço........................humano construindo 

(Das preciosas pedras, em Pedro II, à do sal, em Parnaíba). 

Quero saber se o leitor, principalmente o comum, o mais sensível, compreendeu o desejo do poeta de arrancar do espaço e do tempo o impossível, o interdito, “a dor da força desaproveitada” que tão bem lembrou Augusto dos Anjos. Não falo dos poetas, eles entendem o que o leitor comum outrora chamava de loucura do poeta. Hoje, todos que consomem versos e poemas sabem muito bem.

Luiz Filho de Oliveira não precisa de prefácio, apresentação ou crítica. É um poeta pronto para saltos maiores: os de ter seus poemas publicados em editoras e vendidos em livrarias, assim como seu nome divulgado em antologias e dicionários, pois é o que merece.  Ele é um verdadeiro poeta Milenista, ou seja, deste século e do futuro, digo sem medo. Ele não vai desaparecer na multidão de poetas comuns, porque sabe o que quer, o que faz e aonde quer chegar. É muito bom quando a gente tem poetas assim, individuais, pessoais, inimitáveis, como são as criaturas do nosso mundo onde o indivíduo, a criatura é também o criador de si e do mundo em redor de si. Para o bem e a felicidade da arte. Porque a arte é isto aí: palavras, sons, silêncios, símbolos, imagens que transmitem o até então intransmissível: a poesia. E o poeta é um arauto do futuro, além de ser o intérprete do presente. Poetas e profetas – as raízes são as mesmas. Por isto é que são radicais. O estilo de Luiz Filho é radical e ao mesmo tempo racional. As explicações que ele dá às expressões assinaladas com (¹) e (²), nos versos acima, são de quem conhece gramática, linguística e línguas. Cai, assim, no número geral assinalado por Mário de Andrade: “só os poetas que sabem podem errar” – se alguém, por preconceito, achar que o poeta Luiz Filho erra nisto ou naquilo. Ele não erra, ao invés renova. E todos os poetas são renovadores, criadores. Benvido, poeta! Entre, a porta está aberta para a literatura, aqui e alhures.
                                              ____________________________
Notas numeradas:
 1. Lapidar-elas (p.16) - Falsa forma de brasileirismo, segundo Rui Barbosa. Na  verdade, trata-se de um lusitanismo conservado no falar do brasileiro,  em que se usa o pronome pessoal ele (e suas variações), como objeto do verbo, conforme cita Ismael Lima Coutinho em sua Gramática Histórica (Ao Livro Técnico, 1796). O próprio Rui Barbosa registra alguns exemplos, como o de Fernão Lopes: El-rei mandou-o logo prender,  e levaram ele e Mateus Fernandes a Sevilha. Além de citar esse exemplo, Coutinho acrescenta outros, dos quais Desque vi ela é o mais antigo, do Cancioneiro da Vaticana. Neste livro, o autor usou o hífen para destacar a relação verbo-objeto.
2. Pixel (pg.16) - Termo inglês, usado em informática para designar a menor unidade de formatação da imagem (fotos, desenhos, vídeos, etc.) em certos equipamentos eletrônicos.
________________
 *Luiz Filho de Oliveira, piauiense, nascido em 1968, em Campo Maior, já publicou dois livros: "BardoAmar", estreia em 2003; e "Onde Humano", 2009. Mora em Teresina, Piauí.
**Francisco Miguel de Moura, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras, da UBE-SP e da IWA - International Writers and Artists Association, Estados Unidos da América.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

CINCO POEMAS EM CARNE DE UM VIVO AMOR QUE GOZO & SINTO MUITÍSSIMO POR REESCREVÊ-LO EM SUZY REIS



em meta tua nua linguagem poética



sem oralidade: em fala de pedra
me-implicito-em-teus-ângulos-explícitos
com minha língua paisagem

como nenhum poeta ou bardo
em cantos canto algum ou carme
ousou poamá-los por lira tal


faço-o em oraliginalidade
de quando a onde: agoraqui
com linguadas de linguagem



taças... sei-os


santos graais gentios
cálices em falares vinho
gentis a transbordarem-

-se em meu verso são
ao toque deste chão
tomado de ais




zonal



cheiro de mulher madura
recendendo o tempo todo na sazão
dum pomar dos mundos deste mundo

fruto enquanto desfruto
esse gosto de fluida música
a me-tocar perfumes & colorações


no momento de beber a estação
nesta ação de entrar a carne doce
do bem que come de bem com a fome




estes versos são o canto são deste dia


a ti desbranco páginas tinto
enquanto velho um novo poema
tanto que sentido o sensível a estas telas


rituando traços humano-te tais vinhos
ao odor do tato de tuas taças... corpo
onde bebo verbo canto verso


nunca nosso sentido completo
apelo: poesia-me-a-cada-dia-o-quanto-linha-somos
por-que-te-fie-os-próximos-riscos




cantoAcântico


beijo-te-vinho
tão delícia quanto
a música poesia

leva-me tu corrente
gozalegria: humanamentecorpo
em mundano nu divino

minha mais que vide: vinhas
púrpura a mim... formosa
sol resplandecente sentido


sobre os campos por onde ando
se pelas telas teclo vulva sulco pelos seios
apascentando o terreno sexo

enquanto em cantos
amor fio... verso descompleto caminho
rumo ao IN: local universal


e brindemos pois quais taças manhecentes
e façamos amar transbordando a vida intensos
a saber os sabores sensíveis






(Luiz Filho de Oliveira. BardoAmar. Teresina: Edição do Autor, 2003-2010.)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Poema tirado de uma fotografia tirada um dia



olha a gatinha!


te-vejo clic!
sorrindo passarinhos
em felicimagem

se cores em quadros
te-frequento
FIlMe

(BardoAmar. Teresina, 2003.)



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

UM POEMA DE AMIGO NUMA CANÇÃO DESESPERANÇADA DE ALÉM





poema sem além para Neruda

que dirias tu (poeta)
se pudesses ler estes versos trabalhados
a uma humana homenagem tua?
sim... se pudesses pois creio:
não deve haver crença física em ser
uma vida o tal do mundo eterno

eu te-sinto sim (amigo)
nos espaços a que me-conduzes aqui
(pegada em tua mão a minha... página)
e no barro que deseja ser moldado forma 
(confeccionar do humo a força humana!)
e na palavra que voa página até a orla
(vagando tal onda em memória)

que posso esperar (poeta)
se eu também não disse nada?
se não fui as mãos que te-construíram
os caminhos por onde passaste pássaro
ou peixe ou barco ou nave ou palavra
ou somente humano: estados

ah... meu sereno chileno em tormenta
onde estou a terra a gente a vida estão
a ocupar este meu ser de teu clima: deste
de que me-aproximo para louvar a mar
a ti (amigo) que me-doaste a canção o grito
desesperados o amor o poema os sentidos
neste terreal paraíso



(Estando além do que poderia estar e querendo o Chile.)

(Luiz Filho de Oliveira. Onde Humano. Teresina: Nova Aliança, 2009.)




Las Manos Negativas

Cuando me vio ninguno
cortando tallos, aventando el trigo?
Quién soy, si no hice nada?
Cualquier hijo de Juan
tocó el terreno
y dejó caer algo
que entró como la llave
entra en la cerradura:
y la tierra se abrió de par en par.

Yo no, no tuve tiempo
ni enseñanza:
guardé las manos limpias
del cadáver urbano,
me despreció la grasa de las ruedas,
el barro inseparable de las costumbres claras
se fue a habitar sin mí las provincias silvestres:
la agricultura nunca se ocupó de mis libros
y sin tener qué hacer, perdido en las bodegas,
reconcentré mis pobres preocupaciones
hasta que no viví sino en las despedidas.

Adiós, dije al aceite, sin conocer la oliva,
y al tonel, un milagro de la naturaleza,
dije también adiós, porque no comprendía
cómo se hicieron tantas cosas sobre la tierra
sin el consentimiento de mis manos inútiles.

(Pablo Neruda, em ‘Las Manos del Día’)





As Mãos Negativas

Quando me viu alguém
cortando talos, peneirando o trigo?
Quem eu sou, se não disse nada?
Qualquer filho de João
tocou o terreno
e deixou cair algo
que entrou como a chave
entra na fechadura:
e a terra se abriu de par em par.

Eu não, não tive tempo
nem ensinamento:
guardei as mãos limpas
de cadáver urbano,
me desprezou a graxa das rodas,
o barro inseparável das vestimentas claras
se foi a habitar sem mim as províncias silvestres:
a agricultura nunca se ocupou de meus livros
e sem ter o que fazer, perdido nas bodegas,
concentrei-me em minhas pobres preocupações
ainda que não tenha vivido senão nas despedidas.

Adeus, disse ao azeite, sem conhecer a oliva,
e ao tonel, um milagre da natureza,
disse também adeus, porque não compreendia
como se fizeram tantas coisas sobre a terra
sem o consentimento de minhas mãos inúteis.


(Tradução de Luiz Filho de Oliveira)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O ROLA-BOSTA NOVO AINDA É PRIMO DO ESCARAVELHO




Eu bem que poderia pesquisar alguns dados no Google (a enciclopédia que não é Barsa; tampouco, Corínthians!) para dar mais informatividade ao meu texto e a você, leitor; mas prefiro ficar somente nas meias palavras: kd vc, Rola? Td blz? Rola uma resposta: - Gracinha. Pergunto: - Quem achou disso graça? Por favor, isso não grassa nesse texto. Deixemos de pendenga; vamos a ele. Calma, eu enrolo-o, porém vou escrever o que me-resta de dados acerca desta personagem: o besouro Rola-bosta. Vixe!

É certo que esse nome não é nem um pouco digno para um indivíduo tão forte (será também, a sua personalidade?). E mais: para quem tem um parente tão nobre quanto o Escaravelho. De ouro? Talvez, depende de quanto a gente vai beber, depois de ler nosso amigo Poe. Já pensou em sorver um barril de amontilado? É porre que nem presta! Pois bem, o Rola-bosta é tudo isso, pois consegue patipular (é manipular, mano?), um objeto que seja não sei quantas vezes mais pesado que a quantidade de seu próprio peso. Incrível. Como diria um picoense (de Picos, Piauí!), certa feita, ao meu amigo Dery: É peeeso!

Emais isto: errada feita, o Rola me-deu de presente um poema. Mas, primeiro, um susto. Como pode, um sujeito desses tão forte, e tão estúrdio: não sabe voar nem um pouco. É tonto. É louco quando voa, só pode! Nesse dia, o sujeito voava atônito ao redor de mim (qual foi o tônico que ele tomou pra ficar forte assim?). Isso incomodava minha concentração, até que ele conseguiu aterrissar e a cena se-deu como poema:


Não existem fantasmas nem milagres (porém, cuidados)

Cena: o Poeta, trabalhando poema,
olha no chão “uma tampa que anda”; e ele
nota, míope, que ela desliza cerâmica, estranha.

“Uma alma doutro mundo?!” –
pensa, estudante com ciências filosofando poema,
e não vê o porquê daquele enigma físico fenômeno;

então, rápida, a mente, entanto tensa,
põe os óculos para ver tomemente este fato:
um rola-bosta forte e atônito empurrando o Tupperware!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

SONETO PARA TERESINA



Há dois anos, resolvi participar de mais um concurso de poesia (percurso que deve seguir todo poeta novo a fim de que seja (re)conhecido), intitulado “Soneto para Teresina”, promovido pela TV Cidade Verde, com o patrocínio de uma loja de equipamentos de informática; as duas, aqui, de Teresina, no Piauí. Mas, como um poeta de final do século XX e início do XXI, que se-diz comprometido com a poética moderno-contemporânea, pôde participar desse evento, se o soneto, como o poema-símbolo das tendências clássicas, sempre foi rechaçado por esses poetas que frequentam tal poética?

Eu somente vou responder a uma pergunta dessas porque fui eu mesmo quem ma-fez e porque vocês, leitores, sabem que isso é estratégia de início de texto. Por isso, vamos a uma conversa afiada ao invés de a uma fiada. Pois bem, resolvi entrar na disputa (ainda irei à Daspu) porque houve algumas confluências de fatos, os quais me-impeliram ao trabalho. Nada de “mágico”, “profético” ou “enigmático”, que isso são bobagens; o que houve é que, desde a universidade, resolvi acatar a sugestão de participar de concursos para que pudesse ter o meu trabalho avaliado por “especialistas”, dada por Afonso Romano de Sant’ana, em seu livro Como Fazer Literatura. Até aí, nada de mais, pois, mesmo que em certos casos (isso é errado!), o júri e os jurados privilegiem os seus próprios critérios, essa é, sim, a principal estrada que devem seguir os “estagiários” em poesia. Assim foi, e fui.

Todavia, a entrada, de fato, nessa via de mão dupla (leitor & leitura), na data a que me-referi antes, agosto de 2008, deu-se, sobretudo, pelo fato de eu, por esses dias, ter lido o poema “Todos cantam sua terra, também vou cantar a minha”, de Torquato Neto, cujo título são versos do poema “Minha Terra”, de Casimiro de Abreu. Que belezura de palavra Torquato cria logo no início do texto: Tristeresina. Quando vi-a, não foi difícil pegar a estrada pros rumos da Bahia: Salvador me-saudou com aquele belo soneto do Boca do Inferno, Gregório de Matos e Guerra, “Triste Bahia! Oh quão dessemelhante”. A ideia começou a se-balançar (balouçar nunca mais?) no meu trapézio machadiano. E foi-se cortando a carne do ar, soando as palavras de um velhoutro soneto, o meu.

Incrível: eu estava escrevendo um soneto. Então me-veio à mente a máxima máxima de minha existência poética (e mesmo, de vida): não seguir totalmente a seo Ninga. Compreendem? A seo Ninguém! Por que não, um soneto? Ainda mais que a sua composição exige um tanto de paciência e perícia. Assim me-pus a fazer, a buscar a rima, a contar as sílabas, a trabalhar o tento. Saiu bonzinho. Tanto, que fui classificado em terceiro lugar no concurso. Que maravilha. Fiquei atrás de Zé Rodrigues (autor da famosíssima, pelo menos em nossa capital, música “Teresina”, juntamente com o maestro Aurélio Melo) e do poeta Hardi Filho, um proficiente sonetista piauiense, da Academia Piauiense de Letras, classificados, respectivamente, em primeiro e segundo lugares. Eu fui terceiro. Nada mal, para um iniciante. 

Apois, o que me-deixou um tanto confiante era que o júri do concurso iria ser presidido por Cineas Santos, um decano da nossa literatura, tanto na produção de literatura quanto de eventos de literatura. Esta aí o Salão do Livro do Piauí (SALIPI) para comprovar sua competência (mesmo que ele já tenha dito de que foi chamado pelos idealizadores do salão, não se-pode negar que ele foi convidado porque é um dos nossos principais nomes na cultura deste estado). Não me-decepcionei, foi o que me-disse a minha classificação. E mais: nos bastidores, o ancioso (calma, o C é um trocadilho escroto, com o apelido que Cineas gosta de dar a si mesmo e que lhe-foi posto por algum desafeto, segundo disse) confessou-me secretamente que meu poema poderia ter sido classificado em primeiro e que somente não fez isso porque o texto era de tom satírico e não ficaria bem dar um prêmio, no aniversário da cidade, para um poema que falava mal dela própria. Não ficaria bem com o patrocinador e, sobretudo, com a TV (não sei se com o público).

Tudo bem, isso já era muito bom, já que o “plano A” era somente participar ao vivo do programa e fazer uma propaganda de minha poesia via satélite para todos os teresinenses e, por extensão, para todo o meu estado. Porém, apareceu este “plano B”: além do elogio do mestre Cineas, ainda consegui receber, como premiação, um computador; este, com que escrevo este texto e pelo qual o-posto na rede (sem trocadilho, nada de oposto!). Ai, que preguiça, Mário. Acho que vou para minha rede.Vou, paro. Mas, antes, o poema:

reinscreve um poeta a seu passo a nova capital & a passada capitania de Piaguí*

tristeresina: um quê de semelhante
estás ao que era nosso antigo estado
(rico de nativos mortos por gados)
em este mote alheio & cambiante

se a ti tocou-te a máquina mercado
esse ouro que apaga muito brilhante
a nós todos aqui tem-nos-tratado
com os dous ff dum poema dantes

deste estado – a quem não deste por renques
as carnes como o-fez à gente ruda
de Bahia Pernambuco Minas (mortes!) –

há quem alegoricamente tente
fazer ainda uma vaca bojuda
para carnes & poemas de corte

 
(De Oeiras, Salvador, Ouro Preto, Recife a Teresina, em estados de Brasil.)


* A Cineas, homem com letras, de cimos Sãos & Santos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Uma personagem em dois espaços de amor: Omar romano (ANTIQUUS) e alto-longaense (novivíssimo)




digital ligação fonológica


o amor de Omar
um ramo de mim persona
mora em Roma agora (longe!)

onde não o mar nem a garoa
oram entre nós a mor distância
aqui & ali chamada roam






Alto Longá no caminho dum poeta

Este alto lugar tem mangueiras
das quais nunca ele vai mangar,
pois que a manga é saborosa
e a terra, pomar para Omar.

Ao cantar, unindo o som
da sua voz à do povo de cá
mais prazer encontra Omar – 

Ah! Esta terra tem-lhe fervores
que amor a ele permite gozar.

Porque era tarde, havia, a tanto custo,
à copa das mangueiras, a lua;
ao copo dos brincantes, a cana,
o poeta fazia por isso gosto;
por isso, na carne do ar, ele canta:

– À voz do meu amor, meus passos movo,
onde o luar as folhas claro-escuram,
cobrindo os cimos do céu; no mimoso
tapiz de folhas líquidas, eu todo, ela nua.