domingo, 28 de dezembro de 2014

CONCENTREM-SE NESSES CAMPOS DE CEARENSES

Iagem: www1.folha.uol.com.br


Envite à concentração de famílias em campos (Fazendo fazendas de gente)

ROUCOS, OS FAMINTOS

Revejam: leiam o que o cearense O Povo sobre
o Hotel Excelsior escreve : “terraço aprazibilíssimo
de onde se descortinam belíssimos Panoramas do mar,
das serras e dos sertões vizinhos”!
Mas esses sertões vizinhos não poderiam estar tão vizinhos!
Não são bem-vindos, bando de famintos, à terra “loira desposada do Sol!”!
Famílias inteiras que não continuam charmosas das elites às portas
quando a terra lhes-expulsar em plena seca!
Vir a Fortaleza e desfrutar dos prazeres do Hotel Excelsior é algo muito além
de qualquer empreendimento do mundo hoteleiro! O Bispo da Igreja vai cuidar
do que os ricos da society burguesa algodoeira se acomodem com os do governo,
que o povo vai ser todo ele confinado à parte do hotel (apart?) em fazendas de gente, confinados em currais de varas e arame farpado! E os que cuidam da comida
(que não são os chefs nem os chefes!) cortam do gado o melhor da carne para vender;
as sobras, as vísceras para os viscerais da fome! Comida ruim que só come
quem morre de fome! Venham para Fortaleza, esse hotel grande!
Venham, que vocês vão conhecer um campo diferente, de concentração de
violência contra as pessoas que forem vítimas da fome!
Ou para vocês esse sertão de dentro seco é bom o bastante?


comFINADOS

Tomem uma passagem de trem para as cidades de Quixeramobim, Crato,
Ipu, Senador Pompeu, Fortaleza, Cariús! Tomem uma das celas das fazendas
criadas para criarem as cercas que separam os bem-viventes dos mal-vividos!
Esse é o melhor albergue que se pode dar a esse tipo de gente!
E nem vejam que as melhores partes das carnes são desviadas para os lados
de quem cuida da distribuição! O cardápio é o que tem pra hoje:

SARAPATEL CRIOULO
TRIPA COM FARINHA SECA
CABEÇA DE GADO COZIDA
FEIJÃO-COM-ARROZ AO LÉU
SALADA DE XIQUE-XIQUE
GRAND CACHORRÔ

Almocem (está tarde!), seus esfarrapados!
Comam do que não come quem enriqueceu às suas costas!
Eles não remexem a terra, não remendam roupas, extraem dividendos
de quem extrai a sua vida numa vida anoitecida de retalhos
do que de bom tem pra todos!
Não é caridade o que habita essas fazendas de gente!
Ou vocês, confinados, estão gratos a esses frates fracos de fraternidade?
Passeiem pelas dependências antes do de-comer
pra ver nossa hospitalidade inóspita.
Não esquentem, não. Vocês não podem mesmo nada!
Andem!


FAMÍLIAS ALOJADAS COMO GADO


Ouça, gente faminta e descamisada mantida à distância,
pode-se-aproximar! Bem-vinda à Fazenda de Gente!
Vocês que são os filhos da fome descansem em paz aqui:
as cercas, que são de arame e de varas, são nosso abraço de quarto
de dormir enjaulado; as camas são de chão! Tem rede; então, deita!
E isso tudo sem pagar um tostão. Vocês vão reclamar do preço?
Vocês que não têm o nariz empinado pra sentir o fedor de ser podre de rico,
que não sabem o quanto importa ter dinheiro sem teto em dólares?
Vocês não podem estar jogados na rua. Venham pro Hotel Fazenda!
Ê, boi!


POBRES

Vixe! Ia me-esquecendo de perguntar,
digam, criaturas secas das secas, é dezembro,
já passou o Natal e estamos encerrando o ano, quem não quer ter
quentinha a comida, com a música do Lua no rádio dizendo que
no Ceará não tem disso, não, viu, que no Ceará não foi o lugar
onde se-confinou gente como gado, mas gado com aftosa?
Vocês sabem, nós, da capital, esperamos vê-los contentes, sem
os lábios rachados sem água, mas tudo que temos é uma fazenda,
distante da gente, claro, que provavelmente vocês vão provar!
Não é do gosto do Hotel Excelsior, porém, vocês não têm do que reclamar;
É o que tem pra hoje! Agradeçam, senhoras e senhores!
Sou testemunha: mais de setenta mil pessoas, senhor deus dos desgraçados!
Aleluia! Estradas de ferro cobertas de trens com esfarrapados a bordo,
à margem do mar dos ricaços novos da belle époque do sertão cearense!
Sou testemunha! Vi, nos campos, surgidos sujos os trapos de saco de farinha,
furados pra servir de roupa, a seguir prum barbeiro pelar a cabeça,
cabelos imundos e piolhos que não farão falta a todos!
Aleluia! Que esses depósitos de gente são contíguos às estações!
Que não queremos contato com a gentalha!
Queremos somente os que trabalhar puderem cavando poços pruma chuva
que nem vem nem manda aviso.
Glória nossa, que vocês terão esse campo pra se concentrarem na morte!
Glória, que esse experimento antecipa os campos nazistas!


MORTOS DE FOME TODOS

Não se-enganem, essa fome tem quilômetros de tamanho.
Mas esta é a estação final de sua Via Crucis.
Mais que trinta dinheiros foram arrecadados
das elites desse sertão de dentro, pra botar vocês
pra fora da área da loira desposada de sol,
que tem gente de bem muito bem e obrigado.
Vocês não leram as placas? Elas dão o mapa dos molambados.
Saiam da fome e venham ser segregados pelo sagrado direito
de quem tem dinheiro mais do que em cartões de crédito!



CARTÃO DE MORTAL

Salvem-se, famílias-gado, dessas cercas de arame farpado,
dessas Fazendas, que por nenhuma Revolução foram vingadas,
que contra elas não se-opuseram nem Igreja, nem Comércio,
nem Justiças, nem cristos Humanos!
Alguém compartilhe isso, texto em Rede: clic!
Esta anunciação não é nova na cena:
aquele povo todo faminto de água que acreditou na ajuda de senhores,
coronéis de exércitos de vencidos, teve a barriga parida de promessas dos
que ofereciam casa e comida e um trabalhinho pra quem ainda tivesse força.
Ouçam, pessoas além-mortas, esses crimes de bandeira verde e amarela
são o pior da discriminação doutra gente fina que não quer-se-misturar.
É quase final de 2014 e 1932 é um 32 na cabeça desse espírito festivo
nos hotéis da Loira desposada do Sol.

Para titulares de ação: teclem a terra deste sítio à frente.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

CADA CULTURA SABE O CU QUE TEM

Um poema de sabença brás-cubiana, de conteúdo não tão obsceno ao corpo quanto ao cabeção de possíveis rastreadores de intrigas, fundamentalistas de mentiras críveis in outra cabeça; não,
na minha.

Singular, o Poeta petarda contra o ataque a uma Pentápolis pró-sexo-cultural bacana

Não quero eu a morte,
deus cruel e violento,
que teus textos, em coortes,
impuseram aos povos
de alegria babilônica!

Quero a dama na cama,
o prazer de seu ventre,
que chama ao erótico amor,
ao leito quente, em chama,
na cidade de Adama!

Quero o gozo de Gomorra
para que eu viva o êxtase
físico desse corpo, que anda
a explodir-se contra mim,
quando sigo a Segor e Seboim!

Quero essa dama em pelos,
em apelos de sexo, sedenta,
para que eu descanse sabendo
ser sadia a palavra que doma
a dona do meu sexo, em Sodoma!

Quero o sono do justo, clichê
dos teus, juras contra as culturas
que a ter as tristezas se-recusam,
hipócritas, dos que te-cultuam!
Quero isso e muito de tudo!