segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

TRIDENTAL: O VÍRUS É UMA MORDIDA CRIADA POR UMA MENTE INFERNAL

Imagem: arquivo Google

CUCA ILEGAL

Cuidado com o vírus
no vídeo, que o vírus te-pega;
se não pega daqui,

ele te-pega spam.
Cuidado com o vírus,
que o vírus é da WEB,

e ninguém há de o-bloquear!
Cuidado com o vírus,
que ele é ideia realizada má!


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2013.)


sábado, 14 de dezembro de 2013

ESSAS MULHERES FORAM MORTAS PELO PRAZER DOUTROS SOLDADOS AMARELOS



Um Poeta recanta mulheres: as de Nanquim

O máximo que conheço da China
são  as sessões de Bruce Lee no cinema,
as bugigangas de plástico nas lojas de 1,99
e esse pasteleiro no Piauí, na esquina;
e o que eu saco dessa cidade, Nanjing,
é essa tinta com que tinto estes instintos
ou estes grafitos em branquepreto que rabisco
feito poema que poesia de mulheres os gritos.

Não havia escrito em mim risco algum da história dos chinas,
e um espelho veio tela de cinema desenhando este oráculo:
Mire-se também o exemplo daquelas mulheres de Nanquim!
Reuniram-se na Zona, refugiadas, pros filhos,
e lutaram com os homens, como os homens não lutaram:
e tiveram arrancadas as roupas por violentas fardas,
carícias plenas de veneno em que não houve ajoelhamento,
senão sofrimento de quem não se-despiu por orgulho,
deitou-se à cama pra sentença de quem não tem escolha,
e o cineasta cinemou cenas de City of Life and Death.

Vi as mulheres cortarem os cabelos e vestirem-se homens,
e os soldados japoneses já poderem foder as chinesas,
as que tiveram (close) as mão levantadas, uma a uma,
pro sacrifício das cem, que não sentiram conforto
em se-dar a sedentos animais com fome de sexo!
Salve a prostituta Xiaojiang que não se-salvou,
não cortou o cabelo, não levantou a roupa, nem gemeu
de prazer com o sexo contra um homem ereto
a querer o conforto das mulheres do conforto.

Mire-se também dessa mulher de Nanquim o exemplo:
dessa Xiaojiang, que liderou o corredor do conforto ao sexo,
e essas mulheres foram mortas pelo prazer doutros soldados amarelos.



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2013.)


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ISTO NÃO É LUTO; SÓ POESIO NEGRO


Imagem: www.guardinalv.com


Sem essa de correta política nestas leituras em negrito

Foi um negro de sorte,
ganhou uma nota pretacarvão!
Agora, verde a sexta-feira treze!
Então, deixou outro bilhete no quadro negro
da escola em que trabalhava, professoral:
“Estou podre de rico, mudei de sala.
Adeus, amigos, vou trabalhar noutra praia”.
E naquela noite negra, estreluarada, viva,
saiu levando brilhos somente dentro de si
legando ao Poeta seu primeiro Poema Negro.



(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: Deleitura, 2012.)

sábado, 26 de outubro de 2013

SE “VALEU BOI” NÃO VALE; ENTÃO, “SEGURA, PEÃO”, TAMBÉM NÃO!

Vaquejada, por Lucas Galo Doido

Esse Brasil é mesmo um país metido a sério! Pois não é que, agora, vem um procuradorzim da república querer tachar a vaquejada de “prática inconstitucional”. Seo Rodrigo Janot, o tal procurador, é contra uma lei lá do Ceará (Lei nº 15.299, de 8/1/2013) que institui a vaquejada como “prática desportiva e cultural”. E o pior disso tudo é que quem começou esse processo todo foi um cabra lá do Ceará. Logo do Ceará, que lá num tem disso, não! Armaria, nã!!! Isso é uma gaiatice mesmo. De bodim, não do Bode Gaiato! Era só o que faltava!

O procurador que deu início a isso é um tal de Alessander Wilckson Cabral Sales, que diz que “a atividade causa maus-tratos a esses animais, submetendo-os a crueldade, em proveito do enriquecimento dos promotores dos eventos, dos vaqueiros e de todos que, direta ou indiretamente, usufruem do dinheiro gerado por essas competições”. E mais: o tal Rodrigo Janot sustenta em seu parecer que a vaquejada viola o artigo 225 da Constituição e “fere a proteção constitucional ao ambiente por ensejar danos consideráveis aos animais e tratamento cruel e desumano”.

Tratamento desumano!? Oxente! Claro, boi não é gente! Foi mal! Não resiste à piada. Mas gaiatices à parte, estou com o governador Cid Gomes quando afirma que “não se pode desconsiderar o fato de que a prática da vaquejada, além de reconhecida pela Lei Federal nº 10.220/2001, é um elemento difícil de extirpar da nossa cultura”. Sem falar que, na lei lá do Ceará, que pode servir de modelo a outros estados nordestinos, há um artigo que impõe o seguinte:

“Art. 4 – Fica obrigado aos organizadores da vaquejada adotar medidas de proteção à saúde e à integridade física do público, dos vaqueiros e dos animais.
§ 1º O transporte, o trato, o manejo e a montaria do animal utilizado na vaquejada devem ser feitos de forma adequada para não prejudicar a saúde do mesmo”.

Só que, segundo Janot, essa “alegação do governador, de que a lei seria válida por buscar evitar os maus tratos ocorrentes em apenas algumas vaquejadas, não é apta a emprestar constitucionalidade à norma”. “A violência contra os bovinos e equinos envolvidos nas disputas de vaquejadas é inerente à prática. O fato de a lei reduzir tal violência não torna a conduta aceitável”. E pra que violência maior do que matar os bois pra servir de comida pra todos nós? Ou será que o procurador é vegetariano? Isso é prática cultural! Então, o que está disposto no artigo 215 da Constituição não vale? É conversa pra boi dormir isso de que “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais” (art. 215, § 1º)?  

Poissim, seo dotô lá de Brasília, se agora o siô vem com essa história de dizer que a vaquejada é “prática inconstitucional, ainda que realizada em contexto cultural”; então é caso de o povo lhe perguntar: Oxente, e as corridas de cavalo, e os rodeios de Barretos e cia. também não levam os animais a esforços desumanos, ou melhor (pior!), animalescos? Claro, cavalo, que é desumano! Tamos falando de animal, bicho! E mais: num tem vez que os bichos são até sacrificados, pois podem quebrar uma perna? Apois, para a vaquejada, esses bois são criados pra isso! Que história é essa de maus-tratos. Puxar o rabo desses animais nunca foi crueldade, isso faz parte da vida de gado. Não é assim que acontece com os animais que são criados pelos donos para servir de carne pra todos nós, que tem o couro espichado? É muita cara de pau, é conversa pra boi dormir essa de peninha dos bois. Vaquejada é tradição cultural que virou espetáculo e competição. E mais: é fonte de renda pra toda uma “nação nordestina”.

A PGR argumenta que Constituição determina caber ao Poder Público a proteção da fauna e da flora, sendo vedadas práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade. A “farra do boi”, em Santa Catarina, sim, caracteriza maus-tratos, já que o boi é fustigado pelos participante até a exaustão. Briga de galo também, vá lá. Mas, se for pra proibir dessa forma radical, então, tudo bem. Além da matança de bois (e o abate de todos os outros animais?), vamos acabar também com os rodeios, pois não é diferente o que eles fazem com os bois e os cavalos. É, chega também de “segura, peão”! Porque se for pra acabar com a vaquejada somente, eu vou ficar pensando que isso é coisa contra a cultura nordestina, que isso é preconceito de sujeitinhos que ficam trancados em gabinetes pensando ser “salvadores da pátria”. Ora, pois, pois!

Não sou “fã de carteirinha” de vaquejada, mas não dá pra aceitar esse tipo de argumento sem questionar, principalmente, a prática dos rodeios, que – convenhamos – é praticamente a mesma prática. Todos sabemos que nesses eventos há algum tipo de crueldade com os animais e que, mesmo com fiscalização, elas continuarão a existir. Mas não concordo com esse posicionamento radical de acabar com algo já enraizado na nossa cultura, como é vaquejada e até o rodeio, que é coisa de ianque. Deixa lá o povo gritar “valeu boi” e “segura, peão”! Vá correr atrás de outros temas, procurador. Procure outra coisa pra fazer que seja, de fato, relevante, em sua função, pois o que “consolida a histórica violação à fauna e à dignidade humana” são as derrubadas da mata na Amazônia, as grilagens da terra de nossos nativos, a morte dos líderes sindicais dessas regiões, a corrupção nos tribunais...

Deixem nossos bois de mão, apois:

O meu boi tá vivo!
Que serão pra mim!
Manda buscar todos
cá, pro Piauí!




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

NA BOCA, UM POEMA

Imagem: arquivo Google

Há umas gotas de sêmen em cada boca escrita gozosa pelo Poeta

Ahhhhhhh...
Estes versos gozosos
não são falação – ao modo
de que as mulheres desgostam –
daquela felação – lábios, oh! –
feita por ela, à boca degustosa
                                desse gemido líquido, escrito                               
papel, tela bem memória,
sentidos, música
em poesia,
a que
nos
g
o
z
a
g
o
r
a

(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Das Bocadas Infernéticas. WEB: 2013.)


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

VOU MANTER A TRADIÇÃO



É engraçado como algumas pessoas que me-conhecem se-espantam quando digo a elas que componho músicas. Ué, e você nem toca um instrumento musical! É verdade, mas faço poesia, ou melhor, trabalho com o ritmo. E mais: na minha memória musical, estão tantas músicas que ouvi ao longo desses 45 anos de vida. Sambas, como esse logo acima, cantado pela poderosa voz de Clara, de Ana e de quem mais cantar (não é, Joice?). Nossa, esse samba é ginga pura misturada ao canto melodioso dessa voz.

É nesse e em outros sambas de raiz que me concentro quando faço os arranjos de meus sambas – sim, eu componho sambas! O plural, aqui, é somente força pro hábito, pois ainda quero compor mais.  E, quando estou construindo a música, imagino perfeitamente os sons dos instrumentos que eu quero explorar nela. Exatamente como ouvi da própria boca da cantora e instrumentista Joice, falando acerca dos arranjos do disco Feminina: “Já está tudo aqui, dentro da minha cabeça”.
Poissim, como já havia escrito numa pequena nota no Twitter, aconteceu, por esses dias – isturdiinha! –, de eu compor uma música a partir de um poema do poeta piauiense Da Costa e Silva: o seu famosíssimo soneto "Saudade". O curioso é que, de um poema tão lírico e tão melódico, não saiu uma canção (ou cantiga, para não sermos injustos com a tradição medieval!), mas sim um samba, um velho e cadenciado samba. Africanidade brasileira, esse gênero musical é uma perfeita oferenda quando me-lembro de que Alberto da Costa e Silva, filho do Poeta do Velho Monge, é um africanista de primeira. Por Nanã, Ogum, Xangô, Obá!

Apois, eu ando devagar mesmo porque tenho muita pressa. E, se ainda hoje não pude reunir umas tantas composições musicais em disco, é porque não tive a pressa de ver e ouvir os músicos que pudessem acreditar nessa produção musical. Lorota boa, essa! Não tenho pressa, tenho preguiça, não tenho amigos músicos, nem dinheiro público. Mas a música, ah, essa, sim, tem motivos pra permanecer viva em mim. Camões é blues e rock’n’roll, enfim. Tenho, aqui, motivos pra cantar uma cantiga de D. Dinis ou um vilancete do conde do Vimioso. Por que não um samba do Senhora, partem tam tristes, do Joan Roiz de Castel Branco? Sim. Um samba. Foi esse ritmo que pariram os versos do soneto do amarantino. “Saudade, olhar de minha mãe rezando/ E o pranto lento deslizando em fio”.


Porisso, o oximoro vidal: poesia experimentalista; música tradicionalíssima. A música é mesmo a tendência para o paralelismo, para a repetição. Repito, perito: sou pela tradição do samba nessa composição. Não sou outro som que não seja de uma cuíca, de um tamborim, de uma viola, um cavaquinho, e, ao longe, um trombone faz jazer a alma em berço extático, explêndido. Vamos ao samba. Mão no couro!

(Luiz Filho de Oliveira)


domingo, 25 de agosto de 2013

Só para minha mãe, FRANCISCA, que bem-vinda DAS CHAGAS me-levou até o caminho da ROSA

Eu e minha mãe. 2013.


Uma caboca macha, minha mãe! A Rosa dos Sena Rosa. Seu nome de batismo: Francisca das Chagas Rosa. Depois, de Oliveira, sem Rosa. Um tipo bem apessoado: pele avermelhada (depois um tanto morena de tanto sol trabalhar!), olhos da cor de mel, cabelos negros. Hoje dançam cancan sua cãs, pela alegria de tantos anos vividos. Seu pai era um homem de olhos azuis; ancestrais dalém mar, mais que portugueses. Sua mãe, como meu pai. Do casamento, oito filhos. Um já falecido, o terceiro; não conheci esse mano meu. Pequenino, três aninhos, falecido. Vingaram sete. Destes sou o caçula. O ultimogênito. O passa-a-régua de seu casamento com um caboco de traços meio cafuzos, meio mamelucos, outras partes com tons orientárabes. Deles, eu. Euzinho, que escrevo texto o que celebra todas as bênçãos e benças pra ela. Minha mãe nasceu. Vivo 77 vezes 45 vezes sua alegria de viver.

E o presente, para uma pessoa desse naipe? Dificuldade fácil. Apois, neste parágrafo não dá pra fugir do lugar-comum, e o jeito é cair nele: não tem dinheiro que pague! Graças a Jah, pois até estou um tanto desprevenido. Mas tou pensando, mãe. Mas, antes, quero le-dar algo por demais valioso e que guardo comigo para estas horas solenes: o meu respeito pela senhora. Sim, mãe, o meu respeito. Claro, eu, que, criança e adolescente, beliscando a fase adulta, le-faltei, nalgum momento, com este que deve ser o primeiro artigo da lei de todo ser humano – principalmente, com sua progenitora (e não se-trata, aqui, de questionar a participação dos pais, não!) –, esse eu desse tipo não pode ser considerado querido, respeitado. Mas cresci, mãe. Sim, tou crescido a força e coragem minhas. Cresci junto com esta hipérbole: le-tenho o maior respeito do mundo! E carinho, sobretudo; sobretudo, que a senhora e papai, como dois sertanejos rudos, nos-privaram de certos afagos e beijinhos, sobretudo, de abraços. Hem-hém, nós, irmãos, somos pouco de abraços e beijos. Porisso, o respeito exigido.

Agora, dar na mãe?! Arriégua, desconjuro! Jamais atentaria contra esse segundo artigo da Lei dos Doidos, aquela que, quando eu menino, no Primavera, o Bolola sempre colocava como absurda, aquela que condena à pena de ser considerado louco todos os que obedecerem a estes três artigos: correr nu; dar na mãe; rasgar dinheiro. Não. Não violo nenhum deles e canto isso sem viola: minha capela é outra; meu santo é barroco e maldizentemente baiano! Não canto sozinho, há tantos, como eu, o coro come cantando: respeitoso às mães; aos canalhas, nunca! É, conheço um canalha que batia na mãe dele e dizia que aprendeu isso comigo. No meu bairro, meu vizinho. Traiçoeiro, esse que se-disse, por longos anos, ser amigo. Venenoso, esse sujeito sem escrúpulo. Ele batia na própria mãe. E acreditem, se-achava – e ainda se-acha! – melhor que muita gente boa por aí. Tá bom, bonito! Pensa que é a bala (e nem chega aos pés do Bala dos Capitães da Areia, que era mala!). E é que, se eu fosse homofóbico, como pensam, às vezes, alguns apressadinhos desta rede e de outras camas, eu meteria o irmão dele, ou melhor (pra ele!), o irmã dele, que, além de me-caluniar do mesmo jeito, ainda dizia qu’eu era viado, como ele (pelo amor de Jah, sem trocadilhos; senão, ela goza!). Comigo não, violão! Desarreda! Não admito essas canalhices! Comigo, mãe, meus respeitos sempre à senhora, que pagou muito caro para criar a mim e meus irmãos. Muito trabalho. E hoje, mãe, tenho certeza de que meu presente é valioso: meus respeitos, minha mãe. Poissim, mãe, sei que não le-dou motivos algum para ter vergonha de mim. Me-orgulho da senhora. Aprendi: eu sempre respeito a todos e ensinei isso aos meus filhos até onde eu pude. Hoje eu me-orgulho do caráter deles e do meu, então, nem se-fala ou se-escreve!. Essa é a única herança sua que me-interessa. E ela não é somente um quarto, nem um terço (não tem choro nem vela), ela é INTEIRA!


Sou o que sou, mãe, porque, criação ruda de afagos, mas plena de exemplos, tenho bastante caráter. Ótimos, a senhora e, também papai. Agradeço-os. Agradeço-a principalmente: rainha. Da minha vida o DNA do respeito, do caráter honrado, do trabalho. Se pudesse, faria mais. Mas a vida intensa de trabalhos, de responsabilidades, me-fazem omisso, muita vez, com a senhora. Aquele egoísmo de querer evitar o mundo pra ganhar algum dinheiro – nunca os trinta! Sempre fiel à senhora. Jamais trair a família, que isso é uma armadilha pros irmãos. Jamais ser canalha com irmãos e com vocês principalmente, meus pais, minhas mães. Minha mãe, pra fugir dos erros, 77 vezes celebro teus anos: 45 vezes vivo sua vida fora do teu útero. Íntegro. Amanhã é seu dia; o dia é todo seu, mamãe. E vai ganhar estes meus presentes.

Seu filho, Filho. Neste ano de 2013. Neste agosto, este meu gesto, meu texto. Parabéns.

terça-feira, 23 de julho de 2013

LUTA PELO SALÁRIO, PESSOA!

Imagem: arquivo Google


Sal mínimo sob um funcionário sol máximo (a pino e a ponto batido)

Ó salário desgastado ao máximo,
quanto dos teus dramas, aos maços,
(canto as granas, no mínimo)
são lavras que mais-valiam
acúmulos em exterior capital?
Se alongarem mais a jornada,
estarás migalhas trabalhadas em
quantos indeCIFRÁVEIS;
tantos, que somente vales
o que poeto neste poema, em
pagamento ao produto da
pessoa que            existe
                 SUB            
                                       a
constantes e variáveis câmbios;
na humana usura das cifras desse
terreno, que é sina do bolso
mundano de valores

de pessoas.


domingo, 21 de julho de 2013

MERDA DE POEMA HEMORRÓIDICO

Imagem: arquivo Google


Escatologia além-excrementosa

O camelô, entre suas bugigangas,
mais um dos toletes de bosta vende,
feito assim desse plástico (bem creme!)
da cor de merda serenada, manca?

O seu católico devoto cliente,
com aquele probleminha anal (“Nas ancas!”),
fez uma dessas promessas à Santa
e espera que não mais fique doente.

N’era prudente um ex-voto dum cu;
de tal ousadia a Igreja não gosta;
apois, o fiel comprou (ai, Jesu!)
do camelô esse tolete de bosta!

– Meu Deus, com isso não vá-se-injuriar,
nem me diga que esta bosta não presta,
pois, em sua graça, está o meu curar
desse mal, corroído a sangue: merda!


sábado, 13 de julho de 2013

UNITED STATE OF LUIZ GONZAGA


Imagem: arquivo Google


Sendo também um "poeta de ocasião" - afinal, o que é a poesia, senão ocasiões? -, não gostaria de deixar que se-passasse esta de homenagear o maior artista popular do Brasil: Luiz Gonzaga. Esse que é a memória-mor pra qualquer nordestino a partir dos 40 anos. Apois, quem tem essa faixa de idade, certamente ouviu o Rei do Baião ao vivo e se-deleitou com essa música que está enraizada em nossa identidade. Arre, égua! 

E eu que fui menino, ouvindo o Véi Macho, pude assistir à cultura nordestina sendo espalhada por todo o Brasil e pelo mundo por meio da música do Lua. Foi algo assim como a prática de capoeira pelo planeta faz com a divulgação da língua portuguesa. Sim, pelo som do Gonzagão o nosso falar passou a ser levado a outros paladares de fala. Aí eu pude perceber o gostim de passado e de futuro dessa língua que foi forçada a nossos nativos, no grito. 

Vixe! Desconjuro! Num quero falá disso, não. Nã! Deixa o leite derramado pra lá. Qué ir mais eu, vamo; qué ir mais eu, rumbora! Vamo ao medieval em fiafêamanoentoncemasporém... Qué latim? Vamo de incumdixehomi... É estranho sim, mas o falar nordestino ainda tem futuro nele: note o plural somente nos artigo e nos pronome (coisa pra inglês ver: modern languages!) nas nossa construção com os substantivoIsso é coisa de Brasil, mas é nosso.

O português são muitos, Carlos, e eles ainda não sabe disso. Num sabe que tem ainda muito piauiês, cearencês, pernambuquês, paraibês, sergipês, alagoês (os principal dialeto do nordestinês legítimo) pra se-falá pur essas quebrada de sertão. Hem-hém, seo minino, dona minina. É muito bunitim essa nossa língua. Porisso que isturdiínha me-rendi a essa rodia que pus na cabeça pra carregar o pote de sabedoria dos caboco nordestino na figura do Fii de Januaro.

A bença, meu padim, Luiz. Seu fi de tradição arrocha um poema em loa do que o siô deixô pra gente toda. Brigado, hômi do povo.


UNITED MUSIC OF PIAGUHY

Os meus primo cá, do Piauí,
deixou de vê novela
só pra fazê musga. 

Os meus primo
escreveu pra mim
e não fala "come here"
só fala "vamali".

Vô mandá um feicibúqui leve
pra United Music of Piaguhy!
United Music of Piaguhy!





sexta-feira, 28 de junho de 2013

Numa mesa aonde só pode estar quem tiver mais de 18 poemas


colou-se-colar

ao   s   ped   aços   n   oBA    Ring    lês
o homem bebe do barro às químicas terrenas
e-tenta-se-inteirar-do-jogo-da-dama-de-espadas

a lançar golpes tais metáforas
a fim de ganhar das cartas da gata (agora copas)
o grande prêmio da jogada cantada: o sim resposta e não o nada


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Onde Humano. Teresina: Nova Aliança, 2009.)



segunda-feira, 10 de junho de 2013

De Teresina até o Rio, via Áfricas

Imagem: arquivo Google


Lembra o Bandeira de um Poema tirado de uma notícia de jornal? Apois, que ele leu, de fato, alguma notícia para compor o seu poema, não tenho dúvida. Foi assim que nasceu um poema em mim, em meados da década de 1990, nessa aparições que todo artista tem com a sua arte, ao assistir a uma reportagem da TV Globo a respeito de cólera em um campo de refugiados.

Era acerca da África a reportagem, aliás, era lá que estava o repórter entrevistando um carioca que estava servindo de voluntário para as tropas da ONU, em Ruanda, nos campos de refugiados Quibumba I e Quibamba II.  Ele se-queixava, mesmo “fazendo a sua parte”, de que as autoridades locais – não me-lembro se Ruanda a essa época estava travando uma guerra civil ou coisa desparecida – não estavam comprometidas em resolver os conflitos, mas sim em deixar-se corromper, surripiando a maior parte da ajuda humanitária prestada por outros países. Nada de novo pra nós, os brasileiros, já que, em nosso país, embolsar verba pública é “tradição”: o verdadeiro “jeitinho brasileiro”!

Ou alguém, nesse mesmo espaço (o de ganhar dinheiro com a desgraça dos outros), está esquecendo o que houve com a região serrana do Rio de Janeiro há alguns anos? Públicos agentes corrutos! FDPs! Dizem as mais línguas que até a Fundação Roberto Marinho se-envolveu em desvios de verbas dessas enchentes. Dinheiro sujo, enlameado mesmo! “Isso é uma vergonha!” – repercute o  Casoy, com mais esse caso. E ainda vemos o vídeo...

Poisbem, o carioca da entrevista se-queixava disso, de “fazer a sua parte” enquanto outros estavam sendo desonestos com todo aquele povo sofrido, sofrendo com cólera – a doença, pois a raiva intensa estava desacordada. E, por conta disso, nós também preferiríamos um chopinho, no Leblon, perto da Farmácia Piauí, em frente ao mar, como o-queria o carioca. Ah, um futibolzinho na praia. Futibol de praia; que mané “de areia”! A Globo acaso é dona da língua? “Futebol de areia” me-passa um passe errado, um tijolo! E daí se onde haverá a partida ou a competição não tiver praia? E daí? Queria o carioca um futibolzinho de praia. Apois, queria o carioca o sossego timaiano, porque se-empregar em ajudar o mundo é dever que faz sentir a gente o desprezível do humano, das atitudes não solidárias, egoístas de carteirinha.

Oxalá protejam os que necessitam de ajuda! Ogum os-defenda! Que Nanã os-nane em “berço esplêndido” realmente. Nada desse idealismo de nossas leis (é lindo no papel, mas não têm papel algum!), nada de trair nossos irmãos de dentro de nossas tribos! Nada de subserviência aos senhores das guerras étnicas eteceteras e mais eteceteras...
Vai, poema...

onde se-reporta a um fato refugiado em dois campos na África

Quibumba um
Quibumba dois
Ruanda... uh!
vala comum

sobre a nutrição
de seus protegidos
pesam os esforços
das forças da ONU

mas o voluntário
em tom brasileiro
– fala entrevistada
mastigando um samba –

tá pedindo arrego
cansado de fome
de vergonha & homens
quer vir pro Leblon

bem ali ao lado
da Farmácia Piauí
tomar um chopinho
somente unzinhos

com fome de bola
driblando as Áfricas
e as suas cóleras
que tanto assolam

mas bem mais cruéis
tantos governantes
nem sequer as-olham
porque não importam

e isso que o repórter
diz ali-outrora
não é nada novo
pras fomes no solo

sujeitos pras leis
sujeitos do resto
sujeitos a tais pestes
por vias satélites

por desvios de verba
incompetências guerras
negras Áfricas falecem
aos sons destes versos


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Pra estear este amar sem norte

Foto: Luiz F. de Oliveira

cerebral paisagem aérea

em este amor este
branquilidade de nuvem
contra o azul oeste

(Luiz Filho de Oliveira. BardoAmar, 2003.)