quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Eu cantarei de Amor tão docemente, por uns termos em si tão salomônicos...

Imagem: arquivos Google


cantoAcântico

beijo-te-vinho
tão delícias quanto
música poesias

leva-me tu corrente
gozalegria: humanamentecorpo em
mundano nu divino

minha mais que vide... vinhas
púrpura estou a ti... formosa a mim 
és sol resplandecendo delicados sentidos

sobre os vastos campos por onde ando
se pelas telas teclo vulva sulco pelos seios
apascentando o terreno a poema sexante

e enquanto cantas encanto
amor fio... verso descompleto caminho
rumo ao IN: local universal

brindemos pois quais taças manhecentes
e façamos amar transbordando a vida intensos
a saber os sibilantes sabores sensíveis 


(LUIZ FILHO DE OLIVEIRA. Bardoamar. Teresina, 2003-2012.)

19 comentários:

Anônimo disse...

Beleza este poema de fôlego que retrata na soma de cada detalhe e reentrância da diversidade de sentidos toda a transpiração do ato criativo criador de mundos e dimensões sensibilíssimos na arte de poetizar a própria poesia de cada instante do poema maior que é a vida e seus fotogramas, passagens do tempo finito compondo um infinito de ser e estar, mais vivo, mais sensível, mais humano. A modéstia o impediu, talvez, de dizer “tão concertados” (quanto aos termos), adotando como referência a personagem da tradição ocidental, o que fez com certa dose de bom senso pois o melhor poema nunca é o de agora (por mais que o achemos já “conscertado”) mas sempre o que ainda virá. Mas... peralá: Camões!?! Invocada essa reVerência, o poema transcorre mais lírico e aberto a intertextualidades as mais diversas, além do marco adjetivo, sobejamente visível. E eis aqui um poema admirável, com mínimas passagens menos significativas, belo, belo, para se ver e rever várias vezes e em cada uma delas descobrir um novo e encantador sentido ou perspectiva de beleza construtiva. Pra encurtar a conversa, algumas vezes simplesmente dizer “gostei” diz muito, senão tudo. Gostei.

Fred Caju disse...

Salute!

Jefferson Bessa disse...

Que beleza, Luiz! Todo esse encontro de sensações é fascinante, são palavras que nos levam de um lado a outro, de uma parte do corpo a outra. Parabéns, amigo!
Abraço.
Jefferson.

Luiz Filho de Oliveira disse...

Que análise, hein, Anônimo! Valeu.

Salute, Caju.

Obrigado, Jefferson.

Anônimo disse...

wonderful post.Never knew this, regards for letting me know.
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Cris de Souza disse...

Evoé, eis um cântico dos deuses!

Brindo ao bardo.

Luiz Filho de Oliveira disse...

Brinde brando, delicado. Evoé, Cris.

teca disse...

Adorei esses versos ritmados, compassados... uma delícia vim aqui te ler...

Beijo carinhoso.

teca disse...

Troca o "vim" pelo "vir" na minha postagem anterior... :))

Mais beijos e flores.

Lucas Holanda disse...

Luiz,
Parabéns pela seleção no TOC 140! Fiquei feliz em vê-lo!
abraço

Luiz Filho de Oliveira disse...

Infelizmente, Teca, não dá para consertar. Para que os desavisados saibam que vc notou o seu deslize, pus os dois comentários.

Parabéns a vc também, Lucas, que teve uma melhor classificação que a minha.

Lucas Holanda disse...

Luiz,
Obrigado! Mas eu sou desses caras q não acreditam muito em classificações... Poesia é poesia e pronto. Mexe com uns e com outros não. O q importa é o q ela te move. Se ela te clareou o dia ou socou o estômago, isso é o q vale.
Até pq uma comissão julgadora diferente classificaria tudo de outra forma nada a ver com esta.
Parabéns a todos nós! :)
abraço, poeta!

teca disse...

Poeta, não era para você corrigir a escrita (que sei, não tem jeito, só deletando o comentário), era só para trocar na hora de ler... entendeu? Ahahahaha

Muitos beijos... não aguentei: tive que vir aqui de novo. Viu? Eu vim!!!! :))

Anônimo disse...

Gosto de 'questão de poesia' e acho que poderia ter sido melhor classificado...

Luiz Filho de Oliveira disse...

Sem problemas, Teca. Abração.

É, Lucas, cada banca de classificação tem seus critérios, e isso torna muito subjetiva as escolhas.

É um poema razoável, meu caro Anônimo; mas gosta mais de um que nem foi classificado. Se quiser conferir, eu postei-ele em março de 2010. Veja aqui: http://luizfilhodeoliveira.blogspot.com.br/2010/03/um-poema-cercado-de-principes-um.html

Fred Caju disse...

Valeu aí pela força, Luiz. Abraço.

Luiz Filho de Oliveira disse...

Deixa disso, Caju, que vc tem muita força na sua poesia. Boa sorte, camarada.

Anônimo disse...

Gostei da 'dica' mas... Um poema razoável? Vejo nele ('questão de poesia') qualidades, coisas que talvez eu não saiba explicar mas que me parecem muito boas. E isso (também) é poesia (o inexplicável). Só o fato de ser um poema (literalmente) aberto, possibilitando a participação ativa do leitor, já o coloca, na minha visão, acima da média. Depois (ou antes, talvez), diz o que é, multivário: completo ou por fazer-se nessa perspectiva de quem o lê, num exercício gramático-poético, pedagógico, até (inclusive). E, meu prezado poeta, seu título trai (mas de maneira justa, porque o poema, esse poema, especialmente, é uma questão de poesia) trai a modéstia do autor em não reconhecê-lo como um BOM poema. Haveria mais a dizer desse notabilíssimo poema mas deixo para outra oportunidade por circunstâncias de momento. Poesia é vida pois “o verso é avesso à morte”...(Também gostei muito de ‘oráculo principal’, outro ponto altíssimo em sua poesia e que deveria ter sido classificado igualmente, numa melhor posição)...

Luiz Filho de Oliveira disse...

Como é bom ter escrito um poema que fez bem a outras pessoas. Foram poucos, é certo, mas são tantos para mim. Tanta é a possibilidade. Não troço, net-amigos, les-pago o que outros poetas deram-me em troca de amar a poesia: traço poemas para pagar a minha existência neste planeta. Devo tanto...